Quinta, 23 de Novembro de 2017

Churrasco solidário completa 40 anos

6 AGO 2010Por 18h:17
OSCAR ROCHA

Próximo de completar 70 anos no próximo ano, o Hospital São Julião, que marcou grande parte de sua história como referência no tratamento da hanseníase e que agora atende diferentes enfermidades também, passou ontem por outra data festiva, a 40ª edição do churrasco promovido pelo “Pessoal de Maracaju”. O evento, organizado pelo produtor rural Gerson Marcondes, 75 anos, transformou-se em tradição. Anualmente, Gerson, familiares, amigos e colaboradores, com alguns dias de antecedência,  iniciam os preparativos para oferecer almoço especial para cerca de 800 pessoas. Neste ano, foram consumidas perto de 70 arrobas de carne, que envolveram 13 pessoas no trabalho de preparação.
Gerson conta que a ideia do churrasco oferecido aos pacientes e funcionários surgiu dentro de um cursilho realizado na Igreja Católica, em Maracaju, no começo dos anos 1970. “Meu primo Nilton Marcondes, que participou comigo do cursilho, veio até Campo Grande, conheceu o hospital e falou da possibiilidade de fazer algo, já que os pacientes não tinham carne constantemente no cardápio. Assim nasceu o churrasco. Ele morreu em 1974 e eu continuei. No começo, muitas pessoas acharam que aceitei dar continuidade por promessa feita com emoção, mas, com o passar do tempo, perceberam que era algo que ia ficar”, enfatiza Gerson.
Outros integrantes da família do produtor, desde o primeiro momento, abraçaram a ação. “Lembro que no primeiro churrasco, eu tinha 11 anos”, conta o filho de Gerson, Gilson Marcondes, 51 anos. “Na época, era bem diferente, não tínhamos a estrutura de hoje. Fazíamos o churrasco no chão, improvisando bastante. Não importa as condições do tempo – chuva, neblina, sol –, sempre estamos aqui”, aponta Gilson.
A esposa de Gerson destaca que nos primeiros anos havia grande dificuldade nos preparativos devido à distância da fazenda da família até Maracaju. “Ficava mais complicado para pessoas se deslocarem para ajudar. Hoje, temos um chácara perto da cidade e isso facilitou muito”, destaca Armezinda Alves Marcondes.  
Atualmente, além dos filhos, os netos, e até o bisneto  do casal organizador, colaboram nos preparativos. “Meu bisneto ajuda cortando as coisas, somente não veio hoje porque está na escola”.
Gerson é enfático: todo trabalho feito ao longo dos anos foi recompensador diante do exemplos de vida com os quais entrou em contato. “Aprendi a valorizar as coisas que realmente são importantes, não ficar preocupado com as bobagens do cotidiano. Entrar em contato com essas pessoas tão fortes, que sofreram muito, foi uma lição para o dia a dia”.

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