Cidades

MEIO AMBIENTE

Capital precisa remover 20% das cerca de 153 mil árvores plantadas

Capital precisa remover 20% das cerca de 153 mil árvores plantadas

EVELIN ARAUJO

04/07/2011 - 00h02
Continue lendo...

Com crescimento rápido ou lento, as árvores rumam sempre em direção ao céu - e à fiação elétrica, quando estão nas calçadas. Por estarem velhas, ocas ou doentes, assim como prejudicando a rede de energia, 20% das cerca de 153 mil árvores que crescem em Campo Grande precisam ser removidas, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur). 

Com 74 metros quadrados de cobertura verde por habitante, uma das capitais brasileiras com os maiores índices de vegetação em área urbana, como Maringá (PR) e Porto Alegre (RS), a Capital precisa de um novo Plano Diretor de Arborização, para gerenciar o crescimento da cidade e modernizar as técnicas de cultivo de árvores nativas, que deverá ser aprovado pela Câmara Municipal em setembro deste ano, na Semana da Árvore, conforme informou o secretário da Semadur, Marcos Cristaldo, ao Portal Correio do Estado

O novo Plano Diretor deverá normatizar até que tipo de árvore será plantada e em que região da cidade. "Nenhuma árvore será plantada em Campo Grande e não será catalogada, porque nós precisamos desse controle", relata Cristaldo. 

A preocupação da Semadur é evitar principalmente o desperdício de mudas e os transtornos futuros que um plantio incorreto pode acarretar. "A gente distribuía mudas para a população e, por muitas vezes, elas morriam porque não era nativas e não se adaptavam ao nosso tipo de solo. Outras vezes, a gente dá um ipê para o cidadão e ele acaba plantando-o na calçada, atrapalhando a mobilidade das pessoas e interferindo na fiação elétrica da rede de energia, quando ela cresce demais e a alcança", explica o secretário. 

Para isso, deverão ser distribuídas plantas nativas, excepcionalmente as árvores frutíferas nativas. "O viveiro municipal já trabalha para isso, cultivando cerca de 70 mil mudas frutíferas. O plano diretor prevê também as campanhas de distribuição com planejamento ambiental, onde profissionais da prefeitura serão capacitados para orientar a população sobre o plantio", esclarece. 

Via verde

O projeto Via Verde, da Semadur, prevê que em toda a obra de construção civil feita na Capital onde uma certa quantidade de árvores seja removida, outra tanta seja plantada na região. As árvores geralmente são plantadas em calçadas do Centro, mas cerca de 25% delas são depredadas. 

    

Árvore plantada pelo projeto Via Verde, na Capital

"Essa compensação ambiental das empresas às vezes não funciona, porque a empresa retirou, por exemplo, árvores nativas e quer plantar eucaliptos nas calçadas, prejudicando muros e vias", conta Cristaldo. 

Com o novo plano diretor, as empresas farão a compensação de maneira correta, devolvendo  à natureza ou remanejando espécies iguais. Se forem novas mudas, somente árvores acima de dois metros poderão ser plantadas, para que elas não morram facilmente, perdendo a finalidade do projeto. 

Peso na consciência e no bolso 

Para maior controle ambiental e ordenação do espaço público, o novo plano diretor de arborização deve virar Lei em setembro. 

"O projeto foi escrito pela Semadur, enviado para o Conselho de Meio Ambiente, que reúne profissionais e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a população,   para ser submetido a estudo e devolvido para a Semadur, com as devidas alterações. O plano diretor prevê notificações e miltas para quem cometer irregularidades", adianta Cristaldo. 

Serão criadas cooperativas com trabalhadores capacitados da prefeitura para cuidar da fiscalização, multas e conservação arbórea da cidade, para que as podeas das copas das árvores estejam sempre certas - a brigada verde. O plano diretor prevê também projetos de paisagismo urbano, para que haja equilíbrio entre as espécies nativas. 

O plano diretor diz respeito a vegetação que fica em ruas, vias de arborização de conflito (fiações), canteiro central, vegetação de fundo de vale (margens de córregos), arborização central e árvores centenárias de Campo Grande. 

