Sábado, 18 de Novembro de 2017

Consórcio caça mil operários para construir hidrelétrica

19 ABR 2010Por 21h:44
Ico Victório

O Consórcio São Domingos, responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de São Domingos, localizada em área que compreende dois municípios, Água Clara e Ribas do Rio Pardo, procura pelo menos mil operários para trabalhar em seu canteiro de obras. Por falta de pessoal capacitado, o setor de recrutamento será obrigado a abrir contratação em outros estados, visando a suprir demanda do maior projeto em andamento no Estado, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Lula, cujo investimento soma R$ 290 milhões. No total, estima-se contratação de 2,2 mil trabalhadores na obra até o final de 2011.

O consórcio busca no mercado profissionais como carpinteiros, marceneiros, operadores de máquinas, motoristas, almoxarifes, encarregados e mestres de obras, entre outros.

A administração do consórcio corre contra o tempo, pois já consumiu sete dos 27 meses previstos para a construção do complexo hidrelétrico de São Domingos, com entrada em operação marcada para janeiro de 2012. A energia a ser produzida já está comercializada e é preciso pessoal capacitado para a execução do projeto, com início previsto para o próximo mês.

No escritório instalado em Água Clara, o responsável pelo setor de recrutamento, Reinaldo de Paula Brugiollo, revela dificuldades para contratação e adianta que será preciso “importar” mão de obra especializada para compor o quadro de funcionários no canteiro de obras da usina. “Estamos garimpando nos municípios vizinhos, como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Campo Grande também, mas encontramos muitas dificuldades de assinar contrato de trabalho pela falta de pessoal capacitado”, informa.

Se trabalhar em uma obra complexa e de grande porte, como em usina hidrelétrica, com nível 4 de perigo de acidentes – índice instituído pelo Ministério do Trabalho – exige dos operários maior nível de capacidade, na outra ponta exige remuneração melhor do que em outros setores da construção civil.
Neste caso, o salário médio pago pela Usina São Domingos para carpinteiros, por exemplo, chega a R$ 1.200 – fixo de R$ 800,00 mais 40 horas extras, férias e FGTS. No pacote é oferecido ainda alojamento, três refeições diária e transporte gratuitos.

“Pra encontrar pessoal capacitado está difícil. Temos exigências de admissão diferentes e nem todos que passam no escritório estão qualificados para cumprir jornada de trabalho no canteiro de uma usina hidrelétrica”, explica Ronaldo de Paula.

O que pesa no momento da triagem é a exigência de regime de semi-internato – 15 dias – a que se submeterão os operários, até que eles tenham folga e possam visitar sua família na cidade. A obra dista 70 quilômetros de Água Clara, e como a rodovia MS-324 está praticamente destruída pela erosão, consórcio estebeleceu o descanso semanal no próprio canteiro, a fim de evitar deslocamentos constantes para a cidade. No local, os operários poderão desfrutar de sala de jogos.

O administrador do projeto, engenheiro André Batistela, reforça que esta situação acaba fazendo com que o candidato recue e procure nova oportunidade, mas não há outra alternativa viável. “Por todas essas razões, não conseguiremos preencher vagas oferecidas no canteiro de obras, e a saída é buscar pessoal em outras regiões”.

Para tentar solucionar este problema, o Sebrae e a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul ofereceram cursos de capacitação de curto prazo, mas pela necessidade de início imediato da obra, o consórcio decidiu contratar profissionais especializados e com experiência, embora saiba que são poucas as alternativas para o setor no Estado.  

Capacitação
Nos últimos três anos, o governo do Estado investiu cerca de R$ 12 milhões na capacitação de quase 10 mil trabalhadores, a maioria já está empregada, como informou o presidente da Fundação do Trabalho do Estado, Cícero Ávila. Ele diz reconhecer o déficit de mão de obra capacitada, mas lembra que o mercado da construção civil é um dos responsáveis pelo aquecimento da economia e, por isso mesmo, há forte demanda por contratação em Mato Grosso do Sul.

Cícero Ávila descarta apagão de mão de obra e diz que as empresas sempre encontram alternativas. “Nunca uma obra de grande porte parou ou deixou de ser construída por falta de gente”.

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