Sábado, 18 de Novembro de 2017

Cigarro: apague esta chama

31 MAI 2010Por 08h:23
CRISTINA MEDEIROS

O Dia Mundial sem Tabaco é comemorado hoje com a finalidade de esclarecer a sociedade sobre os males no consumo do fumo, que atinge principalmente os pulmões – 2010 é Ano do Pulmão. O tabagismo é considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A entidade estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1,2 bilhão de pessoas (entre as quais, 200 milhões de mulheres), seja fumante. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam.
Enquanto nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o comportamento de fumar. O total de óbitos devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia.
Em Campo Grande, algumas ações contra o tabagismo serão promovidas hoje para a população, entre elas uma campanha do Proncor, que visa avaliar, por meio de testes, o nível de monóxido de carbono e de nicotina no organismo do fumante. Para participar, basta ir à unidade central (Rua Maracaju, 1.265), das 8h às 16h, onde também será oferecida a espirometria (teste do sopro) – todos gratuitamente.
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul promoverá, hoje e amanhã, o seminário “Informação para ação – a experiência de Mato Grosso do Sul”, no Hotel Jandaia. O evento pretende divulgar e sensibilizar as pessoas sobre os malefícios do tabagismo e riscos do fumante passivo, já que quem convive perto de fumantes tem 30% mais chance de desenvolver câncer se comparado a outras pessoas que não estão expostas à fumaça do cigarro.

Brasileiros
No Brasil, a incidência de tabagistas é maior entre homens e em capitais de regiões mais industrializadas. Estima-se que cerca de 200 mil mortes por ano são decorrentes do tabagismo. Destas, o maior número de óbitos é provocado por câncer de pulmão, por doenças cardiovasculares e cerebrovasculares (infarto e derrame), e por DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (leia box abaixo).
Além disso, os fumantes apresentam, em geral, menor resistência física, menor desempenho sexual, pior aparência, resultando em pior qualidade de vida. Pior ainda é saber que os fumantes passivos – adultos e crianças que convivem com os tabagistas em locais fechados – também terão alterados todos esses índices mesmo sem fumar um único cigarro.

Derivados
O problema não é apenas com o cigarro. Todos os derivados do tabaco que podem ser usados por meio de inalação (charuto, cachimbo, cigarro de palha etc.), aspiração (rapé) e mastigação (fumo de rolo) também são nocivos à saúde. Quando esses derivados são consumidos, são introduzidas no organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo nicotina (responsável pela dependência química), monóxido de carbono (o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis) e alcatrão, que é constituído por aproximadamente 48 substâncias pré-cancerígenas, como agrotóxicos e substâncias radioativas.
A nicotina, ao ser ingerida, produz alterações no sistema nervoso, modificando o estado emocional dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, a heroína e o álcool. Depois que atinge o cérebro, entre sete e nove segundos, ela libera várias substâncias (neurotransmissores) que são responsáveis por estimular a sensação do prazer, o que explica a satisfação do usuário ao fumar.
Com a ingestão contínua, o cérebro adapta-se e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início (dependência).

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