Sexta, 17 de Novembro de 2017

Criminalidade

Comerciantes cobram a volta do policiamento no centro da Capital

23 JAN 2010Por SILVIA TADA E NADYENKA CASTRO07h:50
Comerciantes estão exigindo a volta do policiamento ostensivo (militar) na região central de Campo Grande, nos mesmos moldes das ações desenvolvidas em dezembro, para o Natal e Ano Novo. A medida é para evitar os assaltos, que continuam ocorrendo. Há ainda o temor de um possível aumento de casos com a liberação dos presos que estavam em Dois Irmãos do Buriti. Ontem pela manhã, um dos alvos dos bandidos foi uma lotérica situada na Avenida Mato Grosso. Dois homens armados invadiram o local e roubaram o dinheiro. Houve tiros, mas ninguém ficou ferido. No momento do assalto, apenas um cliente estava no local, além dos funcionários. “Independente do fato de eles terem atirado, o trauma sempre fica”, afirmou o proprietário do local, Silas de Souza Lima. Ele relatou sua preocupação com o aumento da criminalidade. “Não apenas as lotéricas são alvos de assaltantes, mas padarias e postos de combustíveis. O ideal seria a volta do policiamento ostensivo, em que duplas circulam na região, a pé mesmo, sem precisar gastar com combustível. Dá resultado esse tipo de ação”, avaliou. Gerente de uma joalheria localizada na área central, Giovana Gadia, 33 anos, diz que a sensação de insegurança está maior nos últimos dias por causa da redução do número de policiais, em relação ao período de Natal e Ano Novo, e por isso é preciso mais policiamento. “Aumentou a insegurança depois do fim do ano, principalmente após as 18 horas. O comércio fecha esse horário justamente pela falta de segurança”, declara. Na opinião dela, por causa do policiamento precário, muitos comerciantes têm investido por conta própria em meios para tentar reduzir a ocorrência de roubos e furtos. Na loja em que ela trabalha, há câmeras que registram o movimento no interior da sala. Mas nem isso intimidou os bandidos, que, no ano passado, assaltaram a joalheria. Funcionário de uma farmácia na Rua 14 de Julho, José Carlos Viana Mendes, 48 anos, revela que também observou a redução de policiais no centro, mas, para ele, o que falta é vigilância quanto a veículos que param em locais não permitidos. “A gente observa que tem menos policiais. Mas, para mim, o que falta mesmo são homens da área de trânsito para resolver a questão do estacionamento em vagas proibidas”. Proprietário de uma ótica há 34 anos no Centro, Gelásio Roque Lane conta que todos os dias, no início da manhã, diversos policiais militares chegam à região para trabalhar. “Sou o primeiro comerciante a chegar. Enquanto estou limpando, molhando as plantas, vejo eles passarem todos juntos e depois se espalham para começar o trabalho”. Segundo o comandante da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto David, o número de militares nas ruas do centro está menor porque reduziu também o fluxo de pessoas. De acordo com ele, no período das festas de fim de ano, eram 90 homens, agora, são 60. O comandante explica que a estratégia do policiamento na área central é elaborada com base nos relatos da Associação Comercial e da Câmara de Dirigentes Lojistas, e, se estiver havendo reclamações, novas reuniões sobre o assunto devem ser realizadas. O coronel fala, ainda, que a Polícia Militar está com atuação reforçada nos bairros, com operações feitas pelos batalhões e pela Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe). “Onde os números demonstrarem que há incidência maior de crimes, a gente vai atuar”, concluiu.

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