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Cai a transmissão de HIV da mãe para o filho

Cai a transmissão de HIV da mãe para o filho

DA ASSESSORIA

01/12/2010 - 15h14
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Resultado do boletim Epidemiológico Aids/DST 2010, divulgado nesta quarta-feira (1º de dezembro) pelo Ministério da Saúde, reforça tendência de queda na incidência de casos de aids em crianças menores de cinco anos. Comparando-se os anos de 1999 e 2009, a redução chegou a 44,4%. O resultado confirma a eficácia da política de redução da transmissão vertical do HIV (da mãe para o bebê). Mas, em relação aos jovens, pesquisa inédita aponta que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, há tendência de crescimento do HIV.

O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a prevalência do HIV nessa população passou de 0,09% para 0,12%. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados pelo vírus da aids (prevalência de 0,17% entre os meninos com ensino fundamental incompleto e 0,10% entre os que têm ensino fundamental completo).

Os dados confirmam que o grande desafio é fazer com que o conhecimento se transforme em mudança de atitude. De acordo com a Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira (PCAP 2008), 97% dos jovens de 15 a 24 anos de idade sabem que o preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV, mas o uso cai à medida que a parceria sexual se torna estável. O percentual de uso do preservativo na primeira relação sexual é de 61% e chega a 30,7% em todas as relações com parceiros fixos.

Para Dirceu Greco, diretor do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, a pesquisa traz um alerta aos jovens que não se veem em risco. "O jovem precisa perceber que a prevenção é uma decisão pessoal e que ele não estará seguro se não se conscientizar e usar o preservativo", enfatiza.

O resultado positivo para o HIV está relacionado, principalmente, ao número de parcerias (quanto mais parceiros, maior a vulnerabilidade), coinfecção com outras doenças sexualmente transmissíveis e relações homossexuais. O estudo é representativo da população masculina brasileira nessa faixa etária e revela um retrato das novas infecções. “Por isso, estamos investindo cada vez mais em estratégias para essa população”, explica o diretor.

Atento a essa realidade, o governo brasileiro tem desenvolvido e fortalecido diversas ações para que a prevenção se torne um hábito na vida dos jovens. A distribuição de preservativos no país, por exemplo, cresceu mais de 100% entre 2005 e 2009 (de 202 milhões para 467 milhões de unidades). Os jovens são os que mais retiram preservativos no Sistema Único de Saúde (37%) e os que se previnem mais. Modelo matemático, calculado a partir dos dados da PCAP, mostra que quanto maior o acesso à camisinha no SUS, maior o uso do insumo.

Outra estratégia de impacto para essa população é o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), uma iniciativa conjunta entre Saúde e Educação. Criado em 2003, hoje está presente em cerca de 66 mil instituições de ensino. Mais do que distribuir camisinhas, o programa insere a temática de prevenção e promoção da saúde sexual e reprodutiva no cotidiano das escolas públicas, que são um espaço permanente de discussão. “Para o governo, está muito claro que a oferta da camisinha deve estar atrelada à informação, para que o jovem tome decisões conscientes”, reforça Greco.

A Saúde também atua na ampliação do diagnóstico do HIV/aids – que é uma medida de prevenção, já que as pessoas que conhecem a sua sorologia podem se tratar para evitar novas infecções. Em quatro anos (2005 a 2009), o número de testes de HIV distribuídos e pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobrou: de 3,3 milhões para 8,9 milhões de unidades. Da mesma forma, o percentual de jovens sexualmente ativos que fizeram o exame aumentou – de 22,6%, em 2004, para 30,1%, em 2008.

Campanha publicitária – Como parte da estratégia para reduzir novas infecções, a campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano é voltada para meninos e meninas de 15 a 24 anos. Com o slogan “A aids não tem preconceito. Você também não deve ter”, a ideia é despertar o jovem para a proximidade da doença com o mundo dele. “Muitos acreditam que uma pessoa com boa aparência está livre de doenças sexualmente transmissíveis, o que é um mito”, esclarece Dirceu Greco.

As peças mostram pessoas vivendo com HIV ao lado de outras que não têm o vírus. A mensagem deixa claro que um soropositivo é como qualquer outra pessoa; por isso, a decisão de usar camisinha não pode ser baseada na aparência do parceiro. A campanha também traz a reflexão sobre o preconceito. Com a participação de jovens vivendo com HIV, o material publicitário mostra que os jovens com aids podem namorar, trabalhar e ter uma vida normal, como qualquer outra pessoa dessa idade. Serão veiculados spots de rádio e vídeo para TV, entre os dias 1º e 31 de dezembro de 2010. Cartazes, folders, mobiliários urbanos e busdoors também fazem parte do material publicitário, que será distribuído em todo o Brasil. A campanha completa está disponível no hotsite www.todoscontraopreconceito.com.br.

