Sexta, 24 de Novembro de 2017

Chuvas expõem falhas em obras antienchentes de R$ 30 milhões

15 MAR 2010Por 22h:45
Quase 20 dias depois de ter sofrido com a pior das inundações de toda a sua história, a cidade de Campo Grande ainda encontra-se pasma. Por uma razão simples: há dois anos, o prefeito Nelson Trad Filho anunciou investimentos da ordem de R$ 30 milhões para a execução de projeto que garantia o fim das cheias dos córregos Prosa e Sóter, bem como das inundações no trecho da Avenida Afonso Pena, ao lado do Shopping Campo Grande. No dia 27 de dezembro do ano passado, mais de ano após a inauguração das grandiosas obras, chuvas torrenciais demonstraram, de forma clara, que o projeto é de causar vergonha. Também no dia 27, só que desta vez de fevereiro deste ano, temporal de 88 milímetros teve resultados ainda piores: tudo veio abaixo. E, pelo leito do Córrego Prosa, escoaram-se não apenas muita água, mas também os R$ 30 milhões, gastos com muito alarde e placas que davam conta dos investimentos do Ministério das Cidades. Alguns poucos meses após a entrega de todo o projeto executado, vieram os primeiros sinais de que algo havia falhado, de forma muito grave. E foram necessárias novas e urgentes intervenções no cruzamento da Rua Paulo Coelho Machado (antiga Furnas) com a Avenida Afonso Pena. Pelo menos, mais dois milhões. Que também foram levados pelas últimas enxurradas. Tudo que foi feito — seguramente muito malfeito — de nada adiantou. E só piorou. Foi um verdadeiro desastre, com perdas ainda incalculáveis. A Rua Ceará desabou em parte. Grande trecho da Avenida Ricardo Brandão foi levada pelas enxurradas. Obras complementares, na mesma região, tiveram o mesmo fim: basta percorrer parte da avenida já restaurada (apenas uma via, no sentido centro-bairro) para constatar mais essa triste realidade. De quem é a culpa? Para o prefeito Trad Filho, foi a chuva que somou apenas 88 milímetros, bem como o assoreamento do lago do Parque das Nações. O autor do projeto (?) e os secretários do setor foram inocentados. Certamente, a culpa ficou para os campograndenses e São Pedro. Como sempre. Empreiteiros que trabalharam nas obras insistem que avisaram que o projeto era ineficiente. Mas não foram ouvidos. “Alertamos o secretário e o prefeito. Fizeram ouvidos moucos”, ressaltou um deles. Da última inundação até a viagem até Brasília, para pedir mais 42 milhões, o prefeito Nelson Trad Filho levou menos de uma semana. Tudo na base do mais puro “chutômetro”. Na Capital Federal, exigiram um projeto, que deverá estar concluído em, no máximo, 30 dias. O time da prefeitura está a dar palpites e a apresentar novas “soluções”. Uns, contradizendo aos outros. Ao que tudo indica, ninguém sabe, mesmo, de nada que se está falando. Bom para os empreiteiros. Péssimo para os campo-grandenses que terão, mais uma vez, que pagar a conta, caso ocorra novo (e provável) fracasso. Daqui a algum tempo, é provável que os R$ 30 milhões que rolaram Prosa abaixo, sejam somados aos R$ 42 milhões que estão querendo agora.

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