Sexta, 17 de Novembro de 2017

Chile é sacudido antes da posse de Piñera

12 MAR 2010Por 08h:27
O bilionário conservador Sebastián Piñera tomou posse ontem como o 38º presidente do Chile, logo após dois fortes tremores. Ele recebeu a faixa presidencial na sede do Congresso chileno, na cidade de Valparaíso, a pouco mais de 100 km de Santiago, do presidente do Senado, Jorge Pizarro. Piñera, 60 anos, assume tendo como o principal desafio a reconstrução do país depois do tremor que 8.8 graus na escala Richter que devastou regiões inteiras no dia 27 de fevereiro. Doze dias após o tremor, o Chile ainda sofre com as réplicas. Duas réplicas do terremoto de 27 de fevereiro atingiram ontem a região central do Chile e causou tensão pouco antes da cerimônia de posse do presidente eleito, Sebastián Piñera. Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês), um dos tremores alcançou magnitude 7,2. Segundo testemunhas, os dois novos tremores foram sentidos com intervalo 17 minutos de um para o outro. Os tremores, sentidos com força em Santiago e no porto de Valparaíso, ocorreram pouco antes do meio dia. Autoridades demonstraram nervosismo quando o prédio tremeu. A Marinha do Chile emitiu um alerta de tsunami para a costa do país, mas suspendeu quatro horas depois. Depois de jurar o cargo no Congresso, Piñera foi aplaudido por todos os presentes na cerimônia, entre os quais havia vários autoridades estrangeiras. A execução do Hino Nacional chileno, cantado pelo público, selou a posse do novo presidente do Chile. Em seguida, a agora expresidente Michelle Bachelet deixou o salão em que aconteceu a posse acompanhada de seus ministros. Ovacionada, ela várias vezes parou para saudar as pessoas que se aproximavam para cumprimentá- la. Antes de ser empossado, Piñera cumprimentou os chefes de Estado e as personalidades internacionais convidadas, entre elas os presidentes de Peru, Equador, Uruguai, Paraguai, Argentina, Colômbia e Bolívia, além do herdeiro da Coroa espanhola, o príncipe Felipe de Borbón. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu ao evento. Reconstrução Os chilenos esperam que o novo presidente, um economista formado em Harvard, use sua renomada capacidade empresarial para ajudar o país, um dos mais estáveis da América Latina, a se recuperar da tragédia que matou centenas de pessoas. “Ele é um empresário... e é disso que precisamos agora. Alguém que possa criar empregos para os nossos filhos”, disse Carlos Fuentes, 47 anos, pescador que perdeu casa e barco na localidade de Curanipe após o terremoto de magnitude 8,8. “Ele pegou um emprego difícil”, comentou o pescador, desembaraçando sua rede com uma faca. O terremoto pouco abalou a mineração chilena, esteio da economia nacional, mas causou graves danos, na região centro-sul do país, à atividade vinícola, pesqueira e de produção de papel e celulose. Alguns analistas dizem que os prejuízos podem tirar até meio ponto percentual do crescimento econômico neste ano. O ex-senador Piñera fez fortuna com negócios no setor de cartões de crédito e com sua participação em uma companhia aérea. De acordo com a revista Forbes, ele é uma das pessoas mais ricas do mundo. Para financiar a reconstrução, o novo governo deve emitir títulos internacionais e aproveitar as reservas advindas da exportação de cobre. A transferência do poder da popular presidente socialista Michelle Bachelet para Piñera aconteceu numa austera cerimônia com tom menos festivo do que o habitual em respeito ao luto nacional. As autoridades já identificaram 497 mortos pelo terremoto e pelos tsunamis do dia 27 de fevereiro. O governo chegou a falar em 802 mortos, mas reduziu a cifra ao perceber que ela incluía por engano listas de desaparecidos.

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