Quarta, 22 de Novembro de 2017

Crônica TV

Cada vez mais tradicional

30 MAR 2010Por 20h:07

A proposta de Bosco Brasil para a novela "Tempos modernos" era mesclar astronomia, relacionamento homem-tecnologia e a discussão da segurança privada nas grandes cidades. Mas nem é preciso confrontar o sucesso da antecessora "Caras & bocas"– que marcava sempre mais de 30 pontos de média de audiência, bem mais que os decepcionantes 20 e poucos atuais – para perceber que não deu certo. A novela agora pouco se parece com a que foi apresentada em sua estreia, em 11 de janeiro. Tramas futuristas e a invasão de privacidade – encabeçada pelo computador Frank – quase não aparecem, tamanho é o uso de conflitos puramente românticos na história.

De moderna, essa tática não tem nada. Envolver supostos irmãos que se apaixonam, como é o caso dos mocinhos Nelinha e Zeca, de Fernanda Vasconcellos e Thiago Rodrigues, é coisa antiga. Assim como criar triângulos amorosos em relações maduras, como já sugerem as cenas que envolvem o patriarca Leal, a dançarina Hélia e a "faz-tudo" Iolanda, papéis de Antônio Fagundes, Eliane Giardini e Malu Galli, respectivamente.

Não que essa aposta seja ruim. Até porque o autor conta com um elenco capaz de ajudar a reverter a crise. Isso, é claro, desde que o texto rebuscado de Bosco, conceituado no teatro, abra espaço para o coloquialismo e a agilidade, elementos normalmente valorizados na televisão. Mesmo o tom farsesco de alguns personagens, como o casal deslumbrado Goretti e Bodanski, de Regiane Alves e Otávio Müller, se torna inócuo diante de uma história tão difícil de se acompanhar. Perder alguns capítulos e tentar voltar a assistir "Tempos modernos" é tarefa difícil. Ainda mais depois do sumiço de personagens com peso no folhetim, como o vilão Albano, de Guilherme Weber, e a dondoca Regeane, de Vivianne Pasmanter. E o crime que ocasionou a morte do chefe da segurança do edifício Titã e, supostamente, de sua ex-noiva, traz à tona mais um clichê: o bom e velho mistério de "quem matou".

Pelo que se vê, até o casal insosso defendido por Fernanda Vasconcellos e Thiago Rodrigues pode ser "reformulado". Ainda mais com o espaço de Priscila Fantin, que interpreta a interesseira Nara, crescendo cada vez mais. E as confusões amorosas neste núcleo tendem a se movimentar com a entrada do astronauta Renato, de Danton Mello. O ator, que já soma 30 anos de carreira, estava escalado desde o início da novela para entrar na trama em algum momento. Mas pode ganhar um peso maior depois que seu personagem se envolver com a mocinha Nelinha. Ainda mais porque entre Danton e Thiago, o primeiro tem muito mais "know how" em mocinhos do que o segundo. Apesar dos equívocos, "Tempos modernos" foi um acerto no que diz respeito à busca por novos talentos. Aline Peixoto e João Baldasserini esbanjam carisma na pele do motoqueiro Túlio e da doce Jannis. Assim como Alessandra Maestrini, que faz sua estreia nas novelas encarnando a estrela Ditta. Depois de emplacar três anos de humor no seriado "Toma lá, dá cá", Alessandra mostra que é capaz de se dar bem em outras áreas explorando os conflitos de uma mãe que sente culpa por ter abandonado os filhos em função da carreira internacional. Mesmo Alessandra Martins, que vive a atrapalhada Duba, convence. Isso porque, no início, a atriz só era conhecida pelo fato de namorar o protagonista da história, Antônio Fagundes.

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