Sábado, 18 de Novembro de 2017

Catalão escreve sobre a dissolução do autor

28 FEV 2010Por 05h:00
O escritor catalão Enrique Vila-Matas é hoje o nome de maior visibilidade da literatura espanhola, graças, paradoxalmente, à antiga mania de desaparecer. Aos 62 anos, o ficcionista tem seu premiado livro “Doutor Pasavento” lançado pela Cosac Naify, editora que publicou cinco outros títulos seus estreitamente ligados a esse tema da dissolução do autor em sua obra, a começar pelo último, em que Vila-Matas elege como “herói moral” o escritor suíço Robert Walser (1878-1956). Ele é autor de nove romances, dos quais o mais célebre, “Jakob van Gunten”, fala de um jovem de ascendência nobre que decide dedicar sua vida a servir humildemente o próximo. Walser morreu aos 78 anos, congelado, na neve, após fugir de um hospital psiquiátrico, onde passou os últimos anos escrevendo em letras minúsculas – invisíveis. Walser foi redescoberto após sua morte. Elias Canetti condenava os que se aproveitaram de sua literatura para autopromoção. Não é o caso de Vila-Matas. Em “Doutor Pasavento”, ele fala de um romancista que, para não ir a um encontro em Sevilha, desaparece sem deixar rastro. Vila-Matas diz que esse desaparecimento é mais que um comentário sobre a mania de escritores se refugiarem em altas torres. Ele mesmo foi convidado para participar de um congresso literário à meia-noite, numa montanha dos Alpes, onde o esperavam 30 alemães. Vila- Matas considerou o convite insólito e desistiu. Preocupado com o destino da literatura, ele acaba de publicar na Europa um livro cujo protagonista é um editor desencantado. “Dublinesca” será lançado em setembro também pela Cosac Naify.

Leia Também