"Temos casos de sibipirunas (árvore nativa) que vivem cerca de 15 anos com mais de 30 anos em calçadas. Essas árvores estão comprometidas mas precisam ser removidas em trabalho escalonado, plantando na mesma região outras árvores nativas", conclui. 
 

CAMPO GRANDE

ACP sai confiante de mobilização que exige reajuste de 5,4% a professores

Após encontro com a prefeita Adriane Lopes, sindicato afirma que pagamento do índice está assegurado; comissão formada por Prefeitura, ACP e vereadores discutirá na próxima semana como o reajuste será implementado

12/06/2026 12h30

Professores lotaram o Centro de Campo Grande nesta sexta-feira para cobrar o cumprimento do piso nacional; após reunião, ACP afirma ter garantia de pagamento dos 5,4%

Professores lotaram o Centro de Campo Grande nesta sexta-feira para cobrar o cumprimento do piso nacional; após reunião, ACP afirma ter garantia de pagamento dos 5,4% Marcelo Victor

Continue Lendo...

Em meio à maior mobilização dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) dos últimos anos, a Associação Campo-Grandense de Professores (ACP) deixou a reunião realizada nesta sexta-feira (12) com a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmando ter obtido uma garantia considerada essencial pela categoria: o cumprimento dos 5,4% necessários para assegurar a atualização do piso nacional do magistério para a jornada de 20 horas semanais.

O encontro ocorreu no Paço Municipal enquanto milhares de professores participavam de uma paralisação que fechou integralmente as 87 escolas municipais de Campo Grande, segundo a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems).

Após mais de uma hora de reunião entre representantes da ACP, vereadores da Comissão Permanente de Educação da Câmara Municipal e integrantes da administração municipal, o presidente da entidade, Gilvano Bronzoni, afirmou que o principal objetivo do movimento foi alcançado.

“Garantido que nós teremos, sim, os 5,4% referentes à reposição do piso do magistério”, declarou.

Segundo ele, a partir de agora a discussão passa a ser sobre a forma de implementação do reajuste. Uma comissão formada por representantes da Prefeitura, da ACP e da Câmara Municipal começará a analisar os números da educação já na próxima segunda-feira (15), às 9h, na sede do Executivo.

“Saímos da reunião com algumas situações que a ACP tem cobrado. A prefeitura mostrou o déficit dentro da área da educação e, a partir de segunda-feira, reúne uma comissão Câmara de Vereadores, ACP e gestão para estudar esses números e apresentar o mais breve possível, ainda dentro do mês de junho, a solução para que a gente possa ter o 5,4%”, afirmou.

Bronzoni ressaltou que a categoria continua defendendo o cumprimento integral da legislação do piso nacional do magistério.

“O pleito inicial da ACP é o cumprimento da lei do piso. Então, a lei do piso é 5,4% de maio”, disse.

Segundo o sindicalista, durante a reunião a prefeita manteve o reconhecimento da legislação que garante o piso nacional aos professores da rede municipal.

“O que a prefeita garantiu hoje é que pagará, continua reconhecendo a lei do piso por 20 horas e paga o 5,4%. A forma como vai se dar isso, remanejando recursos dentro das regras da educação, é que começa a ser discutida segunda-feira”, explicou.

Déficit de R$ 138 milhões

Representando a administração municipal, o secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, afirmou que a Prefeitura reconhece a reivindicação da categoria, mas argumenta que o município enfrenta limitações orçamentárias.

Segundo ele, a comissão criada ainda em 2025 para discutir questões salariais da educação será responsável por encontrar uma solução que permita o pagamento do reajuste sem comprometer o equilíbrio fiscal.

“Nós vamos apresentar todos os números que envolvem o município, porque temos um Plano de Equilíbrio Fiscal em andamento, temos a Lei de Responsabilidade Fiscal e existe um déficit hoje dentro da educação para que a gente possa dar cumprimento a esses 5,4%”, afirmou.

De acordo com Rocha, a administração municipal estima um déficit de aproximadamente R$ 138 milhões na área da educação em 2026.

“O Fundeb é insuficiente. A gente recebe em torno de R$ 960 milhões por ano e gasta R$ 1,5 bilhão com o pagamento de salários. Mais de R$ 500 milhões saem do caixa da Prefeitura”, explicou.

