Domingo, 19 de Novembro de 2017

Cem anos sempre alerta!

19 ABR 2010Por 07h:18
THIAGO ANDRADE

O que têm em comum o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o escritor Fernando Sabino, a atriz Marieta Severo e o cineasta norte-americano Steven Spielberg? Todos foram escoteiros quando jovens. Neste ano, a instituição comemora seu centenário no Brasil e grupos do País inteiro preparam-se para as festividades. Além dos cem anos, os escoteiros de todo o mundo comemoram, na próxima sexta-feira (23), o Dia Mundial do Escotismo. Na Capital, o Horto Florestal receberá os grupos no sábado, para mostrar suas técnicas e o trabalho que desenvolvem. Criado na Inglaterra, com o primeiro acampamento sendo realizado em 1907 pelo general Robert S. S. Baden-Powell, o escotismo chegou ao Brasil por meio da Marinha de Guerra, três anos depois. 

“Os objetivos permanecem os mesmos, ou seja, continuamos trabalhando para que os jovens tornem-se pessoas de caráter íntegro, sempre dispostos a ajudar o próximo”, explica o vice-presidente regional e chefe do grupo Olavo Bilac, Gianpaulo Estrazulas.
O escotismo pode ser definido como uma forma de educação complementar, que atua junto à escola e à família. Alguns dos lemas da instituição são estar sempre alerta e aprender fazendo. Gianpaulo explica: “Todas as atividades propostas têm um fundo lúdico, mas é por meio delas que valores como responsabilidade, honestidade e lealdade são incutidos”. A metodologia utilizada é a mesma criada na primeira década do século passado.
O grupo de Gianpaulo, Olavo Bilac, é o mais antigo de Campo Grande, criado em meados da década de 1960. Atualmente, existem outros nove na Capital, que se reúnem em diversos pontos da cidade. Para participar, basta ir até o grupo e conversar com o chefe. O interessado pode participar de três encontros para decidir se deseja permanecer ou não. Depois disso, deve pagar a taxa de anuidade da União dos Escoteiros do Brasil, que lhe confere a carteirinha oficial, além de um seguro para casos de acidentes.

Organização
Qualquer grupo de escoteiros é dividido em ramos separados pela faixa etária dos participantes: entre 7 e 10 anos são lobinhos; dos 11 aos 14, escoteiros; dos 15 aos 17 anos, sênior e, dos 18 aos 21 anos, são pioneiros – pessoas de  idades subsequentes tornam-se chefes. Nestes ramos, as atividades são coordenadas por chefes, que podem sugerir desde jogos à montagem de utensílios, como mesas confeccionadas a partir de galhos ou bambu, além de outras práticas que os auxiliarão em acampamentos.
“As reuniões semanais são, em geral, preparações para o que faremos nos acampamentos, que acontecem de acordo com a disponibilidade dos grupos”, detalha Rogério Vieira de Lima, chefe do grupo Padre Heitor Castoldi. No último sábado, os escoteiros do grupo, que se reúne semanalmente no Parque das Nações Indígenas, montaram uma mesa com fogão suspenso, com bambu recolhido pelo parque. Outros grupos realizaram atividades como organização de alimentos recolhidos – no caso dos lobinhos – e provas de orientação na mata, com os seniores.

Em forma
Ao som do apito do chefe Rogério, todos os jovens abandonam o que estão fazendo e se colocam em forma. Gritos de guerra e cumprimentos característicos são comuns nos encontros. Os uniformes, repletos de medalhas e insígnias, além dos lenços que simbolizam os grupos, também são utilizados. “Gosto bastante disso, é bem organizado e os jogos sempre são divertidos”, conta a escoteira Paola Freitas, de 12 anos, do grupo Lobo Guará (recentemente, as mulheres deixaram de ser denominadas como Bandeirante, acabando com a distinção entre meninos e meninas).

Princípios
Disciplina é um ponto importante dentro do escotismo. Embora a rigidez não seja tão grande quanto no militarismo, as crianças e adolescentes pedem permissões a todo  momento e sabem de cor as orações e frases de efeito que devem ser ditas em determinadas situações. “Procuramos fazê-los entender que o que vivenciam aqui deve ser praticado em todos os lugares”, lembra Rogério.
Os escoteiros devem seguir um código de conduta fixado por leis, chamado de Lei Escoteira. São dez itens, que procuram guiar os jovens para uma vida sadia e correta. “São coisas simples como ser cortês, ser alegre, ser leal, respeitar a natureza, ter palavra. Cada escoteiro deve levá-las no coração e sempre se perguntar se suas atitudes condizem com elas”, pontua o chefe.

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