Aids no Brasil – Os novos números da aids (doença já manifesta) no Brasil, atualizados até junho de 2010, contabilizam 592.914 casos registrados desde 1980. A epidemia continua estável. A taxa de incidência oscila em torno de 20 casos de aids por 100 mil habitantes. Em 2009, foram notificados 38.538 casos da doença.

Observando-se a epidemia por região em um período de 10 anos – 1999 a 2009 – a taxa de incidência no Sudeste caiu (de 24,9 para 20,4 casos por 100 mil habitantes). Nas outras regiões, cresceu: 22,6 para 32,4 no Sul; 11,6 para 18,0 no Centro-Oeste; 6,4 para 13,9 no Nordeste e 6,7 para 20,1 no Norte. Vale lembrar que o maior número de casos acumulados está concentrado na região Sudeste (58%).

Atualmente, ainda há mais casos da doença entre os homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos. Esse aumento proporcional do número de casos de aids entre mulheres pode ser observado pela razão de sexos (número de casos em homens dividido pelo número de casos em mulheres). Em 1989, a razão de sexos era de cerca de 6 casos de aids no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino. Em 2009, chegou a 1,6 caso em homens para cada 1 em mulheres.

A faixa etária em que a aids é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 20 a 59 anos de idade. Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998, com oito casos em meninos para cada 10 em meninas.

Em números absolutos, é possível ver como a redução de casos de aids em menores de cinco anos é expressiva: passou de 954 casos, em 1999, para 468, no ano passado. Quando todas as medidas preventivas são adotadas, a chance de transmissão vertical cai para menos de 1%. Às gestantes, o Ministério da Saúde recomenda o uso de medicamentos antirretrovirais durante o período de gravidez e no trabalho de parto, além de realização de cesárea para as mulheres que têm carga viral elevada ou desconhecida. Para o recém-nascido, a determinação é de substituição do aleitamento materno por fórmula infantil (leite em pó) e uso de antirretrovirais. A medida consta do Plano de Redução da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis, lançado em 2007 e pactuado com estados e municípios.

Em relação à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade prevalece a sexual. Nas mulheres, 94,9% dos casos registrados em 2009 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 42,9% foram por relações heterossexuais, 19,7% homossexuais e 7,8% bissexuais. O restante foi por transmissão sanguínea e vertical.

Apesar de o número de casos no sexo masculino ainda ser maior entre heterossexuais, a epidemia no país é concentrada. Isso significa que a prevalência da infecção na população de 15 a 49 anos é menor que 1% (0,61%), mas é maior do que 5% nos subgrupos de maior risco para a infecção pelo HIV – como homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo.

O coeficiente de mortalidade vem-se mantendo estável no país, a partir de 1998 (em torno de 6 óbitos por 100 mil habitantes). Observa-se queda no Sudeste, estabilização no Centro-Oeste e Sul. Norte e Nordeste registram queda no número de óbitos.

Investigação

Contrabandistas usavam Capital como entreposto para cigarros paraguaios

Polícia fez 12 apreensões, que totalizaram 1 milhão de maços; a movimentação financeira foi superior a R$ 76 milhões

17/06/2026 08h00

Durante a operação foi apreendido até um jet ski de um investigado

Durante a operação foi apreendido até um jet ski de um investigado Divulgação/Receita Federal

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Uma quadrilha especializada no contrabando de cigarros paraguaios usava endereços em Campo Grande como entrepostos para armazenar os produtos trazidos ilegalmente e que seriam levados para outros estados do Brasil.

O esquema foi desmantelado em uma operação realizada ontem pela Polícia Federal (PF), a Receita Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

De acordo com as investigações, o grupo trazia a mercadoria contrabandeada por “rotas ilegais na região de fronteira” de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. 

“Em seguida, eram armazenados em depósitos clandestinos em Campo Grande/MS e distribuídos para outras unidades da federação, com o uso de veículos adaptados, transportadoras vinculadas ao grupo e documentação fiscal fraudulenta para simular legalidade”, diz trecho da nota.

Ainda segundo a Receita Federal, a investigação começou a partir de informações de inteligência da Polícia Federal, que identificaram “a atuação de um grupo organizado voltado ao contrabando de cigarros. A partir desse ponto, foram realizadas diligências integradas e análises fiscais detalhadas, que confirmaram a estrutura e o funcionamento sistemático da organização criminosa”.

Conforme a investigação, há indícios de que a quadrilha usava empresas de fachada e interpostas pessoas (laranjas) para lavagem de dinheiro conquistado por meio do contrabando de cigarros.

Isso porque foram identificadas “movimentações incompatíveis com a renda declarada, transferências fracionadas e utilização de mecanismos informais de remessa de valores ao exterior (‘dólar-cabo’)”.

“A investigação contou com análises fiscais e bancárias conduzidas pela equipe de investigação, que evidenciaram incompatibilidades entre rendimentos declarados e movimentações financeiras, além de variação patrimonial sem origem comprovada, contribuindo para o fortalecimento das apurações e o embasamento das medidas cautelares”, diz outro trecho da nota.

A quadrilha atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre seus integrantes, “incluindo aquisição no exterior [principalmente no Paraguai], transporte clandestino, armazenamento, distribuição e gestão financeira”.

De acordo com a Receita Federal, o grupo tinha pessoas para executar diversas atividades, como: aquisição de cigarros na região de fronteira com o Paraguai; transporte fracionado em veículos para reduzir riscos de apreensão; armazenamento em imóveis e estabelecimentos comerciais; distribuição em larga escala para outros estados; utilização de empresas de fachada e documentos fiscais fraudulentos para dar aparência de legalidade; e uso de sistemas informais de remessas financeiras e contas de terceiros para ocultação de valores.

“As condutas investigadas caracterizam os crimes de organização criminosa, contrabando, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”, explica a Polícia Federal, em nota.

Durante a Operação Rota Clandestina foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão – sendo 13 em Campo Grande e 1 em Santa Luzia (MG) –, além de 5 mandados de prisão preventiva e 5 medidas cautelares de monitoração eletrônica.

Também foi determinado o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados. Entre os bens apreendidos está um jet ski, além de vários outros veículos utilizados pelo grupo para o transporte dos cigarros contrabandeados.

OUTRA OPERAÇÃO

Esta é a segunda operação contra quadrilhas voltadas ao contrabando de cigarros paraguaios que ocorre em Mato Grosso do Sul este mês. Na semana passada, os alvos estavam em Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina.

* Saiba

Ao todo, participaram da operação 62 policiais federais, 17 policiais rodoviários federais, além de 7 auditores fiscais da Receita Federal do Brasil e 15 analistas tributários da Receita Federal.

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g7

Lula e Trump se cumprimentam durante evento social no G7

Os dois participaram da apresentação um coral organizado pelo governo francês seguido por um jantar, momento que eles teriam trocado os cumprimentos

17/06/2026 07h18

Horas antes Trump e Lula participaram dos mesmos eventos, mas não interagiram um com outro no encontro que ocorre na França

Horas antes Trump e Lula participaram dos mesmos eventos, mas não interagiram um com outro no encontro que ocorre na França

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Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumprimentaram durante um evento social na noite de terça-feira, 16, na cúpula do G7 em Évian-les-Bains. Os dois participaram da apresentação um coral organizado pelo governo francês seguido por um jantar, momento que eles teriam trocado os cumprimentos.

Uma das maiores expectativas para esta viagem do presidente aos Alpes Franceses era a possibilidade de Lula se reunir com o americano, onde trataria da ameaça de um novo tarifaço ao Brasil Rapidamente, o Itamaraty descartou que uma bilateral estivesse em negociação.

Esperava-se então que os dois trocassem algumas palavras nos corredores da cúpula. Até o evento social, os dois mal haviam interagido nos momentos em que estiveram juntos.

Segundo relatos, Trump e Lula trocaram os cumprimentos em algum momento entre o coral e o jantar organizado por Emmanuel Macron. O evento foi restrito a chefes de Estado e não houve registros em imagens do momento.

Durante a chamada foto de família do G7 ampliado, que inclui os países convidados, Lula e Trump ficaram distantes e não interagiram. O mesmo ocorreu durante a reunião do G7 ampliado sobre solidariedade internacional, quando Lula proferiu um discurso com críticas veladas ao americano.

Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional de cada país - uma retórica que tem lhe rendido dividendos eleitorais nas últimas semanas.

"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", disse o presidente.

"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", disse Lula.

Lula sentou praticamente de frente para Donald Trump na mesa de reunião. O republicano é um cético do multilateralismo e tem adotado medidas protecionistas nos Estados Unidos, como os tarifaços, criando o que chama de "Doutrina Donroe", em referência à Doutrina Monroe.

Desde o ano passado, quando Trump impôs pesadas tarifas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, Lula tem apostado no discurso da soberania de olho em dividendos eleitorais.

Neste ano, dobrou a aposta nessa retórica após o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro ter visitado Trump na Casa Branca, dias antes do anúncio das tarifas e da inclusão das facções criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas.

Nesta quarta-feira, 17, o presidente faz um novo discurso na reunião "Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentado em benefício de todos", que já começou atrasada.

Também está prevista uma bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi e um almoço de trabalho sobre inteligência artificial envolvendo Big Techs.

O presidente ucraniano Volodmir Zelenski solicitou uma reunião bilateral com Lula, que se mostrou disposto a recebê-lo. Nesta quarta, o governo disse que o encontro estaria previsto, mas havia o risco de ser cancelado caso os eventos anteriores atrasassem.

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