O secretário acrescentou que a gestão municipal pretende discutir com a categoria se a implementação do índice ocorrerá de forma integral ou parcelada.

“Vamos discutir como vai se dar esse cumprimento, se vai ser fracionado, se vai ser integral, até o final do ano, como vamos garantir esses 5,4%. O que está garantido é o cumprimento dos 5,4%”, declarou.

Câmara apoia reivindicação

Presente na reunião, o vereador Professor Juari reforçou que a Comissão Permanente de Educação mantém o posicionamento já adotado anteriormente em defesa da aplicação do percentual previsto para garantir o piso nacional.

“Nós nos posicionamos desde 1º de maio em favor dos 5,40%. Esse é o posicionamento nosso”, afirmou.

Segundo o parlamentar, a comissão acompanhará as negociações, mas a palavra final caberá à categoria reunida em assembleia.

“Quem decide é a categoria. O sindicato vai discutir com os professores representados e aquilo que for decidido pela categoria é o que nós vamos adotar como medida na Câmara”, disse.

Apesar do avanço nas negociações, a ACP ainda não descarta uma greve. A entidade realizará uma assembleia geral na próxima segunda-feira, às 18h, para avaliar os resultados das discussões com a Prefeitura.

Questionado se o encontro desta sexta-feira afasta a possibilidade de paralisação por tempo indeterminado, Gilvano Bronzoni afirmou que a decisão dependerá da avaliação dos professores.

“A Prefeitura vai oficializar, a categoria vai avaliar. As decisões da categoria são tomadas em assembleia”, afirmou.

Assine o Correio do Estado

investimentos bilionários

Irmãos Batista estudam investimento na "ressurreição" da Malha Oeste

Revelação sobre possível investimento da mineradora LHG Minig na ferrovia foi feita durante audiência pública sobre ampliação do porto Gregório Curvo, em Corumbá

12/06/2026 12h05

Jamil Sebe, diretor de projetos da LHG, deixou claro que todos os projetos do grupo dependem da reativação da ferrovia

Jamil Sebe, diretor de projetos da LHG, deixou claro que todos os projetos do grupo dependem da reativação da ferrovia

Continue Lendo...

O projeto de investimentos de R$ 1,9 bilhão na ampliação do porto Gregório Curvo, no Rio Paraguai, em Corumbá, prevê a retirada total dos caminhões das estradas e transporte de todos os minérios por ferrovia. 

Porém, a ferrovia está abandonada e no fim deste mês acaba a concessão. Por conta disso, mineradora LHG Mining, proprietária do porto do qual devem ser escoadas até 15 milhões de toneladas por ano, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, admite a possibilidade de ela amesma investir na retomada e modernização desta ferrovia. 

A revelação foi feita por Jamil Sebe, diretor de projetos da mineradora durante audiência pública realizada em Corumbá na noite desta quinta-feira (11). De acordo com ele, o novo terminal portuário previsto para ser implantado no distrito de Porto Esperança prevê a eliminação total de caminhões e pás-carregadeiras. 

Apesar de todo o projeto estar baseado no transporte ferroviário, ele reconhece que a ferrovia, desativada desde dezembro do ano passado naquela região, não só precisa ser reativada, mas precisa ser completamente modernizada, inclusive com a aquisição de novas locomotivas. 

Ele espera que a concessão, prevista para ser feita pelo Governo Federal nos próximos meses, seja feita para uma empresa que faça estes investimentos e modernizações, inclusive com retirada de curvas e aclives no atual traçado. 

Ao mesmo tempo, revela que a LHG já fez estudos para possíveis investimentos no trecho e "se for necessário investir, nós vamos investir", declarou Jamil Sebe durante a audiência pública, sem deixar claro se estes possíveis investimentos significam que a empresa pretende entrar na disputa pela concessão da ferrovia.

Os irmãos Batista estão investindo em torno de R$ 4 bilhões na ampliação da extração de minérios de 12 milhões para 25 milhões de toneladas por ano. Além disso, estão investindo em torno de R$ 3,7 bilhões na aquisição de 400 barcaças e 15 empurradores para escoarem e exportarem boa parte destes minérios pela hidrovia do Rio Paraguai. 

