Terça, 21 de Novembro de 2017

Clube da Luluzinha

27 ABR 2010Por 19h:18

Márcio Maio, TV Press

 

As gravações de "Ribeirão do tempo" seguem no mais puro clima interiorano. Tanto em seu ritmo de produção quanto nos elementos que compõem suas cenas. Como o papo descontraído das amigas Filomena, Carmem e Ellen, papéis de Liliana Castro, Carolina Bezerra e Aline Borges, respectivamente. Como acontece nas pequenas cidades, as três amigas se juntam para fofocar sobre homens, trabalho e as novidades que acontecem no modesto município que dá nome à trama. Já que a produção começou no ano passado, elenco e direção aproveitam o "clima preguiçoso" da estreia, ainda sem data definida, para trabalhar a maior parte das cenas iniciais da trama de Marcílio Moraes. "Podemos gravar com calma e bem. Nem sempre isso é possível e ajuda bastante a manter a qualidade da obra", opina Daniel Ghivelder, diretor da trama, que tem direção geral de Edgard Miranda.

Prestes a estrear com sua primeira protagonista na tevê, Liliana Castro esbanja bom humor nos bastidores. Na novela de Marcílio Moraes, a atriz encarna a batalhadora Filomena, gerente da lanchonete que é o centro do "agito" na cidade. Apaixonada pelo mocinho Tito, personagem de Ângelo Paes Leme, a jovem sofre com um pai alcoólatra, vivido por Taumaturgo Ferreira, e por um terrível mau gosto para se produzir. Por isso, recorre às amigas como conselheiras. "A Filó é toda troncha. A maior graça deste trabalho é viver uma jovem muito sem graça. O cabelo não é arrumado e as roupas sempre ficam horríveis nela", adianta Liliana, mesclando os comentários com risadas, mas garantindo que, no futuro, uma virada deve deixar sua personagem mais refinada.

O figurino de Filomena é marcado por muitas peças com tamanhos bem maiores que os da intérprete Liliana. "São roupas bonitas. Mas, combinadas da forma que são apresentadas, não dão certo", analisa a atriz que, quando está caracterizada, provoca muitas gargalhadas nos bastidores. Na sequência, Filó comemora uma possível evolução na relação que sonha estabelecer com o mocinho Tito. Enquanto isso, Carmem comenta uma manchete sensacionalista publicada no jornal onde trabalha. Para encarnar uma estagiária de jornalismo, Carolina Bezerra fez laboratório na publicação evangélica "Folha universal". "Fiquei três dias observando a rotina de trabalho. Participei das reuniões de pauta e vi o empenho dos jornalistas para conseguirem uma boa matéria", valoriza Carolina, enquanto faz piada sobre a roupa que Liliana veste antes de entrar em cena. "Essa nem é tão ruim. Só tinham de comprar a ‘P’ no lugar da ‘GG’", brinca.

Além de Filomena, outra personagem disputa a atenção do aventureiro Tito na história. Karina, vivida por Juliana Baroni, é uma dondoca que pouco tem em comum com o namorado. Mas nem por isso abre mão da relação. Além de Liliana e Juliana, o trio de protagonistas femininas se fecha em Bianca Rinaldi, que encarna a executiva Arminda. "Uma das coisas mais legais do texto é que, como são poucos personagens, o Marcílio Moraes consegue explorar e dar espaço para todos", analisa Liliana.

A tranquilidade de Ribeirão do tempo se desfaz depois que a misteriosa Madame Durrel, de Jacqueline Laurence, decide investir na construção de um resort. Uma iniciativa que não só prejudica Tito, dono de uma empresa especializada em esportes radicais e que precisa da natureza local para manter seu negócio, como outros personagens. Ellen, por exemplo, é uma ambientalista que dirige uma ONG voltada para a proteção dos animais. "Esse projeto turístico afeta muitos núcleos e movimenta toda a história. Com direito a muitos mistérios", antecipa Aline Borges.

Frequentemente usado na dramaturgia, o mistério do "quem matou" vai ser utilizado mais uma vez. Já nas primeiras cenas de "Ribeirão do tempo", Dirce, mulher do professor Flores, de Antônio Grassi, é morta aparentemente sem motivos e sem que se saiba quem é o assassino. A partir daí, outros personagens da novela começam a ser eliminados. A direção, por enquanto, jura não saber quem é o assassino. "Não sei nem se o Marcílio, que é quem escreve o texto, já definiu isso. Trabalhamos com a hipótese de qualquer um ser o responsável, sem direcionar suspeitas para ninguém especificamente", afirma Daniel.

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