Política

motoristas e cobradores

Classe poderá ter intervalo fracionado

Classe poderá ter intervalo fracionado

agência senado

06/06/2011 - 18h30
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A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) analisa na próxima quarta-feira (8) a possibilidade de fracionamento do horário de descanso e de alimentação dos condutores e cobradores no transporte coletivo urbano de passageiros, desde que previsto em convenção ou acordo coletivo de trabalho. A proposta terá decisão terminativa na comissão e, se aprovada, seguirá para análise da Câmara.

De acordo com o texto, o benefício do fracionamento será incluído na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e abrangerá também os demais empregados em empresas de transporte público coletivo de característica urbana e metropolitana.

O artigo 71 dessa norma já dispõe que em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda seis horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder a duas horas. Prevê ainda que, não excedendo seis horas de trabalho, será, entretanto, obrigatório um intervalo de 15 minutos quanto a duração ultrapassar quatro horas.

Pelo projeto (PLS 43/2011), de autoria do senador Clésio Andrade (PR-MG), um novo dispositivo é acrescentado a esse artigo, para prever que o intervalo expresso na CLT poderá ser fracionado, quando compreendido entre o término da primeira hora trabalhada e o início da última hora trabalhada, mantida a mesma remuneração e concedidos intervalos para descanso menores e fracionados ao final de cada viagem.

Segundo justifica Clésio, o transporte rodoviário urbano não acompanhou as mudanças de hábitos dos seus usuários ocorridas nos últimos tempos, tais como a forte concentração e deslocamento nos horários de pico - das 6h às 9h e das 17h às 20h -. Conforme argumenta, os problemas de congestionamento e as condições imprevisíveis de tráfego, principalmente nos grandes centros urbanos, acabam "impossibilitando o cumprimento da legislação vigente sobre o intervalo intrajornada".

Para o relator, senador Armando Monteiro (PTB-PE), que apresentou voto pela aprovação da matéria, a jornada de trabalho de motoristas e cobradores não pode observar parâmetros muito rígidos de intervalo, "pois o fluxo de trânsito não é homogêneo e linear, bem como as condições das vias urbanas são irregulares e os problemas mecânicos podem retardar ou interromper a viagem".

Política

Oposição protocola requerimento de CPMI do Banco Master

O requerimento tem o apoio de 238 deputados e 42 senadores, majoritariamente da oposição

03/02/2026 19h00

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta terça-feira, 3, um requerimento de instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, que reúne deputados e senadores.

Esse requerimento, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), tem o apoio de 238 deputados e 42 senadores, majoritariamente da oposição. Apenas um petista, o senador Fabiano Contarato (ES), é subscritor do requerimento.

A CPI tem como foco, aponta Jordy, apurar fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master, estimadas em mais de R$ 12,2 bilhões, a constituição de fundos e ativos supostamente inexistentes, a falsificação de contratos e manipulação contábil, bem como a tentativa de transferência de passivos a instituição financeira estatal, caso do Banco de Brasília (BRB), com potenciais danos ao patrimônio público.

"Esse caso deixa a Lava Jato no chinelo. Temos esposa de ministro, que tem contrato milionário de R$ 129 milhões sem ter nenhum registro de sua atuação no Banco Central desse banco fraudulento, irmão de ministro dono de resort ligado a fundo ligado ao Banco Master", disse Jordy.

O deputado se refere a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A advogada manteve contrato de prestação de serviços advocatícios de elevado valor econômico com o Banco Master, conforme informações do jornal O Globo.

A outra referência é ao ministro do STF Dias Toffoli, cujos irmãos foram sócios de um resort no Paraná. O pastor e empresário Fabiano Zettel - cunhado do banqueiro dono do Master, Daniel Vorcaro - é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro Toffoli, que é relator do caso no Supremo.

A CPI Mista também quer apurar omissão ou interferência de agentes públicos, autoridades e terceiros, inclusive no âmbito da regulação, supervisão e decisões do Banco Central, e demais conexões político-institucionais relacionadas aos fatos investigados.

"Esperamos que o presidente Davi Alcolumbre assuma o seu papel e faça a instalação da CPMI do Banco Master", disse o deputado, sobre o presidente do Congresso. Jordy também pede a quantia de R$ 200 mil para o funcionamento dos trabalhos da comissão.