E, sem a revitalização dos cerca de 46 quilômetros da ferrovia entre a região das minas e o porto Gregório Curvo, os demais investimentos ficarão inviáveis. A última viagem com minérios entre o distrito de Antônio Maria Coelho e o porto ocorreu em 1º de dezembro do ano passado. Depois disso, cerca de 300 carretas passaram a ocupar a BR-262 e a estrada de acessão ao porto diariamente. 

A ampliação da capacidade de embarque no porto deve ser finalizada em três anos, caso o projeto efetivamente saia do papel. Os investimentos da ordem de R$ 1,9 bilhão neste projeto prometem colocar fim ao problema crônico da poeira que atormenta moradoes do distrito de Porto Esperança depois que as carretas começaram a circular na estrada de acesso ao distrito. 

No porto será construída uma pera ferroviária e um virador de vagões, o primeiro do Estado. Este virador, conforme a LHG Mining, será dentro de um galpão fechado e com isso boa parte do problema da poeira já será eliminado. O carregamento nas barcaças também será todo automatizado, o que também será fundamental para redução da poeira, conforme Jamil Sebe. 

Porém, como esta ampliação só deve ser concluída no fim de 2029, até lá serão mantidas as atividades de quatro caminhões pipa que atuam na região para umidificar a estrada de acesso ao porto e assim reduzir os danos causados por esta poeira, uma das principais reclamações dos moradores do distrito de Porto Esperança. 

Além do problema da poeira, que a LHG promete eliminar depois da modernização do terminal de embarque, outro ponto que causou polêmica na audiência pública é a provável necessidade de dragagem do Rio Paraguai para que a mineradora possa escoar as 15 milhões de toneladas por ano que a empresa está projetado. 

Porém, segundo Jamil Sebe, as novas barcaças terão condições de navegar em águas menos profundas que as atuais. Hoje, elas precisam 9 pés (2,7 metros de profundidade) para descer pela hidrovia. As novas, conseguirão flutuar com seis pés de profundidade, ou cerca de 1,8 metro. 

Ou seja, os novos equipamentos precisarão quase um metro a menos de água para fazer o transporte.  Sendo assim, explica o representante da LHG, cairá a necessidade de fazer as chamadas dragagens de menutenção. Hoje, em pelo menos 17 locais precisaria ser feita esta dragagem (remoção de areia de um local para outro no fundo do leito) para permitir o transporte de minérios em períodos de estiagem. 

Ambientalistas temem que estas dragagens alterem o ritmo das águas e com isso todo o bioma pantaneiro seja afetado. Se a água escoar com maior velocidade, as cheias da planície pantaneira tenderão a desaparecer. Automaticamente, elagam, haverá necessidade de novas dragagens para que o transporte hidroviário continue funcionando.

IMPORTÂNCIA DA FERROVIA

Além de admitir a possibilidade de investir na revitalização dos 46 quilômetros da frerrovia, a LHG também destinará boa parte do investimento de R$ 1,9 bilhão em estrutura ferroviária.

"O principal escopo do projeto consiste na implantação de pera ferroviária, sistema de virador de vagões, transportadores de correia, novo pátio de estocagem de produtos e píer com sistema de embarque de minério", diz trecho do estudo de imacto ambiental. 

"Os vagões carregados de minério chegarão pela Ferrovia e ingressarão na Pera Ferroviária, onde passarão pelo Virador de Vagões para descarregamento automático dos vagões", explica o documento da LHG Mining debatido na audiência pública desta quinta-feira.

E próximo da Mina de Santa Cruz, de onde saem os minérios levados para Porto Esperança, a mineradora também está prevendo a instalação de uma estrutura ferroviária semelhane para agilizar o embarque dos minérios nos vagões sem a necessidade de manobras de desacoplagem dos vagões.

Além da pera, a empresa pretende construir uma espécie de "estrada rolante" de 12 quilômetros para transportar os minérios entre o local de extração até a margem da ferrovia. 

Mas, apesar de todos estes projetos, no final de junho deste ano acaba a concessão da Malha Oeste, que desde 2015 está nas mãos da empresa Rumo. Até agora não existe definição para realização de uma nova licitação. 
 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).