No decorrer dos seus 58 anos, o Correio do Estado serviu de escola para diversos profissionais e foi importante testemunha da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Seus arquivos são objeto de pesquisas feitas por estudantes, historiadores e profissionais das mais diferentes categorias.
Nos anos 1970, ainda não existia curso de jornalismo no Estado. O jornal publicava anúncios do tipo: “Contrata-se jovens que queiram trabalhar como repórter e que gostem de escrever. Ensina-se o ofício”. A partir daí, várias pessoas apareciam no jornal e passavam por uma seleção antes de serem contratadas.
Alguns profissionais que surgiram a partir desse anúncio e são formados pela “Escola Correio do Estado” ainda atuam na redação: Hordonês Echeverria, editor de Nacional/Internacional; Thiago Gomes, editor de Polícia; e Fausto Brites, editor do Portal Correio do Estado.
Maurício Hugo, editor de Rural, Arlindo Florentino, editor de Esportes, o repórter Montezuma Cruz, o correspondente em Dourados, Cícero Farias, o de Corumbá, Silvio Andrade e o fotógrafo Valdenir Rezende também integram a lista de profissionais que iniciaram a carreira no Correio do Estado e continuam trabalhando.
Outros continuam atuando na imprensa sul-mato-grossense: Lucimar Couto, diretor-editor do site Campograndenews; Geraldo Ferreira Duarte, da assessoria de imprensa da Fundação Nacional do Índio (Funai); e Laureano Secundo, repórter do Diário Digital. Também fizeram parte deste time Silvana Echeverria Alcaraz e Rosa Maria Félix da Silveira.
Aulas
Antonio João considera o Correio do Estado uma família, pois participa das atividades do jornal desde os oito anos de idade. Ainda criança assinava uma coluna em que informava os resultados dos jogos de futebol. Depois de alguns anos, passou a ser responsável por ministrar as aulas aos novatos (conhecidos por focas no meio jornalístico) que estavam iniciando na carreira profissional. Usava a experiência pessoal e também o aprendizado do jornal O Estado de S. Paulo, do qual foi correspondente.
“Explicava como deveria ser o lead, como a notícia deve ser apurada. Tentava repassar um pouco daquilo que sabia”, recorda. Ele destaca a importância do diploma atualmente para contratar jornalistas, o que é exigência hoje no Correio do Estado .
Eco às reivindicações
O Correio do Estado começou a circular em 7 de fevereiro de 1954. Mais de dois mil exemplares, em formato tablóide, com 8 páginas, chegaram às mãos dos leitores.
O editorial da edição inaugural (com o título “Nossa Apresentação”) dizia: “O Correio do Estado quer também fazer eco das reivindicações populares, das nossas classes trabalhadoras, médias e classes produtoras”.
Ontem, dia 7 de fevereiro, quando o jornal completou 58 anos, os leitores tiveram acesso a uma edição diferenciada, com formato muito mais dinâmico, na maior reforma gráfica já feita pelo impresso.
Profissionais destacam reportagem

Dentre as várias matérias de suas carreiras, os jornalistas Hordonês Echeverria, Montezuma Cruz e Fausto Brites destacam a entrevista em 1975 com Hiroo Onoda, sargento do serviço secreto e herói japonês, que ficou 30 anos nas selvas filipinas pensando que a Segunda Guerra Mundial ainda não havia acabado. Rendeu-se ao Governo e depois veio morar em uma fazenda em Terenos.
Relatos dos profissionais que trabalham há anos no Correio do Estado

“Quando cheguei na Redação trazia comigo o dom de escrever. No Correio do Estado aprendi todas as técnicas de reportagem e tudo que sei de jornalismo”
Maurício Hugo, 62 anos, editor do Correio Rural, no jornal desde 1978.

“Esta é a 3ª vez que estou trabalhando na empresa, onde comecei a carreira. Aprendi que ética, respeito, moral e dignidade não se aprendem no jornalismo, mas no berço familiar”.
Fausto Brites, 53 anos, editor do Portal Correio do Estado.
“Não tínhamos faculdade de jornalismo. Cheguei à profissão em resposta a um anúncio veiculado no jornal, oferecendo oportunidade a quem desejasse trabalhar na área”.
Thiago Gomes, 50 anos, editor de Polícia, está no jornal desde dezembro de 1978.
“Comecei na reportagem policial, percorrendo as poucas delegacias da época. No Correio, aprendi muitas lições, principalmente o respeito com a fonte e com o leitor”.
Hordonês Echeverria, 57 anos, editor de Brasil, Mundo e Veículos, no jornal desde 1974.
“O Correio do Estado ajudou a abrir as portas para mim e muitas outras pessoas no jornalismo. Comecei minha carreira no interior de SP, mas aprendi a ser repórter no Correio”.
Montezuma Cruz, 59 anos, repórter. Iniciou no Correio em 1975 e retornou após 35 anos.
“Logo que comecei no jornal quis aprender a fotografar. Trabalhava como office-boy. Em 1980 surgiu uma vaga e passei a trabalhar como fotógrafo. Aprendi tudo no Correio”.
Valdenir Rezende, 46 anos, chefe do setor de fotografia, começou no jornal em 1979.
“O Correio do Estado sempre privilegiou a notícia de maneira geral. Disciplina profissional também é outro ponto importante, que aprendi no Correio”.
Cícero Farias, correspondente em Dourados. Começou no Correio em 1976.
“Sempre trabalhei na editoria de esportes do Correio, onde aprendi muito e tive a oportunidade de acompanhar as mudanças no futebol e no jornalismo”.
Arlindo Florentino, 55 anos, editor de Esportes; está no jornal desde 1984.



