Verba veio do governo federal pelo programa Brasil contra o Crime Organizado e viabiliza diárias para ações na fronteira
Mato Grosso do Sul recebeu R$ 10,3 milhões do governo federal para custear diárias de policiais para ações contra organizações criminosas nas regiões de fronteira, divisas e biomas. Esse recurso tem colaborado para o aumento das operações de combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
Esse recurso veio por parte do programa Brasil contra o Crime Organizado, instituído em maio deste ano pelo governo federal como a principal estratégia para combater facções, milícias e grupos paramilitares.
O objetivo da medida é a asfixia financeira desses grupos, a atuação de inteligência e a cooperação interinstitucional.
De acordo com o titular da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, esse recurso chegou este mês e será utilizado pelos próximos 90 dias para operações contra essas facções criminosas.
“Esse recurso está nos ajudando no custeio. O governo federal lançou o programa Brasil contra o Crime Organizado para intensificar ações contra as facções após conversa com os Estados Unidos. Aqui, em MS, nós precisávamos justamente de recursos para custeio de diárias para os policiais fazerem essas operações nas fronteiras e nas divisas do Estado”, disse Videira, que salientou que Mato Grosso do Sul não deve aderir à linha de financiamento do programa porque, segundo ele, investimentos em equipamentos não são uma necessidade do Estado.
A intensificação dessas operações veio ao mesmo tempo que o governo dos Estados Unidos classificou como terroristas as facções PCC e CV.
Porém, segundo o secretário, o aumento dessas operações não são uma resposta ao país da América do Norte, e sim uma consequência do programa do governo federal.
“Para nós não muda nada essa classificação feita pelos Estados Unidos porque não mudou a nossa legislação, o que muda é para os outros países, que poderão prender esses criminosos e julgá-los no próprio país. Então, para a gente, efeito ainda não tem, mas há muitos brasileiros foragidos ligados com o tráfico de drogas e com essas facções que poderiam ser caçados e presos, como foi o caso do ex-major [Roberto] Carvalho e do [Gerson] Palermo”, completou Videira.
Os recursos de Mato Grosso do Sul, segundo o secretário, são economizados e destinados para outras ações, principalmente em Campo Grande.
OPERAÇÕES
Ontem começou a implantação do padrão de segurança máxima no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o presídio de segurança máxima de Campo Grande.
Com revista em todas as celas e até helicóptero, a ação coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen) faz parte do programa Brasil contra o Crime Organizado.
Segundo o governo federal, o objetivo é padronizar e capacitar as operações no presídio a partir de investimentos do programa. A unidade de Campo Grande foi a primeira a receber a capacitação prática por meio do projeto.
As atividades contaram com 40 policiais penais de Mato Grosso do Sul realizando atividades relacionadas à contenção e à movimentação de presidiários, aos protocolos de segurança e à gestão de equipes, entre outras medidas. A ação aplica procedimentos desenvolvidos pela Polícia Penal Federal.
O presídio de segurança máxima de Campo Grande também vai receber equipamentos nos próximos meses, como aparelhos de raios X, scanners corporais e viaturas especiais.
Segundo Videira, a próxima penitenciária de Mato Grosso do Sul a receber essa ação será a de Dourados.
Além dos presídios, as forças de segurança de Mato Grosso do Sul também fizeram operações em Campo Grande, Corumbá e na região norte e leste do Estado.
Na última ação, feita no dia 2, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) fez uma ofensiva contra as facções criminosas e prendeu cinco membros de “alta periculosidade” do PCC em Campo Grande, durante a Operação Malleus, que ocorreu em três municípios, Campo Grande, Água Clara e Corumbá.
Todos os alvos tinham registrada reincidência de crimes hediondos.
* Saiba
Lançado em maio deste ano, o programa Brasil contra o Crime Organizado visa fortalecer e ampliar
as condições de enfrentamento às organizações criminosas por meio de tecnologia e atuação operacional, além de modernizar o sistema prisional do País.
Assine o Correio do Estado