Quinta, 23 de Novembro de 2017

Cidade isolada e intrigada há 2 meses

21 MAR 2010Por 04h:45
Vias interditadas, pontes caídas, casas tomadas por rachaduras e uma cidade inteira praticamente isolada. Assim vivem há dois meses os cerca de 6 mil habitantes de Novo Horizonte do Sul, a 350 quilômetros de Campo Grande. Os estragos foram causados no dia 16 de janeiro, quando forte temporal atingiu o município. A população ainda considera mistério o fato de muitas residências estarem “afundando”. Muitos acham improvável que somente a precipitação de 300 milímetros tenha provocado tantos danos. Outros pensam até que aconteceu tremor de terra. O solo arenoso, propício a erosões, e construções malfeitas contribuíram para os estragos. Onze casas foram interditadas pela Defesa Civil e os moradores estão em acomodações provisórias nas casas de amigos e familiares. Alguns arriscaram ficar nas moradias, apesar do perigo de desabamento. No total, foram cerca de 200 residências que apresentaram danos na estrutura em todo o município. O cenário de caos e destruição continua com poucas alterações mesmo depois de dois meses do temporal, pois a prefeitura ainda depende de recursos federais e estaduais para os consertos. Explicações Moradores têm diversas opiniões sobre as causas de tantos estragos. São praticamente unânimes em afirmar que não foi somente a chuva. O agente de saúde João Adriano Prianti acha que houve tremor de terra durante o temporal. “A quantidade de chuva foi muito grande, mas não sei se seria suficiente para estragar tantas casas e causar tantos estragos na cidade. Na minha opinião, pode ter ocorrido um tremor de terra, mas disseram que não registraram nada”, afirma. João teve a casa, localizada na Rua São Vicente de Paula, interditada pela Defesa Civil. Agora, ele mora em cômodo nos fundos de uma igreja evangélica junto com a esposa e os filhos, de 11 e 7 anos de idade. “A parede da casa deslocou e abriram rachaduras enormes. O quarto dos meus filhos foi o mais atingido e hoje não temos mais condições de voltar para casa”, diz. Ele conta que investiu R$ 25 mil na moradia, que foi construída há cinco anos. A dona de casa Maria Bernardete Vilar, 45 anos, também considera estranho o que aconteceu. “Muita gente acha que foi um tremor de terra. Não tenho certeza, mas já moro aqui (Novo Horizonte) há 23 anos e tivemos outras chuvas fortes, mas nunca aconteceram estragos deste tipo. Tem gente também que fala do tipo de solo”, afirma. Ela reside na mesma casa há 18 anos e só teve de fazer uma reforma no imóvel. Agora, o local ficou cheio de rachaduras e foi interditado pela Defesa Civil, mas ela e o marido recusaram-se a sair. “Um engenheiro veio analisar se a casa foi bem construída. Fez buraco na lateral do piso para ver a sapata (parte inferior do alicerce), mas disse que não havia problemas com a construção. Acho que todos os moradores gostariam de saber por que esses estragos aconteceram”, diz Maria. Outras possibilidades O aposentado Antônio Gonçalves Valter, 68 anos, chegou a sair de casa logo nos primeiros dias depois do temporal, mas decidiu voltar, apesar das fendas abertas na casa. Ele conta que estava dormindo durante o temporal. “Estava deitado na cama e de repente senti toda a casa tremendo, como se tivessem dado uma paulada muito forte na parede. Quando vi, tinha aberto buraco que vai do chão até a parede”, afirma. Antônio acredita que os estragos tenham sido causados por causa da forte chuva. “Foi um temporal muito forte e como já estava chovendo há dias o solo estava encharcado”, afirma. Já na opinião do lavrador Ciro de Paula Santos, 45, os estragos foram “recado de Deus”. A casa dele teve uma rachadura, mas o reparo já foi feito. “O tremor serviu para mostrar o poder de Deus. Ele dá um recado que as pessoas protejam a natureza”, comenta.

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