Segunda, 20 de Novembro de 2017

Comerciantes apostam na revitalização

27 JAN 2010Por KARINE CORTEZ07h:56
A revitalização da Estação Rodoviária Heitor Eduardo Laburu, inaugurada nos anos 70 no quadrilátero formado pelas ruas Dom Aquino, Vasconcelos Fernandes, Joaquim Nabuco e Barão do Rio Branco, é a maior esperança para comerciantes da região não perderem a clientela e correr o risco de fechar seus estabelecimentos. A dona de uma loja de roupas usadas na Rua Barão do Rio Branco, Beatriz Rocha, estima perder 50% do faturamento, cerca de R$ 10 mil por mês, com a saída dos ônibus que fazem as linhas interestaduais. “Nossa esperança é que o Camelódromo seja transferido para cá. Se em um mês não se resolver nada e esse lugar não for revitalizado, vou ter que mudar daqui, depois de sete anos, porque não sobreviverei sem clientes”, enfatizou Beatriz. O prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, disse que a partir da zero hora da próxima segunda-feira nenhum ônibus sairá da Estação Rodoviária Heitor Eduardo Laburu e sim da nova Estação Rodoviária Antônio Mendes Canale, na saída para São Paulo. “Depois que o último ônibus sair, na noite de domingo, vamos lacrar a área de embarque e desembarque para ninguém mais ter acesso ao local”, avisou o prefeito. Porém os comerciantes do entorno reclamam que a prefeitura tem criado falsas expectativas. “Já avisaram que vão colocar tapumes e apagar as luzes do terminal. Desse jeito fica complicado para os trabalhadores e prato cheio para os marginais. Ficamos aqui até as dez horas da noite e vamos ter que fechar mais cedo por causa da falta de segurança”, lamentou Maria de Medeiros, funcionária de uma farmácia. O prefeito garantiu que o local não ficará abandonado, mas não definiu uma data para início das obras de revitalização. “A rodoviária não foi criada da noite para o dia. Portanto, os comerciantes deverão ter paciência porque estamos buscando alternativas para revitalizar o local, mas isso demora”, disse Nelsinho. Enquanto esperam a definição da prefeitura os trabalhadores da região terão que buscar alternativas para driblar a redução da clientela e apostam na proximidade com a região central para atrair hóspedes e compradores. O gerente de um hotel na Rua Joaquim Nabuco, Heitor Figueiredo, disse que a saída da rodoviária vai resultar na queda de 20% no número de hóspedes. “Temos muitos clientes que chegam pela manhã para pegar outro ônibus à noite. Essas pessoas procuram hotel para descansar e tomar um banho. Agora elas vão querer se hospedar próximo da nova rodoviária”, disse Heitor. Ele tem hoje capacidade para hospedar 54 pessoas. Vantagens Há 35 anos proprietária de um hotel na Rua Dom Aquino, em frente à rodoviária, Nélia Menezes acredita que a mudança da rodoviária será benéfica tanto para os comerciantes quanto para os hóspedes dos hotéis. “Tudo vai mudar para melhor. Os passageiros terão uma boa rodoviária para embarcar ou desembarcar e nós, donos de hotéis, vamos ficar livres desse local sujo e que denigre a imagem dos nossos estabelecimentos. Muitas vezes já perdemos hóspedes quando falamos que o hotel fica em frente à rodoviária”, salientou. Nélia disse ainda que a saída da estação rodoviária deve resultar em aumento de hóspedes pela proximidade da região com o centro da cidade. “Ninguém vai querer se hospedar na saída para São Paulo, a não ser passageiros em trânsito. Agora, quem vai ficar na cidade com certeza prefere hotel próximo ao centro”, disse. A empresária fez questão de ressaltar que a esperança de dias melhores está aliada à revitalização do local. “Se o prédio ficar abandonado, não vai adiantar nada. Tem que fazer desse local um ponto turístico ou trazer mesmo o Camelódromo para cá”, declarou. Rosalina Diasin, que atua na área de corte e costura, disse que para ela a rotina não vai mudar. Seus clientes não são os que chegam ou saem da rodoviária. “Para mim vejo que não haverá diferença alguma”, explica. Ela tem seu ateliê no entorno da rodoviária antiga há 23 anos. “Vou continuar com minha rotina, sem maiores problemas”, explicou Redução O mototaxista Lailson Cesar Gonçalves disse estar apreensivo com a mudança, assim como seus 30 colegas que trabalham no local. Ele disse que a estimativa é de que as 150 corridas diárias sejam reduzidas em 70%. “Esse ponto aqui já existe há dez anos e não atendemos só os passageiros da rodoviária, mas também moradores e trabalhadores da região. Na nova rodoviária, vamos só atender os usuários do terminal e ainda teremos que começar do zero, fazendo a propaganda do nosso serviço”, disse .

Leia Também