Sábado, 18 de Novembro de 2017

Cirurgião plástico é acusado de mutilar mais de cem mulheres

12 AGO 2010Por 07h:16
MICHELLE ROSSI

O médico Alexsandro de Souza, que teria realizado mais de 100 cirurgias plásticas malsucedidas em pacientes de cidades do sul de Mato Grosso do Sul, ignorou decisão do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado, que o suspendeu de exercer a medicina por seis meses, e continuou trabalhando. Diante da denúncia, o CRM tornou público o edital de Interdição Cautelar aplicado ao médico em 8 de maio de 2010, com objetivo de mostrar à sociedade que o profissional está suspenso de suas atividades e não deve atender nenhum paciente no prazo determinado. Contra o médico consta inclusive a acusação da morte de Cristiane Medina Dantas, 23 anos, em Fátima do Sul, no ano de 2008, depois de uma abdominoplastia (cirurgia para retirar gordura e pele em excesso da região abdominal).  
O médico tem registro no CRM em cirurgia-geral, mas vem atuando como cirurgião plástico há pelo menos 4 anos, de acordo com denúncias de pacientes. Teve uma clínica de estética em Fátima do Sul, fechada após a morte de Cristiane. Há relatos de que ele ainda atuou  como cirurgião plástico em Naviraí, Glória de Dourados e Juti, onde inclusive foi vice-prefeito eleito na chapa de Neri Compagnoni (PDT), em 2004.
Segundo informações que chegaram ao CRM, o médico Alexsandro estava atuando na cidade de Novo Horizonte do Sul e por isso foi penalizado com nota pública. “É uma decisão bastante grave esta do conselho. Serve de alerta para a sociedade saber que um médico, mesmo suspenso por conta de investigações que tramitam contra ele, continua trabalhando”, disse o responsável jurídico do conselho, André Borges. Além do caso da morte de Cristiane ainda correm mais duas sindicâncias no conselho, cujas denúncias não foram divulgadas pela entidade.  

Vítimas
Na Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, existem denúncias de 7 pessoas contra o médico Alexsandro de Souza: 3 mulheres são de Naviraí e 2 são de Fátima do Sul. A associação vai ingressar com ação de danos morais e materiais contra o médico e denunciá-lo na procuradoria do Ministério Público Federal nos próximos dias.
Entretanto, segundo o presidente da entidade, Valdemar Moraes de Souza, o número de mulheres mutiladas pelo médico passa de 100.  “Fui às cidades onde tivemos denúncias e também percorri a região sul do Estado. Seguramente esse número já passa de 100 mulheres. São muitas as denúncias, a maior parte delas é de cirurgias plásticas na região do abdômen (lipoaspiração e abdominoplastia) e dos seios (redução)”, relatou, informando que o número de denúncias formais ainda é pequeno porque as pacientes não querem se expor.
No entanto, depois da morte de Cristiane Medina Dantas, alguns casos começaram a aparecer. A jovem queria perder a gordura localizada na região abdominal depois de ter realizado um regime – passou de 112 quilos para 96. “Ela estava para se formar em Educação Física”, lembrou, chorando a irmã de Cristiane, Letícia Medina. Ela foi operada, liberada no dia seguinte, mas passou mal uma semana depois. “Procuramos o doutor Alex, ele disse que não tinha equipamentos para atender emergência e que iria transferí-la para Dourados, mas nem deu tempo pois ela morreu na clínica mesmo”, relatou a irmã da vítima.  
Noutro caso M.A.G., de 50 anos, também foi submetida a uma abdominoplastia com o médico em Naviraí. O caso está denunciado na Associação de Vítimas de Erros Médicos e dá conta de que depois da intervenção médica, M. está com várias sequelas. “Minha barriga está cheia de cicatrizes e um dos pontos até hoje inflama. Outro problema é o meu umbigo que praticamente não existe mais, ficou fechado depois da cirurgia”, declarou.
Segundo a paciente os resultados afetaram a estética e também sua saúde. “Ele esticou tanto a minha pele em determinados lugares que até hoje sinto dores, parece que a pele falta”, descreveu. M. procurou o médico por várias vezes para reparar os erros mas não conseguiu marcar a cirurgia. “Vou esperar esta história se resolver e procurar outro médico para solucionar o meu problema”, desabafou.

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