Sexta, 24 de Novembro de 2017

TUMULTO

Confronto e quebra-quebra fecham Câmara de Dourados

14 SET 2010Por 05h:38

Maria Matheus e Fábio Dorta

Mesmo sob forte esquema de segurança, a Câmara Municipal de Dourados foi invadida por centenas de manifestantes na noite de ontem, durante sessão que elegeu a nova mesa diretora e aprovou a criação de Comissão Processante para analisar pedido de cassação do prefeito afastado Ari Artuzi (sem partido). Policiais usaram bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo e balas de borracha na tentativa de controlar o protesto, mas as portas e praticamente todas as vidraças foram quebradas.
A confusão começou por volta das 19h45min, quando aproximadamente 600 manifestantes que acompanhavam a sessão por meio de telão instalado no lado de fora da Casa de Leis atiraram pedras, quebraram vidraças, inclusive a porta de entrada principal e a sala da assessoria de imprensa, e invadiram o prédio. Nesse momento, a sessão foi suspensa e, às 20h30min, foi encerrada por falta de quorum, porque os vereadores deixaram o plenário.  
Antes, três suplentes foram empossados – Albino Mendes (PR), Cemar Arnal (PR) e Aparecido Medeiros (DEM). Délia Razuk (PMDB), única vereadora que não foi indiciada pela Polícia Federal pelos crimes apurados na Operação Uragano, foi eleita presidente da Casa. O petista Dirceu Longhi assumiu a vice-presidência.
O vereador Sidlei Alves (DEM), que permanece preso, apresentou, por meio de seu advogado, pedido de renúncia da presidência da Casa. Até a eleição de Délia, a sessão foi presidida por Aurélio Bonatto (PDT), um dos acusados de receber propina para aprovar projetos do Executivo. Na semana passada, quando a Casa tentou realizar a primeira sessão após a Operação Uragano, um manifestante jogou um sapato em Bonatto.
Zezinho da Farmácia (PSDB) deixou a cadeia ontem à tarde e compareceu à Câmara durante a sessão, mas seguiu direto para seu gabinete. Gino Ferreira (DEM), Júlio Artuzi (PRB) e José Carlos Cimatti (PSDB), todos indiciados, participaram das votações.
Mais de 300 pessoas acompanhavam a sessão no plenário, com faixas, cartazes e palavras de ordem pedindo a cassação de Artuzi e dos vereadores acusados de receber propina para aprovar projetos do Executivo. Para entrar na Casa, eles foram revistados. O esquema de segurança contou com 120 policiais, incluindo batalhão de choque, força tática, cães e cavalaria,  mas não foi suficiente para impedir a invasão do prédio pelos manifestantes que não tinham conseguido entrar para assistir à sessão.  
Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas, entre elas, um guarda municipal e uma mulher grávida, que foi socorrida pelo Samu e encaminhada ao hospital (foto abaixo).
Do lado de fora da Câmara, os manifestantes colocaram um boneco representando Judas, o traidor de Cristo, no canteiro central da Avenida Marcelino Pires, em frente ao prédio da Casa de Leis.

Medidas
Délia Razuk afirmou, em entrevista coletiva após o tumulto, que todos os atos votados durante a sessão de ontem são válidos, inclusive a instalação da mesa diretora e da comissão processante. Razuk deve assumir a Prefeitura de Dourados nos próximos dias, caso o prefeito e o vice, Carlinhos Cantor (PR), permaneçam presos ou sejam afastados definitivamente por decisão da Justiça. “Não tenho condições de falar sobre isso agora”, comentou a vereadora, ao ser questionada sobre a possibilidade de assumir o comando da prefeitura.
Atualmente, o juiz Eduardo Rocha substitui Artuzi, porque todos na linha sucessória foram presos na Operação Uragano, deflagrada no dia 1º de setembro. Eles são acusados de formação de quadrilha e corrupção. A organização criminosa, segundo a Polícia Federal, desviava verba públicas de contratos e direcionava licitações a empresas que pagavam propinas aos envolvidos no esquema.
 “É uma situação muito triste. É necessário que o parlamento tenha condições de trabalhar, porque não poder parar. Vamos nos reunir com a segurança da Casa e com os vereadores para decidir como dar segurança para dar continuidade aos trabalhos da Casa”, disse Razuk.

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