Cidades

NEGOCIAÇÃO

Conflito de índios e produtores vai custar R$ 100 milhões no Estado

Conflito de índios e produtores vai custar R$ 100 milhões no Estado

DA REDAÇÃO

31/01/2014 - 00h00
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Depois de pedirem R$ 150 milhões pelas fazendas localizadas na região da Terra Indígena Buriti, nos municípios de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, produtores podem vender as terras por menos de R$ 100 milhões, conforme reportagem na edição desta sexta-feira do jornal Correio do Estado.

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Francisco Maia, diz que os produtores podem fechar a negociação com o governo federal, caso a proposta inicial, no valor de R$ 78 milhões, seja reajustada em 25%. Ou seja, a paz naquela região onde o índio Oziel Gabriel foi assassinado em maio do ano passado custaria R$ 97,5 milhões.

“A princípio, acho que já se chegou a um valor. Agora, tem de fazer ajustes. Tem de ter um ajuste de uns 25% para melhorar. São 31 propriedades diferentes uma das outras. A terra nua pode pagar como padrão. Já as benfeitorias são caso a caso”, afirma Maia. 

Antes de sentarem para a última reunião com o Ministério da Justiça, no início deste mês, os produtores pediam R$ 150 milhões pelas terras pleiteadas por indígenas. A proposta feita pelo governo de praticamente metade do valor pedido caiu como um balde de água fria.

Ainda assim, o ministério se comprometeu a encaminhar aos produtores rurais todo o estudo feito pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para que eles o estudassem e apresentassem uma contraproposta. A reportagem é de

HOMICÍDIOS

Briga por cigarro e assalto no Tijuca têm dois mortos na Capital

Crimes ocorreram entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta-feira

10/06/2026 09h00

Vítima estava em sua residência quando criminosos invadiram e passaram a agredi-lo

Vítima estava em sua residência quando criminosos invadiram e passaram a agredi-lo Foto: Divulgação / Polícia Civil

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Na madrugada desta quarta-feira (10), um homem identificado como Tiago Robson Reis de Lima, de 38 anos, foi vítima de homícidio dentro de sua casa, após três pessoas invadirem devido a uma discussão causada por cigarro. O crime ocorreu no bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande.

De acordo com o relato da namorada da vítima, Tiago chegou à sua residência por volta das 23h e começou a chamá-la na porta. Antes de entrar na residência, um homem, identificado como Ricardo Dias Pereira passou pelo local e pediu um gole do energético que o rapaz segurava e ele permitiu que o indivíduo tomasse um gole.

Em seguida, pediu-lhe um cigarro, porém Tiago se negou a fornecer, iniciando-se uma discussão acompanhada de xingamentos. Nesse momento, a moça disse: "Para de discussão e vamos entrar", puxando o namorado para dentro da residência e fechando a porta.

Após alguns minutos, uma mulher identificada como Aldrea Aparecida de Paula Santos, que estava acompanhada do seu côjuge e também de seu irmão, Paulo de Paula Martins, estava em frente à casa e gritando: "Você brigou com meu marido".

Neste momento, Tiago e a namorada saíram para verificar o que estava ocorrendo. O rapaz então iniciou nova discussão, desta vez com a mulher e os dois homens.

Em determinado momento, Tiago xingou a mulher. Os autores passaram a chutar o muro de madeira. Em razão disso, a vítima abriu novamente a porta, e os dois homens, ambos armados com facas, e a mulher, portando um pedaço de madeira, invadiram a casa e atacaram o rapaz.

Tiago pegou um pedaço de telha do tipo Eternit para tentar se defender, porém foi atingido por uma facada na região do abdômen. Em seguida, saiu correndo, sendo perseguido pelos autores. Após os fatos, os envolvidos fugiram em um veículo Volkswagen Gol. O óbito foi constatado por volta das 01h desta quarta-feira.

Até o momento, nenhum autor foi localizado pelas equipes policiais.

Tijuca

Um outro caso de homicídio aconteceu na rua José Silvestrini, no bairro Jardim Tijuca, onde Jonny Santana Souza, de 40 anos, foi morto, na noite de ontem (9). 

