Quinta, 23 de Novembro de 2017

Costurados pelo humor

8 JUL 2010Por 10h:05
Mariana Trigo, TV Press

Alfinetadas e agulhadas dão o tom do encontro dos personagens Ariclenes e Jacques Leclair nas gravações dos primeiros capítulos de “Ti ti ti”. No “remake” da trama de Cassiano Gabus Mendes, que estreia 19 de julho, os protagonistas interpretados por Murilo Benício e Alexandre Borges demonstram que já incorporaram os estilos e trejeitos de seus personagens rivais. Com um figurino meio rococó de inspiração nos anos 80, Alexandre Borges não tira o sorriso do rosto na pele de Jacques, o costureiro retrô da trama das sete, adaptada por Maria Adelaide Amaral e dirigida por Jorge Fernando. Durante uma cena em que ambos se encontram na cidade cenográfica da Vila do Belenzinho, onde mora o núcleo pobre da novela, já é possível antever que o embate promete reerguer a baixa audiência do horário. “Estou extasiado com esse personagem meio ‘over’, que se acha irresistível. Minha inspiração nele foi mais barroca, peguei referências no Dener”, entrega Alexandre, referindo-se ao estilista que foi um dos pioneiros da alta-costura no Brasil nas décadas de 1960 e 1970.
Sob o comando firme e simpático da diretora Maria de Médicis, as cenas se desenrolavam com rapidez. A concentração de toda a equipe em gravar as tomadas com agilidade era pela pouca luz, que se diluía pela tarde, enquanto o sol se escondia por trás das altas montanhas que envolvem o Projac. “Acabamos de descobrir que esse horário é péssimo nessa cidade”, constatava a diretora, diante da baixa luminosidade. Mesmo assim, Maria andava de um lado para o outro entre os atores e equipe técnica, checando marcações e ângulos com um bom-humor raro neste cargo. “Gente! Que sandália é essa! Não vou nem mais precisar de luz!”, brincava Maria, sobre uma sandália laranja fluorescente que destoava em uma figurante.
Aos poucos, o bom-humor de Maria contaminava a equipe e o elenco, o que estimulou Murilo Benício a soltar gracinhas nas gravações de sua cena com Rodrigo Lopez. Na pele de Ariclenes, personagem que se transforma no toureiro estilista Victor Valentim, Murilo confabulava com Chico, de Rodrigo, que é uma espécie de fiel escudeiro do costureiro “picareta”. “Eles são como Dom Quixote e Sancho Pança”, define Rodrigo, pouco antes de contracenar com Murilo. Na cena, ambos chupavam picolé enquanto concluíam que Jacques não poderia descobrir que Ariclenes é o Victor Valentim. “Para de comer! Não almoçou?”, provocava Murilo para Rodrigo, atracado no palito do sorvete.
Entre ensaios e gravações para cada tomada, o tempo era cada vez mais curto e Maria providenciava alterações na iluminação das cenas constantemente. Mesmo assim, não dispensou o esmero na tomada em que a DJ Help, de Betty Gofman, agarrada aos beijos ao seu namorado Ângelo, do estreante Júlio Oliveira, desafiava Ariclenes no meio da rua. Com as mãos na cintura e trejeitos vulgares, a personagem avisava ao papel de Murilo que Jacques iria jantar naquela noite com Suzana, vivida por Malu Mader, por quem Ariclenes é apaixonado. “Sua ameba ‘fashion’! Só você para me falar do Jacques Leclair. Cuidado para esse aí não pegar sapinho, sua boca de pereba!”, bradava Murilo na pele de Ariclenes, ao lado de Luti, de Humberto Carrão, que interpreta seu filho. Foi nesse clima bordado com humor e saudosismo que Betty comemorava sua segunda atuação em “Ti-ti-ti”. Afinal, a atriz estreou na tevê justamente neste folhetim, há 25 anos. “Todos estão confiantes nesse projeto. Estamos partindo do zero e fazendo uma outra leitura da primeira versão da novela, que foi um trabalho antológico. Tem sido um mundo novo e deslumbrante”, animava-se Alexandre Borges.

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