Santa Casa de Campo Grande atendeu 22,1 mil pessoas que foram vítimas de colisões nas vias da cidade no ano passado
O maior hospital de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa de Campo Grande, atendeu durante o ano passado 60 pessoas por dia vítimas de algum tipo de acidente de trânsito.
Segundo dados do hospital, em 2025, 22.127 pessoas deram entrada no pronto-socorro da unidade após uma colisão nas ruas da Capital. Isso significa que, a cada duas horas, cinco pessoas chegaram ao centro médico por causa de batidas.
Esses dados refletem pesquisa feita pelo Centro de Liderança Pública (CLP), divulgada na semana passada pelo Correio do Estado. Segundo dados da pesquisa Ranking de Competitividade dos Estados de 2025, Mato Grosso do Sul é o segundo estado brasileiro que mais lota leitos de hospitais em razão de acidentes de trânsito, ficando atrás somente do Espírito Santo.
Conforme a pesquisa, em Mato Grosso do Sul, a cada 10 mil habitantes, 22,9 foram internados por envolvimento em acidentes de trânsito. O Espírito Santo, líder no ranking de hospitalizações, tem uma taxa de 30,5 por 10 mil habitantes.
Os dados de Mato Grosso do Sul pioraram em relação à pesquisa anterior, de 2024, quando ficou em quarto lugar. A diferença é que, naquela época, o levantamento levava em conta o índice de internações por 100 mil habitantes, com isso, a taxa de MS era de 180,7, atrás apenas de Goiás, Piauí e Rondônia.
O aumento de acidentes de trânsito e, consequentemente, de vítimas gera reflexo rápido nas internações de modo geral. No ano passado, não foram poucas as reportagens sobre falta de leitos e superlotação dos hospitais públicos de Campo Grande.
Por causa disso, inclusive, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com ação civil pública para garantir o aumento de leitos, tanto pediátricos como adultos, em Campo Grande.
INTERNAÇÕES EM 2024
Apesar de os números do ano passado impressionarem, eles foram inferiores aos de 2024, de acordo com o hospital, quando 37.594 pessoas foram internadas após sofrerem algum tipo de acidente de trânsito.
Esse número reflete uma média diária de atendimentos de trauma de 102,9 pessoas, ou 4,2 por hora.
Segundo o hospital, a maior parte dessas pessoas é socorrida no pronto-socorro e só em alguns casos, quando a situação é mais grave, elas chegam a ocupar leitos no setor de trauma da unidade.
Mesmo assim, a ocupação desses leitos tem deixado o atendimento a outras enfermidades prejudicado, já que eles sempre chegam como urgência e em alguns casos utilizam a vaga por um longo período.
MORTES
Matéria publicada no mês passado pelo Correio do Estado mostrou que algumas dessas vítimas de trânsito sequer são hospitalizadas, já que a “epidemia” de acidentes de trânsito fez de 2025 o ano mais letal desde 2017, segundo a série histórica da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp). No ano passado ocorreram 394 mortes no trânsito do Estado, 13 a mais que o número registrado em 2024.
Considerando acidentes fatais em vias urbanas e rodovias estaduais, este é o maior número em nove anos.
O mesmo aumento foi registrado em Campo Grande, onde ocorreram 87 mortes no trânsito em 2025, um aumento de 26,09% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 69 óbitos.
Para a especialista em trânsito Ivanise Rotta, tanto as mortes como as internações são ocasionadas pelo não cumprimento da velocidade máxima por parte dos motoristas.
A última morte registrada no trânsito de Campo Grande, na semana passada, porém, foi causada pelo desrespeito à sinalização semafórica. Na sexta-feira, uma motociclista morreu após um motorista de ônibus do Consórcio Guaicurus furar o sinal vermelho no cruzamento das Ruas Brilhante e Argemiro Fialho.
A mulher, que estava em uma moto, foi atropelada e morreu ainda no local do acidente.
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