O colegiado vem sendo o recurso usado pela oposição para garantir a instauração de comissões investigativas no Congresso Nacional. Isso porque uma CPI Mista dribla a fila de outros requerimentos de CPI na Câmara dos Deputados e no Senado. Esse argumento é tradicionalmente usado por governistas, lideranças partidárias do Centrão e pelos presidentes das duas Casa para barrar a instaurações de CPIs.

Esse caminho foi usado, por exemplo, para a formação da CPI do 8 de Janeiro e da CPI do INSS.

Como mostrou o Estadão, o governo se antecipou e protocolou sua própria CPI antes da oposição. Esse requerimento, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), foi feito na Câmara, e teve menos assinaturas: foram 201 deputados nesse caso

O requerimento de Rollemberg também tem como foco os R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB ao Master entre janeiro a junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões pelas carteiras falsas e mais R$ 5,5 bilhões de prêmio.

Veja a lista de quem assinou:

Deputados

Carlos Jordy (PL-RJ)

Luiz Carlos Motta (PL-SP)

Marcos Pollon (PL-MS)

Daniel Agrobom (PL-GO)

Nikolas Ferreira (PL-MG)

Ricardo Guidi (PL-SC)

Jefferson Campos (PL-SP)

Nelson Barbudo (PL-MT)

Giacobo (PL-PR)

Rosângela Reis (PL-MG)

Matheus Noronha (PL-CE)

Miguel Lombardi (PL-SP)

Fernando Rodolfo (PL-PE)

Soraya Santos (PL-RJ)

General Pazuello (PL-RJ)

Roberto Monteiro Pai (PL-RJ)

Adilson Barroso (PL-SP)

André Ferreira (PL-PE)

Paulo Freire Costa (PL-SP)

Missionário José Olimpio (PL-SP)

Mauricio Marcon (PL-RS)

Giovani Cherini (PL-RS)

Zé Trovão (PL-SC)

Zucco (PL-RS)

Any Ortiz (Cidadania-RS)

Luiz Lima (Novo-RJ)

Coronel Chrisóstomo (PL-RO)

Rosangela Moro (União-SP)

Pastor Eurico (PL-PE)

Kim Kataguiri (União-SP)

Coronel Fernanda (PL-MT)

Filipe Barros (PL-PR)

Marcio Alvino (PL-SP)

Adriana Ventura (Novo-SP)

Delegado Caveira (PL-PA)

Capitão Alden (PL-BA)

Sargento Fahur (PSD-PR)

Junio Amaral (PL-MG)

Cabo Gilberto Silva (PL-PB)

Carla Dickson (União-RN)

Pr. Marco Feliciano (PL-SP)

Daniel Freitas (PL-SC)

Alfredo Gaspar (União-AL)

Marcel van Hattem (Novo-RS)

Luisa Canziani (PSD-PR)

Rodolfo Nogueira (PL-MS)

Gilson Marques (Novo-SC)

Bia Kicis (PL-DF)

Dilceu Sperafico (PP-PR)

Sargento Gonçalves (PL-RN)

Felipe Becari (União-SP)

Evair Vieira de Melo (PP-ES)

Gustavo Gayer (PL-GO)

Osmar Terra (PL-RS)

Coronel Ulysses (União-AC)

Helio Lopes (PL-RJ)

José Medeiros (PL-MT)

Capitão Augusto (PL-SP)

Dr. Frederico (PRD-MG)

Rodrigo da Zaeli (PL-MT)

Gilvan da Federal (PL-ES)

Vermelho (PP-PR)

Danilo Forte (União-CE)

Domingos Sávio (PL-MG)

Zé Vitor (PL-MG)

Eli Borges (PL-TO)

Coronel Meira (PL-PE)

Joaquim Passarinho (PL-PA)

Pezenti (MDB-SC)

Diego Garcia (Republicanos-PR)

Pastor Diniz (União-RR)

Dr. Zacharias Calil (União-GO)

Aluisio Mendes (Republicanos-MA)

Coronel Assis (União-MT)

Bibo Nunes (PL-RS)

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)

Alberto Fraga (PL-DF)

Sanderson (PL-RS)

Capitão Alberto Neto (PL-AM)

