Sexta, 17 de Novembro de 2017

AQUECIMENTO

Campo Grande registra oito transações imobiliárias por hora

2 JUL 2010Por 06h:36
Carlos Henrique Braga

O setor imobiliário registrou oito negociações por hora no ano passado em Campo Grande, segundo levantamento da Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso do Sul (Anoreg), feito a pedido do Correio do Estado. São 200 negócios por dia ou 73 mil por ano. O cálculo inclui vendas de imóveis e terrenos e supera números oficiais porque leva em conta transações sem registro na prefeitura, como contratos de gaveta e notas promissórias.
“O corretor de imóveis não pode reclamar e espero que continue assim”, comemora o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado (Sindimóveis), James Antônio Gomes. Hoje, 1,4 mil profissionais do setor trabalham na Capital para aplacar a fome que o crédito farto e incentivos do governo despertaram no consumidor. Os negócios mais comuns envolvem casas e apartamentos de até R$ 85 mil, com subsídios de R$ 17 mil do programa “Minha Casa, Minha Vida”.
Segundo Gomes, o mercado começou a mudar há três anos, quando o governo anunciou os programas de incentivo. “Os construtores passaram a procurar terrenos pela cidade para construir e vender às imobiliárias ou aos clientes finais”, conta o presidente do sindicato.
Na corretora que gerencia, oito empreendimentos estão à venda, e parte dos negócios é fechada um mês antes do fim da obra. A procura por terrenos valorizou em até 100% áreas nos bairros Vila Ieda, Jardim Aero Rancho, Nova Lima e Taquaral.
Índices da prefeitura, que apontam comercialização menos intensa (veja matéria nesta página), não acompanham o ritmo do mercado, regido por regras próprias. Ao comercializar um terreno social de 10 metros por 20 metros, por exemplo, o vendedor não faz escritura, apenas nota promissória, ficando livre do pagamento de impostos e burocracia.
Também não figuram nos quadros da prefeitura imóveis que trocam de mãos durante a vigência do financiamento bancário, gerando contratos de gaveta. A modalidade vale entre as partes, mas não é oficial. Nela, o comprador assume as parcelas do financiamento como se fosse o antigo dono, mas só transfere a propriedade após a quitação. A prefeitura fica a par do processo apenas na hora de mudar o nome na escritura, após pagamento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

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