Sábado, 18 de Novembro de 2017

Câmara recua e vota projeto de R$ 200 milhões na 2ª-feira

1 MAI 2010Por 04h:00
anahi zurutuza e bruna LUCIANER

Depois de conflito aberto entre a Câmara Municipal e o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), por conta da votação de projeto de Lei Complementar (267/2010) do Executivo que abre as portas para investimento de cerca de R$ 200 milhões do grupo mexicano Homex Brasil para a Capital, vereadores decidiram votar a proposta. A previsão é que ocorra em sessão extraordinária, na próxima segunda-feira (3), às 9h.

O projeto tornará viável a construção de um condomínio com 3,1 mil casas no Bairro Paulo Coelho Machado, empreendimento que deve gerar,  pelo menos, 2 mil empregos diretos e outros 30 mil indiretos para a Capital. O problema é que Campo Grande disputa com São José dos Campos (SP) para trazer o investimento e vereadores, embora não admitam, para pressionar o prefeito a aumentar o duodécimo — repasse de percentual da arrecadação do município ao Legislativo —, estariam “travando” a aprovação da proposta que tornaria o município mais atrativo que a cidade do interior de São Paulo.

O impasse entre prefeitura e parlamentares foi denunciado em reportagem publicada na edição de ontem do Correio do Estado. A empresa decidirá nos próximos dias o município no qual vai construir o condomínio. Mas, na mesma semana em que Câmara Municipal pleiteia aumento de 0,5% –  restabelecendo os 5% – no duodécimo (que foi reduzido por força de Emenda Constitucional, no ano passado), os vereadores se recusaram a votar em regime de urgência o projeto que atrairia os investidores.

Tumulto
A sessão realizada extraordinariamente, ontem, para votar o projeto de Lei que reajustou salário dos servidores públicos municipais, foi tumultuada. Vereadores aproveitaram para discutir se votariam ou não o projeto para atrair o empreendimento para a Capital. Alegaram que não votariam projeto no “afogadilho”, que o Executivo tinha entregue a proposta à Casa na quarta-feira e que eles não tiveram tempo de analisar o texto para que pudessem apreciar durante a sessão de ontem.

Enquanto acontecia a discussão na Câmara, o prefeito concedeu entrevista coletiva à imprensa, declarando que a manobra dos vereadores é, na avaliação dele, “barganha suja”. “A Câmara Municipal tem de cumprir com as responsabilidades dela. Estão fazendo uma barganha suja que eu não aceito”, enfatizou.
Nelsinho disse, ainda, que, se os investidores não escolhessem a Capital para a construção do residencial,  a Câmara teria de se responsabilizar pela perda perante à população. “Os vereadores têm que pôr a mão na consciência. Se a lei diz que é 4,5% (repasse do duodécimo) e eu não vou dar mais dinheiro para eles. Se não votar esse projeto hoje (ontem), quem vai perder é a cidade. E esse ônus eles vão ter que carregar nas costas deles”.

A notícia chegou aos vereadores ainda de manhã, os quais se revoltaram, inclusive, e pediram ao presidente da casa, Paulo Siufi (PMDB), que Nelsinho fosse interpelado judicialmente para explicar a declaração. O vereador Paulo Pedra (PDT), ex-líder do prefeito e hoje na oposição, chegou a pedir a cassação do mandato de Trad Filho pela declaração que ele classificou como “injúria”. Talvez alheio ao que se passa na Casa, tentou atribuir também ao Correio do Estado “equívoco” na informação de que estariam travando a votação. Teve que se informar ouvindo a gravação dada pelo prefeito, criticando a manobra, a uma emissora alternativa de TV.

Reunião
Para tentar acalmar os ânimos e convencer os vereadores a votar o projeto o mais rápido possível, Nelsinho foi até a sede do Legislativo, onde se reuniu a portas fechadas com todos, durante uma hora, também pela manhã. Depois da conversa, vereadores recuaram e marcaram a votação para segunda-feira. Discussão sobre projetos poderia levar semanas, se não fosse a pressão do Executivo.

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