Caroline de Toni (PL-SC)

Dr. Jaziel (PL-CE)

Reinhold Stephanes (PSD-PR)

Padovani (União-PR)

Filipe Martins (PL-TO)

Julia Zanatta (PL-SC)

Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)

Rosana Valle (PL-SP)

Allan Garcês (PP-MA)

Mendonça Filho (União-PE)

General Girão (PL-RN)

Emidinho Madeira (PL-MG)

Daniela Reinehr (PL-SC)

Messias Donato (Republicanos-ES)

Thiago Flores (Republicanos-RO)

Rodrigo Valadares (PL-SE)

André Fernandes (PL-CE)

Mauricio do Vôlei (PL-MG)

Mario Frias (PL-SP)

Pedro Lupion (Republicanos-PR)

Rodrigo Estacho (PSD-PR)

Eros Biondini (PL-MG)

Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO)

Delegado Palumbo (MDB-SP)

Sargento Portugal (Podemos-RJ)

Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG)

Delegado Éder Mauro (PL-PA)

Nicoletti (União-RR)

Clarissa Tércio (PP-PE)

Delegado Fabio Costa (PP-AL)

Geovania de Sá (PSDB-SC)

Franciane Bayer (Republicanos-RS)

Magda Mofatto (PRD-GO)

Guilherme Derrite (PP-SP)

Cobalchini (MDB-SC)

Amom Mandel (Cidadania-AM)

Rafael Fera (Podemos-RO)

Ana Paula Leão (PP-MG)

Tião Medeiros (PP-PR)

Fausto Jr. (União-AM)

Felipe Francischini (União-PR)

Gisela Simona (União-MT)

Pedro Westphalen (PP-RS)

Diego Andrade (PSD-MG)

Chris Tonietto (PL-RJ)

Paulo Litro (PSD-PR)

Duarte Jr. (PSB-MA)

Dayany Bittencourt (União-CE)

Vicentinho Júnior (PP-TO)

Daniel Trzeciak (PSDB-RS)

Marussa Boldrin (MDB-GO)

Amaro Neto (Republicanos-ES)

Pinheirinho (PP-MG)

Afonso Hamm (PP-RS)

Delegado Matheus Laiola (União-PR)

Alexandre Guimarães (MDB-TO)

Pauderney Avelino (União-AM)

Lucas Redecker (PSDB-RS)

Marcelo Moraes (PL-RS)

Luiz Fernando Vampiro (MDB-SC)

Luiz Nishimori (PSD-PR)

Delegada Ione (Avante-MG)

Raimundo Santos (PSD-PA)

Thiago de Joaldo (PP-SE)

Cristiane Lopes (União-RO)

Vitor Lippi (PSDB-SP)

Silvye Alves (União-GO)

Lêda Borges (PSDB-GO)

Fabio Schiochet (União-SC)

Delegado Marcelo Freitas (União-MG)

Ismael (PSD-SC)

Silvia Cristina (PP-RO)

Dr. Fernando Máximo (União-RO)

Roberto Duarte (Republicanos-AC)

Geraldo Mendes (União-PR)

Fábio Teruel (MDB-SP)

Ronaldo Nogueira (Republicanos-RS)

Carlos Sampaio (PSD-SP)

Célio Silveira (MDB-GO)

Weliton Prado (Solidariedade-MG)

Lucio Mosquini (MDB-RO)

Saulo Pedroso (PSD-SP)

Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG)

Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

Alceu Moreira (MDB-RS)

Marcos Tavares (PDT-RJ)

Delegado Bruno Lima (PP-SP)

Professor Alcides (PL-GO)

Dr. Luiz Ovando (PP-MS)

Célio Studart (PSD-CE)

Laura Carneiro (PSD-RJ)

Rafael Simões (União-MG)

Maurício Carvalho (União-RO)

Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS)

Hugo Leal (PSD-RJ)

Glaustin da Fokus (Podemos-GO)

Sergio Souza (MDB-PR)

Márcio Honaiser (PDT-MA)

Arnaldo Jardim (Cidadania-SP)

David Soares (União-SP)

Juarez Costa (MDB-MT)

Stefano Aguiar (PSD-MG)

Carlos Henrique Gaguim (União-TO)

Pompeo de Mattos (PDT-MS)

