Suspeito foi preso em flagrante após confessar o crime, que teria sido motivado por ciúmes. Com o caso, Mato Grosso do Sul registra o 21º feminicídio de 2026.
Uma jovem de 22 anos foi assassinada na manhã desta quarta-feira (5) na Aldeia Indígena Arroyo Corá, localizada no município de Paranhos, na região sul de Mato Grosso do Sul. A vítima, identificada como Adriana Barrios, foi morta com golpes de facão, e o principal suspeito é o companheiro dela, Denilson Ramires Medina, de 27 anos, preso em flagrante poucas horas após o crime.
O caso eleva para 21 o número de feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul em 2026, reforçando o cenário de violência letal contra mulheres no Estado.
De acordo com as informações apuradas pela Polícia Civil, a ocorrência foi comunicada às autoridades pelo capitão da comunidade indígena, que acionou as forças de segurança após tomar conhecimento do homicídio.
Quando chegaram ao imóvel onde o casal morava, policiais encontraram Adriana já sem sinais vitais. O local foi imediatamente isolado para o trabalho da perícia, enquanto equipes iniciaram buscas pelo suspeito.
Pouco tempo depois, Denilson Ramires Medina foi localizado e detido por policiais militares. Ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, onde permaneceu à disposição da Justiça.
Segundo o delegado Leonardo Goulart, responsável pelas investigações, o crime foi cometido com um facão. Em depoimento preliminar, o suspeito afirmou que matou a companheira por ciúmes, alegando desconfiar de um suposto relacionamento extraconjugal da vítima.
A versão apresentada, no entanto, será confrontada com os demais elementos reunidos durante a investigação.
A perícia criminal realizou os levantamentos técnicos na residência e constatou que Adriana apresentava diversas lesões provocadas por instrumento perfurocortante.
O facão apontado como arma do crime foi apreendido e será submetido a exames periciais que poderão auxiliar na reconstituição da dinâmica dos fatos.
Após a conclusão dos primeiros procedimentos, Denilson foi autuado em flagrante pelo crime de *feminicídio*, cuja pena foi endurecida pela legislação brasileira nos últimos anos. O inquérito segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do assassinato.
Mato Grosso do Sul chega ao 21º feminicídio do ano
A morte de Adriana Barrios amplia uma estatística que preocupa autoridades e entidades de proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) contabilizavam, até o dia 2 de agosto, 20 vítimas de feminicídio em 2026.
Com o assassinato de Adriana, registrado nesta quarta-feira (5), o Estado passa a somar 21 vítimas neste ano, mantendo um dos maiores índices proporcionais desse tipo de crime no país.
As 21 vítimas de feminicídio registradas em Mato Grosso do Sul em 2026
- Josefa dos Santos - 16 de janeiro
- Rosana Candia Ohara - 24 de janeiro
- Nilza de Almeida Lima - 22 de fevereiro
- Beatriz Benevides da Silva - 25 de fevereiro
- Liliane de Souza Bonfim Duarte - 6 de março
- Leise Aparecida Cruz - 7 de março
- Ereni Benites - 8 de março
- Fátima Aparecida da Silva - 23 de março
- Marlene de Brito Rodrigues - 6 de abril
- Vera Lúcia da Silva - 13 de abril
- Zelita Rodrigues de Souza - 30 de abril
- Kelly Laura -15 de maio
- Fabíola Marcotti - 18 de maio
- Maria do Carmo - 28 de junho
- Paula de Souza Conceição - 11 de julho
- Rosenilda de Oliveira Candelário - 17 de julho
- Terezinha Nantes - 27 de julho
- Ana Carolina Goés - 31 de julho
- Adrielle Encarnação - 31 de julho
- Rose Batista Cabreira - 2 de agosto
- Adriana Barrios - 5 de agosto
Os casos ocorreram em diferentes municípios do Estado e, em sua maioria, tiveram como autores companheiros ou ex-companheiros das vítimas, evidenciando um padrão recorrente de violência doméstica que termina de forma trágica.
As autoridades reforçam que mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Casa da Mulher Brasileira, quando disponível, e pelo telefone 180, canal nacional de atendimento e orientação às vítimas.