Segunda, 20 de Novembro de 2017

Ciro teme manobra de Lula para impedir sua candidatura

19 MAR 2010Por 06h:02
deputado Ciro Gomes (PSB-CE) teme que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atue nos estados em que o PSB mantém aliança com o PT para constranger seu partido a não lhe conceder a legenda para sua planejada candidatura à Presidência da República. Em entrevista ontem à tarde à TV Estadão, Ciro desautorizou as versões de que teria uma conversa definitiva sobre seu futuro político com Lula em março. “O Lula, pela delicadeza que ele me trata, pelo respeito que ele me tem, e é recíproco (...), ele não me pedirá jamais para eu não ser candidato”, disse o deputado. Questionado se haveria outras formas de o presidente fazê-lo ficar de fora do pleito, Ciro respondeu: “As outras formas podem ser muito cruéis. Por exemplo, constranger o partido a não me dar legenda”. O deputado refere-se aos diretórios estaduais do PSB, que trabalham pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em troca de uma aliança com o PT para o governo dos estados. Rio Grande do Norte e Sergipe vivem esse dilema. No Rio Grande do Norte, a governadora Wilma de Faria, do PSB, trabalha para emplacar a candidatura de seu vice, Iberê Ferreira de Souza, do mesmo partido, ao governo do Estado. Em Sergipe, o governador Marcelo Déda, do PT, que deve concorrer à reeleição, tem como vice Belivaldo Chagas Silva, do PSB. Ainda assim, Ciro garante ter, na legenda, o apoio necessário para concorrer. De todo modo, ele diz que aceitará a decisão do PSB sobre o lançamento de sua candidatura. Mas assegura que, se não for candidato a presidente, vai “parar” com a política. Ibope O deputado minimizou a importância da pesquisa CNI/ Ibope divulgada na quartafeira, em que sua candidatura parece não influenciar a definição do segundo turno. O levantamento vai no sentido oposto ao da tese, defendida por Ciro, de que sua candidatura seria um fator decisório para que Dilma leve a disputa para o segundo turno. “A candidatura existe para apresentar uma proposta, um projeto. Eu considero, sendo aliado do presidente Lula e amigo dele, um equívoco, que faz mal pro país, fazer das eleições gerais de 2010 um plebiscito despolitizado entre os amigos do Lula, nos quais eu me incluo, e os amigos do (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso. O Brasil não cabe nisso”, afirmou. Outro foco de críticas de Ciro é a aliança do PT com PMDB que, segundo ele, está “assentada em frouxidão moral”. “O Brasil precisa de alianças. A questão é como se organiza a aliança e para quê”, diz. “Se o objetivo é nomear gente sem qualificação moral, não se está fazendo uma boa aliança”, afirma. “A coalizão do PT com o PMDB na Câmara é escandalosa”, atacou.

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