Casamento entre primos ainda gera dúvidas em relação a filhos

UOL30 de Novembro de 2010 | 12h50
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Os primos Josiane Crukoski, 28 anos, e Emerson Lopata Tuchinski, 30 anos, foram criados brincando juntos na casa da avó nas férias. Nunca imaginaram que um dia um se apaixonaria pelo outro. Mas aconteceu. Depois de relacionamentos anteriores, em que ambos tiveram filhos, eles se reencontraram e foram ficando mais próximos até que veio o primeiro beijo. Mas, na pequena Lapa, no interior do Paraná, o tabu falou mais alto, e o casal namorou escondido durante um ano. “Tínhamos medo da família de ambos por sermos primos de primeiro grau”, conta Josiane.

A situação também é vivida pelos personagens Fátima (Bianca Bin) e Sinval (Kayky Brito) na novela “Passione”, da TV Globo, que coloca em pauta um assunto que ainda hoje é cercado de preconceitos para muitas famílias brasileiras. A discussão gira em torno dos riscos de doenças em filhos de casais consanguíneos, como é o caso do casal da trama: eles são primos-irmãos e pretendem se casar. “Nós dois também pensávamos que não haveria chance de termos filhos normais”, confessa Josiane.

Antigamente, acreditava-se que filhos gerados por primos em primeiro grau teriam grande probabilidade de nascer com graves problemas de saúde. Mas não é bem assim. De acordo com uma pesquisa do Conselho Nacional da Sociedade de Genética dos Estados Unidos, publicada em 2002, esse risco é de 3% nos casos sem consanguinidade, enquanto que nos casos de união entre primos o risco sobe para 6%. Isso significa que os casais sem parentesco têm 97% de chance de não ter filhos com problemas e os casais de primos, 94% de nada anormal acontecer com seus herdeiros.

“Mas, em famílias com casos de doenças hereditárias, como as que levam a problemas neurológicos ou à surdez, os riscos crescem muito”, alerta o geneticista Salmo Raskin, diretor da Sociedade Brasileira de Genética Médica, de Curitiba (PR).

Por essa razão, o especialista afirma que o casal que passa por essa situação deve fazer um aconselhamento genético com um médico geneticista. Nesta consulta, o profissional vai investigar três gerações do casal para tentar identificar se existem casos de doença hereditária evidente na família de cada um. Se existirem casos, é feito um teste para o gene da doença específica e, a partir do resultado, é possível saber a probabilidade de o filho nascer com o problema.

Casos

Hoje, Josiane e Emerson são recém-casados, mas tranquilos com a questão do parentesco. Eles consultaram um geneticista, que tirou todas as dúvidas e constatou que na família não há casos de doenças hereditárias, o que faz o casal planejar mais filhos para o futuro.

Ednea Aparecida Palma Rocha, 51 anos, de São Paulo, é casada há 29 e mãe de três filhos. Ela e seu marido, José Carlos Rocha, 49 anos, são primos de primeiro e quinto graus. Após dois anos de casamento, ela teve um aborto espontâneo, o que preocupou o casal. Apesar de terem feito os exames pré-nupciais, eles resolveram que o estudo genético seria adequado para eliminar dúvidas quanto a problemas com os futuros filhos. Sua médica deu o aval e três anos depois nasceu Gabriel, hoje com 25 anos, que já tem um filho de 7 meses. Em seguida veio Bruna, agora com 22 anos. Onze anos depois Ednea engravidou sem planejar e nasceu Julia, hoje com 11 anos. “Fiquei com medo, mas deu tudo certo, assim como em outros casos de união entre primos na minha família”, diz.

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