Quinta, 23 de Novembro de 2017

Conselho abrirá sindicância contra médicos

26 FEV 2010Por 06h:26
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS) abrirá sindicância para apurar as responsabilidades dos médicos Orozimbo Ruela Oliveira Neto e Sinomar Ricardo, ambos de Ivinhema, que teriam brigado durante o trabalho de parto da costureira Gislaine de Matos Rodrigues, que acabou perdendo a criança, uma menina. Conforme o atestado de óbito, o bebê morreu por “sofrimento fetal agudo e anoxia (“falta de oxigênio)”. Segundo o delegado Lupersio Degerone, que va i apurar o caso, os dois podem ser indiciados por aborto com dolo eventual. Os médicos têm 10 dias para apresentar defesa na sindicância do CRM. Em entrevista ao site G1, Gislaine diz que passa por uma experiência dolorosa e está sentindo um vazio enorme no peito. “Esperei 12 anos para engravidar de novo e acabei perdendo minha filha na mesa de cirurgia”. Ela já começou a doar parte das peças do enxoval da filha. “Não quero guardar nada. Não tenho condições psicológicas de entrar no quarto que montamos para minha filha. Já está tudo desmontado. Doei o que podia ser doado, mas quero ver se consigo devolver para as lojas o que comprei e não usei”. Gislaine revela que se endividou para comprar o necessário para cuidar do bebê. “Comprei cômod a, guarda-roupas, berço, prateleiras, carrinho e cadeirinha para colocar no carro. Não quero ficar com nada disso. A lembrança ainda é muito dolorosa”. A costureira tem um filho de 12 anos, de seu primeiro relacionamento. “Resolvi, depois de tantos anos, ter um outro filho. Agora, não penso em nova gravidez. Quero me recuperar primeiro, tanto física quanto psicologicamente”. Ela e o marido, o bombeiro Gilberto de Melo Cabreira, 32 anos, esperam justiça. “O que aconteceu ceifou a vida de nossa filha. Isso não pode ficar sem punição. Isso não pode acontecer novamente”, disse Cabreira. Entenda o caso Gislaine foi internada no domingo (21) pelo médico Orozimbo Ruela Oliveira Neto, com quem fez o pré-natal. Quando o parto já estava prestes para começar, na madrugada de terça-feira, outro médico, Sinomar Ricardo, teria invadido o centro cirúrgico dizendo que o plantão era dele e, portanto, assumiria o parto da costureira. Segundo a família, os dois começaram a discutir e chegaram a se agredir fisicamente. “Eu pedia para eles pararem de brigar e me ajudar. Uma das enfermeiras chegou a me proteger e me consolar, mas eu queria mesmo era a atenção médica no parto de minha filha”, disse Gislaine. Segundo ela, os médicos foram retirados da sala por seguranças do hospital e o parto acabou sendo feito por um terceiro profissional, a médica Elza Maria, mulher de Sinomar. Ontem por meio de e-mail, o médico Sinomar deu suas versões dos fatos. Ele acusou o colega Orozimbo da prática de aborto. Dois comprimidos de Citotec (medicamento abortivo) teriam sido encontrados na vagina da paciente.

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