Sábado, 18 de Novembro de 2017

Basta querer

10 JUL 2010Por 20h:49
Por envolver uma mulher de classe média, pela crueldade e pelo fato de o marido ser o principal suspeito, o assassinato da arquiteta Eliane Nogueira, ocorrido na madrugada do dia 2 de julho em Campo Grande, não pode ser considerado como apenas mais um crime. A própria repercussão e o interesse popular pelo caso evidenciam isso. E, assim como o crime em si, o que impressiona neste caso são a agilidade e a eficiência da polícia para encontrar evidências que, ao que tudo indica, serão fundamentais para elucidar o caso.
            Em uma semana, dezenas de pessoas prestaram depoimento e várias delas trouxeram informações importantes. O vídeo da conveniência mostrando o suspeito principal do assassinato comprando fósforos e, na volta, cerveja, não apareceu por acaso. Policiais vasculharam a região e percorreram possíveis rotas que poderiam ter sido feitas até chegar à rua onde o veículo foi abandonado e incendiado. Depois disso, foram em busca de locais onde houvesse sistemas de segurança que pudessem ter gravado alguma imagem do suspeito. Somente na conveniência onde fizeram descobertas importantes analisaram cerca de seis horas de gravação.
            Tudo o que foi descoberto até agora pode até estar levando tanto a polícia quanto a opinião pública pelo caminho errado, pois somente a Justiça dirá se o principal suspeito, que foi detido horas após o crime, é ou não culpado. Mesmo que seja inocentado, isto não invalidará o empenho dos investigadores.
    A polícia não fez nada mais que sua obrigação, poderia alegar alguém. E foi realmente isto que aconteceu. Porém, a questão é: por que não se percebe a mesma dedicação para elucidar outros crimes, aqueles considerados “comuns”? É a imprensa, ou a opinião pública, que pautam a atuação policial? Depende do delegado que assume a investigação? É a condição social ou econômica dos envolvidos que determinam se o caso é ou não prioridade? A resposta certamente não é única. O que importa, contudo, é que está mais do que claro que quando a polícia quer, consegue esclarecer os crimes, por mais bem planejados que estes possam parecer ou por mais dissimulados ou espertos que os criminosos se considerem. Se o velho ditado afirmando que não existe crime perfeito já vale há décadas, hoje, com todas as tecnologias disponíveis, esta máxima é cada vez mais verdadeira.
       Com base nisso é possível concluir que determinados crimes não são elucidados porque simplesmente não se quer. Mortes por pistolagem, cada vez mais frequentes em Campo Grande, e o famoso Caso Motel são exemplos disso. Alguns deles envolvem pessoas as quais a polícia, ou autoridades mais altas, simplesmente não querem ver punidas. Em outras situações, vítimas e acusados integram camadas sociais tão deixadas para segundo plano que simplesmente se permite a “eliminação” sumária e mútua. Porém, os efeitos maléficos da impunidade, independentemente da relevância social de determinado crime, são os mesmos.

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