Josivaldo Jp (PSD-MA)

Jeferson Rodrigues (Republicanos-GO)

Samuel Viana (Republicanos-MG)

Eduardo Velloso (União-AC)

Greyce Elias (Avante-MG)

Tabata Amaral (PSB-SP)

Heitor Schuch (PSB-RS)

Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR)

Luciano Alves (PSD-PR)

Keniston Braga (MDB-PA)

Toninho Wandscheer (PP-PR)

Ricardo Barros (PP-PR)

Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP)

Lincoln Portela (PL-MG)

Renata Abreu (Podemos-SP)

Luciano Ducci (PSB-PR)

Sidney Leite (PSD-AM)

José Nelto (União-GO)

Ricardo Ayres (Republicanos-TO)

Lafayette de Andrada (Republicanos-MG)

Tiago Dimas (Podemos-TO)

Hildo Rocha (MDB-MA)

Beto Pereira (PSDB-MS)

Covatti Filho (PP-RS)

Antonio Andrade (Republicanos-TO)

Olival Marques (MDB-PA)

João Cury (MDB-SP)

Dr Flávio (PL-RJ)

Felipe Carreras (PSB-PE)

Júnior Ferrari (PSD-PA)

Maria Rosas (Republicanos-SP)

Alex Manente (Cidadania-SP)

Luiz Gastão (PSD-CE)

Rodrigo Gambale (Podemos-SP)

Paulo Folletto (PSB-ES)

Gabriel Mota (Republicanos-RR)

Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR)

Otoni de Paula (MDB-RJ)

Gilson Daniel (Podemos-ES)

Jonas Donizette (PSB-SP)

Fausto Pinato (PP-SP)

Túlio Gadêlha (Rede-PE)

Duda Salabert (PDT-MG)

Ricardo Abrão (União-RJ)

Da Vitoria (PP-ES)

Mauricio Neves (PP-SP)

Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)

Celso Russomanno (Republicanos-SP)

Rodrigo de Castro (União-RJ)

Pedro Paulo (PSD-RJ)

Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ)

Átila Lins (PSD-AM)

Caio Vianna (PSD-RJ)

Enfermeira Ana Paula (Podemos-CE)

Flávia Morais (PDT-GO)

Newton Cardoso Jr. (MDB-MG)

Senadores

Rogério Marinho (PL-RN)

Eduardo Girão (Novo-CE)

Cleitinho (Republicanos-MG)

Jorge Seif (PL-SC)

Damares Alves (Republicanos-DF)

Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)

Carlos Portinho (PL-RJ)

Luis Carlos Heinze (PP-RS)

Marcos do Val (Podemos-ES)

Magno Malta (PL-ES)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Marcio Bittar (PL-AC)

Izalci Lucas (PL-DF)

Jaime Bagattoli (PL-RO)

Plínio Valério (PSDB-AM)

Tereza Cristina (PP-MS)

Wellington Fagundes (PL-MT)

Esperidião Amin (PP-SC)

Ivete da Silveira (MDB-SC)

Alan Rick (União-AC)

Marcos Rogério (PL-RO)

Dr. Hiran (PP-RR)

Jayme Campos (União-MT)

Carlos Viana (Podemos-MG)

Wilder Morais (PL-GO)

Flávio Arns (PSB-PR)

Lucas Barreto (PSD-AP)

Hamilton Mourão (Republicanos-RS)

Sergio Moro (União-PR)

Alessandro Vieira (MDB-SE)

Eduardo Gomes (PL-TO)

Styvenson Valentim (PSDB-RN)

Zequinha Marinho (Podemos-PA)

Nelsinho Trad (PSD-MS)

Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)

Mecias de Jesus (Republicanos-RR)

Leila Barros (PDT-DF)

Eduardo Braga (MDB-AM)

Mara Gabrilli (PSD-SP)

Fabiano Contarato (PT-ES)

Fernando Dueire (MDB-PE)

Efraim Filho (União-PB)

Política

Desembargadora Jaceguara Dantas toma posse no Conselho Nacional de Justiça

Em 2022, foi nomeada desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, onde atuava

03/02/2026 18h30

Foto: Divulgação

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A desembargadora Jaceguara Dantas da Silva, então titular do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), tomou posse, na tarde desta terça-feira (3), em Brasília, como conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A magistrada passa a ocupar uma das cadeiras do órgão responsável pelo controle externo do Poder Judiciário no Brasil, representando Mato Grosso do Sul em uma das instâncias mais relevantes do sistema judicial brasileiro.

