Após a confirmação de um caso de morte provocada pela gripe Influenza A (H1N1) em Corumbá, clínicas particulares têm recebido uma procura muito grande de pessoas que buscam a vacina contra a doença. Neste sábado (15), uma clínica e uma escola cederam seus espaços para equipes que vieram de Campo Grande oferecer a vacina ao custo de R$ 100 a dose.
Os especialistas afirmam que o que se deve observar é a composição da vacina, que muda a cada ano. Conforme determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para 2014, as vacinas trivalentes e quadrivalentes, utilizadas na prevenção ao vírus influenza, devem conter três tipos de cepas.
As vacinas trivalentes devem conter amostras do vírus encontrado nos estados norte-americanos da Califórnia (influenza A), Texas (influenza A) e Massachussetts (influenza B). As vacinas quadrivalentes devem conter as amostras já citadas, mais a cepa do vírus influenza B encontrado em Brisbane. Segunda a Anvisa, somente podem ser produzidas, comercializadas ou utilizadas as vacinas influenza que estiverem de acordo com estas determinações, sendo proibida a utilização de quaisquer outras cepas de vírus em vacinas da gripe no país.
A reportagem do Diário Corumbaense foi até os dois locais que ofereciam a imunização na manhã deste sábado. A entrada da equipe não foi permitida na clínica particular, localizada na rua Colombo. Já na escola particular que cedeu espaço, a reportagem foi atendida pela médica Maristela Vargas Peixoto, que veio da Capital.
“A eficácia para o vírus é de praticamente 100%. O que as pessoas têm que diferenciar é a gripe do resfriado, sendo que o resfriado é quando a pessoa fica com o nariz escorrendo, um pouco de dor no corpo e febrícula e gripe, deixa você acamado, com febre alta, congestão pulmonar e pode até levar à morte. Essa vacina previne contra gripe H1N1, e oferecemos a que está sendo usada em 2014, porque todo ano mudam as cepas da vacina, que estimula a produção de anticorpos contra 3 vírus. Estamos com uma vacina nova, diferente da de 2013”, reforçou.
Foram disponibilizadas duas mil doses, o que provocou grandes filas na porta da escola. A imunização começou às 10h, mas desde às 07h a procura já era grande. “Estou na fila desde as 07 da manhã. Minha família fez uma pré-reserva para garantirmos a vacinação. Estamos nos prevenindo depois desse caso confirmado do H1n1”, disse ao Diário, Andréia de Moura.
Já Patrícia Gomes de Castro Moraes levou os filhos para serem imunizados. “Nós ficamos preocupados e uma forma de proteção é a vacina. Pagamos o valor de cem reais, que é um absurdo, pois deveria ser para a população toda de graça, mas em primeiro lugar a saúde, principalmente dos nossos filhos”, frisou.
No entanto, o médico Manoel João de Oliveira, chefe do Centro de Tratamento Intensivo do Hospital de Corumbá, reforçou que não há surto ou epidemia na cidade e nem indicativo de vacinação em massa. “Isso o infectologista Rivaldo Venâncio já deixou muito claro. Até mesmo a clínica da qual sou sócio, está vendendo a vacina e sou contra essa situação. O importante é conscientizar as pessoas sobre a higienização e prevenção do que incitá-las a correr para tomar vacina”, declarou.
A vacina contra a gripe não tem efeito imediato, a proteção começa a existir aproximadamente após duas semanas (15 dias) da administração, prolongando-se por cerca de um ano. Os efeitos colaterais mais comuns são: dor local, febre baixa e mal-estar nas primeiras 48 horas após a aplicação.
Campanha Nacional
A Secretaria Municipal de Saúde não solicitou a antecipação da campanha nacional de vacinação e nem a ampliação das faixas etárias de pessoas que devem tomar a vacina na rede pública porque não há uma ocorrência de emergência para sensibilizar o Ministério da Saúde, que é o órgão que envia o medicamento, para mandar doses extras ao município. A secretária Dinaci Ranzi, informou que as vacinas vão chegar ao município no dia 10 de abril.
Na campanha, a prioridade é para idosos com mais de 60 anos, crianças de seis meses a dois anos, indígenas, gestantes, mulheres no período de até 45 dias após o parto (em puerpério), profissionais de saúde, além das pessoas que têm doenças crônicas do pulmão, coração, fígado, rim, diabetes, imunossupressão e transplantados.
Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube


