Sexta, 24 de Novembro de 2017

VIOLÊNCIA

Bruno acompanhou sequestro e morte de Eliza, diz polícia

9 JUL 2010Por 08h:03
BELO HORIZONTE

“O Bruno estava lá dentro da casa e via a mulher com a cabeça toda estourada e acompanhou a ida de Eliza para o sacrifício”, disse o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, que conduz as investigações em Minas Gerais sobre a morte da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Marcos Paulista, também conhecido como Neném,  Negão ou Bola, que acabou preso ontem, no Bairro da Pampulha, em Belo Horizonte. Moreira classificou o ex-policial como um “especialista em matar”.
Eliza Samudio e Bruno Fernandes mantiveram um relacionamento extraconjugal. Ela tentava provar na Justiça que Bruno é pai de seu filho de quatro meses.
Bola ou Paulista, é apontado pelas investigações por ter estrangulado Eliza Samudio até a morte. Santos é ex-agente da Polícia Civil de MG, tem 45 anos, adestrava cães e dava cursos de sobrevivência. Anteontem, dez cães foram apreendidos na casa do suspeito, em Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte).
Criança
Moreira afirmou, durante entrevista coletiva, que os envolvidos no desaparecimento de Eliza Samudio pretendiam matar também o filho dela, um bebê de quatro meses. A criança também teria sido levada para uma casa na cidade de Vespasiano, onde a polícia acredita que Eliza tenha sido assassinada. O motivo pelo qual a criança teria sido poupada não foi informado.
Os agressores chegaram à cena do homicídio com a intenção de matar também o bebê, suposto filho do goleiro. Bruno teria se arrependido na última hora, “tanto que ela (a criança) foi levada para o local de execução. A intenção (de assassinar o bebê) era deles todos”, disse Moreira.

Premeditado
Segundo o delegado, o crime foi “premeditado, planejado e friamente executado”. O goleiro se entregou à polícia anteontem após ter tido a prisão temporária decretada em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
“Um ídolo de um grande time, mas que, na realidade, é um monstro. A Eliza está morta e a materialidade está confirmada”, afirmou o delegado, ao afirmar que Bruno participou do crime desde o início. Segundo Moreira, todos os que participaram do crime ficaram chocados e o mais tranquilo era o goleiro, que chegou até a tomar cerveja após o assassinato.
O delegado disse que – com base nos depoimentos de dois primos do goleiro, um adolescente de 17 anos e Sérgio Rosa Sales Camelo, preso anteontem – a “crueldade” contra Eliza teria começado no sítio do goleiro, onde ela foi espancada por ele, pelo adolescente e por Macarrão, Luiz Henrique Romão, amigo do goleiro, que também está preso. Lá, um rádio com som alto era usado para abafar o som das pancadas.
Moreira afirma que o adolescente ficou abalado ao contar com riqueza de detalhes o que ocorreu no sítio e, depois, na casa em Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte). Já Sérgio contou à polícia que “viu a cabeça da Eliza estourada por coronhadas” no sítio e que em todo o momento Bruno participou da ação. Ela teria dito a Marcos Aparecido Santos, o Bola ou Paulista, que não aguentava mais apanhar. Em troca, ouviu: “Você não vai apanhar mais, você vai morrer”.
Bola se posicionou então às costas da jovem, prendeu as pernas dela e a estrangulou. Após a execução, o ex-policial entrou na casa com o corpo e mandou Bruno, Macarrão e o adolescente se afastarem. No local, ele teria esquartejado a jovem. Ao retornar, Bola teria entregado os restos mortais para alimentar seus cães. De lá, retornaram somente com a mala de viagem da vítima, que foi queimada no sítio.
Quando as equipes chegaram anteontem a Vespasiano, constataram a existência de um circuito externo de vigilância e deduziram que o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Marcos Paulista, Neném, Negão ou Bola havia fugido pouco antes. A pia do banheiro ainda estava molhada, a janela aberta e a televisão ligada.

Advogado
O advogado responsável pela defesa de Bruno, Michel Assef Filho, anunciou na manhã de ontem que abandonou o caso. “Estou deixando a causa oficialmente porque há um conflito de interesses entre o Flamengo e o atleta. Quem vai assumir a causa é um advogado de Minas Gerais. É o Dr. Quaresma”, afirmou, referindo-se a Ércio Quaresma Firpe, que defende a mulher de Bruno, Dayanne de Souza. Assef representa o Flamengo.

Leia Também