A solenidade foi conduzida pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, e contou ainda com a posse do juiz Fabio Francisco Esteves, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), além da recondução da advogada da União Daiane Nogueira de Lira para o biênio 2026–2027. O evento teve transmissão ao vivo pelo canal do CNJ no YouTube.

Durante o discurso de posse, Jaceguara Dantas relembrou sua trajetória pessoal e profissional até alcançar projeção nacional no Judiciário. Nascida em Guajará-Mirim (RO) e oriunda de família humilde, a magistrada, destacou que vivenciou desde cedo “os impactos do racismo, do preconceito e da discriminação”, antes de chegar a um “lugar de elevada honraria”.

“Carrego comigo os anseios e as esperanças de toda uma geração que busca romper as amarras de uma opressão estrutural, cujas consequências deletérias ainda repercutem em nossa sociedade. […] Vivemos em um país onde, no último ano, 1.470 mulheres foram mortas apenas por serem mulheres. Quatro mulheres morrem por dia em nosso país. E é necessário dar nome e cor a essa violência, pois, em razão do racismo estrutural que permeia nossa sociedade, as estatísticas evidenciam que as maiores vítimas são as mulheres negras, sobre as quais recai o peso da discriminação de gênero, de raça, com uma crueldade histórica e desproporcional. Essa lamentável estatística evidencia a barbárie pela qual transitamos atônitos”, afirmou.

Reconhecida nacionalmente por sua atuação no combate à violência contra a mulher, a desembargadora deve assumir a Ouvidoria da Mulher no CNJ. A expectativa é de que ela leve ao presidente do Conselho a proposta de nacionalização de iniciativas desenvolvidas em Mato Grosso do Sul que vêm apresentando resultados positivos no enfrentamento da violência doméstica e dos feminicídios.

Em entrevista ao Correio do Estado no fim de janeiro, Jaceguara citou avanços implementados no estado, muitos deles impulsionados por episódios marcantes, como o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, em fevereiro de 2025.

Sob sua coordenação, foram implantados mecanismos que ampliaram a eficiência da rede de proteção às mulheres, como o convênio entre o Tribunal de Justiça e a Polícia Militar para intimação de homens alvos de medidas protetivas, além do desenvolvimento de um sistema totalmente informatizado, com aplicativo que permite solicitar medidas protetivas e registrar denúncias de forma on-line.

No discurso, a magistrada também reforçou o compromisso com a escuta ativa, a cooperação institucional e a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

“Assumo, pois, com uma direção clara, integridade, transparência e eficiência. […] Minha conduta será pautada pela escuta e pela cooperação. Trabalharei para que a política de proteção às mulheres seja baseada em evidências e para que a equidade racial e de gênero se consolide. Com o mesmo vigor, assumo o compromisso de olhar atentamente para a realidade do sistema prisional, buscando contribuir mediante contínuo diálogo para a superação do estado em que se encontra o mesmo. Acredito que a segurança pública, ministro, e o respeito aos direitos inerentes à pessoa humana não são excludentes, mas faces da mesma justiça que a sociedade anseia”, declarou.

Os novos integrantes do Plenário do CNJ participam da 1ª Sessão Ordinária de 2026, marcada para o próximo dia 10 de fevereiro.

Perfil

Jaceguara Dantas da Silva é graduada, mestre e doutora em Direito. Formada pela Fucmat/UCDB, ingressou no Ministério Público de Mato Grosso do Sul em 1992, como promotora de Justiça. Em 2015, foi promovida a procuradora de Justiça, cargo que ocupou até 2022. Nesse período, atuou como diretora-geral da Escola Superior do Ministério Público de MS e integrou o Conselho Superior do Ministério Público.

Em 2022, foi nomeada desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Com atuação destacada na área de direitos humanos e no enfrentamento à violência doméstica, Jaceguara chega ao CNJ com a missão de fortalecer políticas de equidade de gênero e raça, além de contribuir para o aprimoramento do sistema de Justiça em âmbito nacional.

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