As imagens das câmeras de segurança obtidas no local registraram o fato, e a dinâmica observada sugere execução, e não latrocínio, segundo o Boletim de Ocorrência. A vítima encontrava-se no veículo pertencente a seu amigo, ocupando o banco do passageiro.

O amigo de Jonny relatou que, no momento em que chegou e parou seu veículo em frente à residência, um indivíduo em uma moto preta e casaco escuro com capacete, armado com uma pistola parou em frente ao carro, dando voz de assalto.

Jonny teria jogado seu aparelho celular próximo aos pés do autor, momento em que o indivíduo apontou a arma em sua direção e tentou efetuar o primeiro disparo, o qual falhou. A vítima aproveitou tal momento para tentar fugir, e se abrigou atrás do veículo.

O autor o seguiu e passou a efetuar vários disparos de pistola contra a vítima que caiu no chão.

De acordo com as imagens obtidas pela Polícia, o autor do homicídio parece ter recebido apoio de um segundo veículo, um Volkswagen Up de cor branca.

A equipe da perícia realizou a apreensão de 10 cápsulas de munição calibre 9 mm.

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Consórcio Guaicurus

Prefeitura tenta driblar Justiça para intervir no transporte coletivo

Relatório sugere intervenção em caráter investigatório e fiscalizatório, o que, em tese, já deveria ser feito pelas Agências de Trânsito e Regulação

10/06/2026 08h00

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O relatório sobre a concessão do transporte coletivo de Campo Grande foi concluído depois de três meses. Mesmo que a comissão liderada pela Procuradoria-Geral do Município tenha recomendado a intervenção, o texto deixa explícito que ela seria em caráter investigatório e fiscalizatório, o que já deveria ocorrer, e sem anular o contrato ou punir o Consórcio Guaicurus.

Como parte de uma decisão judicial de dezembro da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, uma comissão instituída pela prefeitura realizou diversas etapas de um processo que resultou em um relatório final, que contém informações sobre o transporte coletivo da Capital nos últimos anos.

“A finalidade deste relatório é precisamente delimitada: reunir e analisar os elementos de competência desta Comissão, de modo a subsidiar a decisão administrativa do Poder Concedente quanto à necessidade, à proporcionalidade e à pertinência de eventual intervenção na concessão”, explica a comissão no começo do documento.

Ao todo, sete etapas foram realizadas até a conclusão do relatório: organização do procedimento; instrução técnica regulatória, a cargo da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran); eventual notificação da concessionária pelas agências; consolidação das informações; contraditório e ampla defesa perante a Comissão; participação popular; e elaboração do relatório final.

O documento também traz alguns dados que reforçam o problema do setor nos últimos anos. Por exemplo, de 2021 a 2025, foram aplicadas 21.910 autuações pela Agetran por conta de uma série de irregularidades no serviço, com destaque para “descumprimento de horário de viagem”, com cerca de 60% do total de autuações.

“As autuações por descumprimento de horário e por omissão de viagens, que, somadas, superam quinze mil ocorrências, atingem diretamente a regularidade e a continuidade do serviço; já as relativas a equipamentos obrigatórios e a recursos de reserva (motoristas e veículos) comprometem a confiabilidade e a segurança da operação”, analisa a comissão.

Sobre a qualidade da frota de veículos, o relatório afirma que a situação foi se agravando com o tempo, chegando a 98 ônibus com idade maior que 10 anos.

Fiscalização encontrou quase 100 ônibus com 10 anos na frota do transporte coletivo da Capital - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

E que entre agosto de 2020 e maio deste ano, das 2.771 inspeções realizadas, 299 resultaram em reprovação por não conformidades técnicas, o que “revela a deterioração progressiva das condições mínimas operacionais”.

Foram registradas também 82 medidas administrativas de interdição de veículos por não apresentação para inspeção de segurança no prazo regulamentar desde junho do ano passado, com ônibus que precisaram ser retirados de operação por apresentarem inspeção anual vencida. 

