Sábado, 18 de Novembro de 2017

Cotonicultores cobram fundo de incentivo

12 JUL 2010Por 21h:02
Maurício Hugo, Chapadão do Sul

Comemorando as boas cotações do algodão no mercado, os cotonicultores do Estado iniciaram oficialmente a colheita na sexta-feira, em Chapadão do Sul. Mas nem tudo é ânimo entre os produtores que, além de uma quebra de quase 20% na safra em função da seca, voltaram a reclamar do Governo do Estado recursos da ordem de R$ 250 mil por ano, que deveriam compor o Fundo de Apoio a Cotonicultura de Mato Grosso do Sul. A cobrança é feita pelo terceiro ano consecutivo, mas eles ainda não obtiveram uma resposta do Governo. Existe uma expectativa de que o governador André Puccinelli, que deve se reunir com o setor em breve, possa solucionar essa questão do Fundo que vem de governos anteriores.
Esse Fundo já fora criado mas na época em que José Felício esteve à frente da Secretaria da Produção, no governo anterior, acabou sendo extinto e todo o dinheiro acabou incorporado aos cofres estaduais sem maiores explicações ao setor.
O presidente da Ampasul - Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Algodão, Darci Boff explicou que pelo acordo feito com o Governo do Estado - que concedeu isenção de parte do ICMS ao setor - metade do que é pago em impostos seja devolvido para a formação do Fundo de Apoio à Cotonicultura. Só que o Governo não estaria cumprindo esse acordo e os R$ 250 mil anuais não estão sendo disponibilizados.  Esse Fundo existe em todos os demais estados produtores de algodão e os recursos são destinados para as fundações de pesquisa, laboratórios e o combate ao bicudo, especialmente.
“Pouca gente sabe, mas a vitória brasileira contra os Estados Unidos na questão do subsídio ao algodão começou aqui em Mato Grosso do Sul, em Chapadão do Sul, e custou muito caro. Depois, com todos os estados produtores envolvidos nessa questão judicial, no final o Brasil venceu, só que a conta dos advogados precisou ser paga e os Fundos dos Estados pagaram. Como nós não tínhamos o Fundo constituído nem recursos em caixa, foi preciso fazer uma complicada estratégia para arrumar a parte do dinheiro que coube a Mato Grosso do Sul”, explicou um grande produtor de algodão presente à festa em Chapadão do Sul que preferiu não se identificar.
O deputado estadual Paulo Corrêa (PR/MS) também presente à solenidade em Chapadão do Sul, prometeu saber mais sobre o Fundo, e sobre o acordo, e apresentar novo projeto na Assembleia Legislativa que viabilize os recursos para o setor.

Produzir muito mais
O presidente da Ampasul em seu discurso por ocasião do lançamento oficial da colheita lembrou que os primeiros plantios de algodão não chegaram a atingir área de 40 mil hectares, mas com o passar dos anos a área cresceu chegando aos 60 mil hectares. Por problemas diversos, de mercado, falta de incentivo, a área acabou voltando aos 40 mil hectares e, na safra que começa a ser colhida, chegou a 45 mil hectares.
“E nosso algodão tem qualidade comprovada, nós podemos ampliar em muito essa área, poderíamos chegar perto dos 100 mil hectares se não houvessem esses gargalos, essas dificuldades, essa falta de apoio”, afirmou o presidente da Ampasul.
Durante o dia de campo da abertura da colheita, técnicos da Fundação Chapadão abordaram temas fundamentais no cultivo do algodão como a incidência dos nematoides, outras pragas e principalmente a introdução do Algodão Adensado, um avança tecnológico da cotonicultura.

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