Sábado, 18 de Novembro de 2017

Banqueiros criticam possíveis restrições

23 FEV 2010Por 04h:07
O desarme de benefícios que passa a vigorar em abril e a perspectiva de que o recolhimento compulsório sem remuneração voltará aos patamares observados antes da crise é criticado pelos bancos. O economista- chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, avalia o cenário como “um retrocesso”. “Há um consenso de que o nível dos compulsórios no Brasil é elevado. Voltar com os mesmos patamares anteriores significa ter custos adicionais”, diz. Sardenberg explica que o compulsório maior reduz a capacidade do banco de administrar o dinheiro depositado pelos clientes na instituição. “Isso cria ineficiências no sistema financeiro que implicam em custos adicionais”, argumenta. O custo maior acontece porque o banco precisa “compensar” a menor rentabilidade obtida com o dinheiro recolhido junto ao BC. “Isso é custo que acaba sendo repassado para o cliente”. O economista da Febraban sugere que a equipe econômica use outros instrumentos para, eventualmente, conter a velocidade de expansão da economia e, assim, reduzir pressão sobre os preços. “É melhor usar a política monetária e fiscal”, cita. Para o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, o desarme dos benefícios tem grande vantagem para o BC: a eficiência. Ele explica que a interrupção dos estímulos criados na crise tem efeito contracionista mais rápido sobre o crédito que o gerado por eventual aumento da taxa básica de juro, a Selic. “O aperto monetário tem dia e hora para começar. Antes mesmo de qualquer mudança na Selic, bancos vão sentir o aperto da liquidez a partir de abril. A alta na Selic demora pelo menos meio ano para começar a fazer algum efeito”. Sobre o fim do estímulo às provisões extras, o economista- chefe da Febraban avalia que a medida vai prejudicar principalmente os bancos públicos, que têm menor capacidade de alavancar novos crédito pelas regras de Basileia – que determinam o crédito que pode ser concedido conforme o capital do banco. “Por terem menor folga em Basileia, as instituições públicas já estão em processo avançado para aumentar o capital”, diz.

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