Quarta, 22 de Novembro de 2017

Blocos resgatam o carnaval das marchinhas

17 FEV 2010Por 07h:47
Para contrapor ao carnaval contemporâneo marcado por axé, funk e até rock, 13 blocos desfilaram na noite de segunda-feira, em frente do Armazém Cultural na Esplanada Rodoviária, e fizeram a diferença relembrando marchinhas dos antigos reinados de Momo. “Mamãe eu quero”, “Taí”, “Máscara negra”, “Abrealas” e “Cidade Maravilhosa” foram algumas delas que fizeram parte do animado repertório. Nem as três horas de atraso desanimaram o público – bem maior que o esperado –, nessa primeira concentração de blocos de Campo Grande que superou as expectativas dos organizadores. Marcada para se iniciar às 18h, a apresentação só começou por volta das 21h com a ber t u ra of ici a l do prefeito Nelsinho Trad. Diferentemente do previsto, os carros carnavalescos e o Bloco Amor eu Vou Ali não desfilaram. De acordo com Nelsinho, a apresentação dos blocos cultiva as saudosas marchinhas que sempre estão nas paradas de sucesso. “O desfile tem que virar tradição porque as pessoas vêm animadas e daqui podem surgir até escolas de samba”. Conforme a Fundação Municipal de Cultura (Fundac), a desorganização com relação ao atraso se deu porque este foi o primeiro ano de concentração dos blocos e, a Associação de Blocos e Cordões Carnavalescos de Campo Grande, responsável pelo evento, ainda está adquirindo experiência para corrigir as falhas e melhorar no ano seguinte. O presidente da Fundac, Athayde Nery, disse que neste ano o desfile dos blocos não ocorreu com o das escolas de samba porque são acontecimentos diferentes. “Os blocos são mais liberados. Aqui o que vale é a animação, mas na avenida, se falta uma baiana a escola perde ponto”. Desfile Alguns foliões tiraram a fantasia do armário e desfilaram com perucas, máscaras, vestidos de Carmem Miranda, Chica da Silva e até mesmo Geisy Arruda, da Uniban, – aluna expulsa da faculdade depois de usar um vestido curto – como foi o caso do professor Daniel Amorim, de 31 anos, que há quatro participa do Bloco da Valu. “Espero o ano inteiro para chegar este dia. Adoro”, revelou o educador que sempre sai fantasiado de mulher. Criado em 2007 por funcionários da Santa Casa, o Bloco Tereré conta com cerca de 700 membros que tentam resgatar as marchinhas de época no carnaval campo-grandense, conforme o presidente do bloco Rafael Fandim da Silva. Durante a apresentação do Tereré era possível notar a presença de muitas crianças e até cachorro, que desfilou de coleira no colo da dona. Muito animados, os integrantes usaram e abusaram de confetes e serpentinas. Ao lado de filha, genro e netas, o aposentado Manoel de Souza Silva, 78 anos, disse que desfila há quatro no bloco e aproveita a festa para relembrar os velhos tempos. Sandra dos Santos Cereali revelou que o pai faz questão de sair no Tereré. Já o presidente da associação e responsável pelo Bloco Bem-Te-Vi, Valfrido de Almeida, o Dudu, contou que também é fundador da Escola de Samba Igrejinha e decidiu organizar o bloco quando percebeu que o desfile estava se tornando elitizado. “A escola desfila para o público, já os blocos se apresentam para eles mesmos”, comparou. A vontade de se divertir e participar de carnaval mobilizou um grupo de 10 educadores, que todos os anos convida mais amigos para prestigiar a festa. Conforme os professores João Carlos Ximenes, 46 anos, Eliana Espíndola Rodrigues, 57 anos, e Élcio Adania, 38 anos, eles desfilaram no Bloco do Fubá, na última sexta-feira, assistiram a apresentação das escolas no sábado, desfilaram na Igrejinha no domingo e, na segunda saíram nos blocos Tô na Onda e Bem-Te-Vi. Com aproximadamente 250 membros, o Bloco Quero- Quero também foi criado como uma alternativa para os moradores que não desfilam na escola de samba do Bairro Estrela do Sul, a Unidos do Cruzeiro, segundo o coordenador João Marcelo Pereira. Além da Rainha e Rei Momo, desfilaram na Esplanada Ferroviária os blocos Da Valu; Tereré; To na Onda; Tô que Tô; Moreninha de Ouro; Império dos Amigos; Embalo Estação do Samba; Quero-Quero; Margarida; Beber, Cair e Levantar; Saúde é o que Interessa; Bem- Te-Vi; e Os Bambas do BH. Público “A única coisa que tem que melhorar é a pontualidade. Hoje esperamos exatamente três horas e tive que levar minha filha e netinha em casa porque criança não sabe esperar e acaba dormindo”, reclamou o funcionário público Jonas Sanches, 59 anos, que assistiu às apresentações acompanhado da esposa Maria e da filha Ana Cláudia. Para a secretária Dalva Marques, 41 anos, falta melhorar a organização do evento e aumentar a quantidade de membros nos blocos. Já a diarista Isailda Souza Ramos, 32 anos, que estava acompanhada dos filhos Willian, 6 anos, Henrique, 10 anos, e Islaine, de 12 anos, reclamou do horário de encerramento do desfile. “Termina muito tarde, mas as crianças ficaram querendo desfilar. Ano que vem vou me informar para participar com meus filhos”. A cabeleireira Francisca dos Santos, 45 anos, adiantou o retorno de uma viagem só para assistir ao desfile e levar a cunhada Lucia Freire, que reside em Rondônia, para prestigiar os blocos. “Agora está parecendo carnaval mesmo”, avaliou o advogado José Luiz Bueno Mendes, 56 anos, que afirmou que antes o forte em época de carnaval na Capital era a festa nos clubes.

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