Quinta, 23 de Novembro de 2017

Campanha "quase parando" no Estado

2 AGO 2010Por 12h:09
adilson trindade e lidiane kober

O mês de julho foi marcado por uma campanha eleitoral sem brilho, sem clima e sem empolgação. Os candidatos a governador adotaram estratégia semelhante para o início da campanha: corpo-a-corpo com os eleitores. Nota-se a falta de comitês de candidatos de ponta, de cabos eleitorais espalhados pelas ruas do centro e dos bairros de Campo Grande. A alegação de alguns é a falta de dinheiro para bancar grande estrutura, por isso, tentam adiar o máximo possível o investimento na corrida atrás de votos.
O senador Delcídio do Amaral (PT), por exemplo, deixou para entrar “de cabeça” na campanha a partir de agosto. O mês de julho, portanto, foi apenas de aquecimento para todos os candidatos a cargo majoritário.
Até as tradicionais adesivagens, panfletagens e bandeiraços foram tímidas em Campo Grande. Poucos cabos eleitorais se vêem nas ruas da cidade disputando a preferência do eleitor para o seu candidato. Também é mínima a presença de veículos com adesivos de seus respectivos candidatos, em comparação a eleições anteriores.
E como a campanha está quase parando, os eleitores não entraram no clima. A avaliação dos candidatos a governador é de que a campanha vai “pegar fogo” a partir do início do palanque eletrônico — propaganda no rádio e na televisão — dia 18 de agosto. Um dia antes, o horário gratuito será aberto pelos candidatos a presidente da República.
As caminhadas do governador André Puccinelli (PMDB), do ex-governador José Orcírio dos Santos (PT) e de Nei Braga (PSOL) são os únicos meios encontrados para ter contato direto com o eleitor. Eles acham mais barato a investir em comícios nos bairros. Mas não estão descartadas a mobilização de eleitores para pequenas concentrações. José Orcírio fez o seu primeiro comício na quinta-feira (29) em Mundo Novo.
O que também prejudicou o início da campanha foi o forte frio que atingiu o Estado. Os candidatos não ficaram motivados a pedir votos a eleitores que estavam mais preocupados em se proteger do inverno.
A proibição de contratação de artistas (cantores) é a principal razão para os candidatos desistirem de investir em comícios. Sem show, os eleitores não teriam motivação só para ouvir as promessas dos candidatos. Portanto, não vale a pena gastar tanto na montagem de estrutura de um comício para ter poucos dividendos eleitorais.
A disputa por voto de André e José Orcírio foi mais quente e acirrada na pré-campanha eleitoral. Os dois passavam todos os dias em viagens atrás de apoio político e de simpatizantes à suas pré-candidaturas. A situação se inverteu quando começou oficialmente a campanha eleitoral.

Comitês
O primeiro a providenciar o comitê político na Capital foi o governador André Puccinelli. Ele montou mega-estrutura na Avenida Costa e Silva. O espaço pode até virar palco de grandes comícios, pois para lotá-lo é necessário a presença de pelo menos cinco mil eleitores. O prédio está repleto de banners divulgando a chapa majoritária do PMDB.
O ponto de encontro de Orcírio localiza-se no centro de Campo Grande, na Rua Marechal Cândido Mariano Rondon. Por meio de faixas e banners com fotos do petista e de Dilma Rousseff (PT) é possível identificar o espaço. A residência não comporta cinco mil pessoas, como o comitê de Puccinelli, mas também chama a atenção. Mas em julho, foi fraca a movimentação de eleitores ou simpatizantes e até de quem procura emprego de cabos eleitorais nesses dois comitês.
Por outro lado, o nanico PSOL ainda não tem um local para receber seus militantes. Por falta de recursos, o partido não montou seu comitê. Os candidatos da legenda nem sequer contam com “santinhos” para divulgar seus representantes. Na semana passada, para pagar os gastos com as fotografias do material de campanha, os correligionários fizeram uma “vaquinha”.
No caso dos candidatos a vaga de senador, deputado federal e estadual a campanha ainda é mais tímida. A maioria deixou para montar seu comitê em agosto. Por enquanto, eles se concentram em participar de pequenas reuniões, organizadas por seus aliados em residências de líderes comunitários.

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