Quarta, 22 de Novembro de 2017

Chamados à misericórdia

13 MAR 2010Por FREI VENILDO TREVIZAN07h:22
É difícil perdoar a quem errou, a quem causou algum prejuízo, ou algum dano. É difícil voltar a conviver harmoniosamente com pessoas que tenham agido dessa maneira. Mesmo sabendo que é humano errar, que todos podem errar e erram, mesmo assim há uma dificuldade profunda em aceitar. Quantas famílias vivem esse drama. É o homem que abandona sua família para aventurar um “novo” amor. É a mulher que em sua fraqueza, ou em sua insatisfação, trai uma longa, e às vezes tumultuada, convivência e sai em busca de algo diferente e que satisfaça seu ego e seus caprichos. E retornar? Como? E recomeçar? É difícil. Mesmo demonstrando arrependimento, é difícil haver perdão e reconciliação. O sentimento de sentir-se traído fala mais alto do que um ato de humildade em perdoar e acolher novamente. É uma ferida difícil de cicatrizar. A marca ficará. Não desaparecerá jamais. E o que dizer de tantos jovens que decidem abandonar a família e entrar no mundo das drogas, da prostituição, do alcoolismo e tantas outras violências? Esquecem que os anos de juventude são poucos e rápidos. Correm o risco de perder as melhores oportunidades e o mais fecundo tempo para realizar os mais preciosos sonhos de uma vida. Sabemos que existem muitos pais empenhados, dentro de suas limitações de conhecimentos e de tempo, em transmitir de boa vontade o melhor que possam no campo da educação e da formação. Sentem-se no direito e no dever de aconselhá-los em seus primeiros passos e em suas decisões. Não têm, porém, o poder de decidir por eles, ou convence-los a seguir esse ou aquele caminho. As decisões são pessoais. Mesmo se tomarem decisões erradas contrariando o pensar dos pais, essas deverão ser respeitadas. O Mestre dos mestres apresenta uma parábola que ilustra muito bem essa situação e como o pai soube respeitar o filho que lhe apresentara uma decisão até certo ponto surpreendente: “Pai, da-me a parte da herança que me cabe” (Lc.15,12). E o pai sem questionar dividiu os bens e lhe deu a parte que lhe cabia. O bem maior, que é a liberdade, tem o amparo do amor que é misericordioso. Desaparece o autoritarismo que interpela para dar lugar à bondade de um coração que se recolhe no silêncio de uma espera sem data marcada, mas acreditando que seja de retorno, como realmente aconteceu. Aquilo que empolgou o jovem em saborear aventuras e festas se transformou em desencanto e decepção. A busca de prazeres, de drogas, de falsos amigos acabou provocando náuseas. Pois as aventuras não satisfazem. Os prazeres não preenchem. O vazio permanece. A insatisfação aumenta. E a solidão amordaça a alma. Feliz o jovem que se lembra do quanto perdera ao aventurar uma vida dessas. Feliz o jovem que reencontra as forças, a humildade e a confiança. E retorna à vida digna e saudável. E retorna à fé reassumindo sua confiança no Deus da misericórdia e do perdão, no Deus que é todo amor e todo ternura.

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