Outros 40 veículos verificados foram paralisados por falta de peças e sem previsão de retorno à operação, além de elevadores inoperantes e poltronas danificadas.

Durante quase 9 anos, entre novembro de 2016 e julho de 2025, o Consórcio Guaicurus deixou de contratar os seguros obrigatórios de responsabilidade civil, geral e de veículos, o que violou uma das cláusulas do contrato e gerou multa superior a R$ 12,2 milhões à concessionária.

Sobre a questão financeira da concessão, a comissão destaca que “as demonstrações financeiras dos exercícios de 2016 a 2024, do Consórcio e das sociedades que o integram, apontaram indicadores de fragilidade financeira e elevado comprometimento do patrimônio líquido”.

O documento também cita a greve dos funcionários ocorrida em dezembro do ano passado, após a Prefeitura e o Consórcio atrasarem seus vencimentos e benefícios.

“A paralisação ocorrida, ainda que circunscrita no tempo, materializa de forma concreta o risco à continuidade que os demais elementos da instrução já sinalizavam, a deterioração e as interdições da frota, as falhas graves de segurança e os indicadores de fragilidade econômico-financeira, fazendo-o migrar do plano do risco potencial para o da ocorrência efetiva”, diz o documento.

Apesar de todos esses pontos, a comissão recomenda a intervenção apenas de caráter temporário, investigatório e fiscalizatório, com nomeação de um interventor, sem que o contrato seja extinto.

Porém, o mais curioso é que o trabalho de fiscalizar e investigar o transporte coletivo seria da Agetran e da Agereg.

O documento também sugere a construção da solução consensual no âmbito da intervenção.

O relatório foi apresentado para a prefeita Adriane Lopes (PP) no fim da tarde de ontem, após uma reunião com a Procuradoria-Geral do Município e a Agereg. Em resposta enviada à reportagem, a chefe do Executivo municipal disse que até sexta-feira deve tomar uma decisão quanto à intervenção.

INVESTIGAÇÃO

O Consórcio Guaicurus também é alvo de denúncias de irregularidades financeiras, como a transferência de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês sem justificativa e a omissão contábil de receitas e fluxos de caixa desde 2012, como constatado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo no fim do ano passado.

De acordo com o relatório, a comissão instituída pela prefeitura também encontrou indícios dessas movimentações irregulares e encaminhou ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) um pedido para que inicie investigação sobre o tema.

VERSÃO

Em nota enviada à reportagem, o Consórcio Guaicurus opinou que alguns pontos trazidos pela comissão no relatório conclusivo precisam ser olhados por um ponto de vista maior, além de dizer que quase todos os problemas enfrentados pelo setor nos últimos anos são consequência de ausência do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.

“O Consórcio recebe as conclusões do relatório com serenidade, mas ressalta que os indicadores apontados pela comissão – tais como o volume de autuações, a idade média da frota e as dificuldades operacionais – não são a causa da crise do sistema, mas sim o reflexo direto e inevitável de um severo sufocamento econômico-financeiro que a concessionária vem enfrentando nos últimos anos”, afirma.

A empresa e a prefeitura travam uma batalha sobre qual deveria ser o valor da tarifa técnica (custo real por passageiro para operar o transporte público). Atualmente, ela está fixada em R$ 6,57, mas a concessionária quer que ela suba para R$ 7,79.

A concessionária também comenta que uma intervenção neste momento seria uma decisão “precipitada e contraproducente” e, por isso, formalizou com o Município uma proposta de solução negociada e um plano de modernização, como alternativa jurídica e administrativa à medida proposta na decisão judicial.

“O objetivo é estruturar um Termo de Ajuste que viabilize a injeção de recursos necessários para a renovação imediata da frota, revisão das linhas e otimização dos tempos de viagem, sanando as falhas apontadas de forma célere e sem os riscos jurídicos e operacionais que uma intervenção traria para a estabilidade da cidade”, pontua.

* Saiba

Caso a prefeita decida pela intervenção, a comissão explica que deverá ser instaurado, no prazo de 30 dias, o procedimento administrativo e assegurada ampla defesa, para apurar as responsabilidades.

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