Sábado, 18 de Novembro de 2017

Bananas e macaco

29 JUL 2010Por 23h:12
De novo chega a ordem ao cockpit do piloto da Ferrari: “Sai da frente que o piloto número um da  equipe precisa vencer”. A primeira vez havia acontecido com o Rubens Barrichello, abrindo passagem para o alemão Schumacher na Áustria em 2002. Agora foi a vez de outro brasileiro, o Felipe Massa tirar o pé para que o espanhol Fernando Alonso assumisse a ponta no Grande Prêmio da Alemanha. Massa, obediente, tirou o pé.
Quando Nelsinho Piquet forjou um acidente em Cingapura em 2008, Massa foi um dos mais ferrenhos críticos da manobra na época, até porque aquilo interferiu diretamente na classificação final do mundial daquele ano. A situação de agora é ridícula, pelo fato de que Massa, para piorar, fez “beicinho” no pódio. Oras, se ele fez algo contrariado, não precisava ter feito. Agora, se no contrato dele essa situação está prevista, então não adianta posar de  injustiçado.
Essas atitudes de nossos brasileiros (alguns), me remeteram à celeuma nacional ocorrido recentemente com a declaração de Sylvester Stallone que gravou um filme aqui no Brasil intitulado  “Os Mercenários”. Stallone, se referindo aos brasileiros disse em entrevista: “Lá você pode explodir o país e eles ainda dizem obrigado e aqui está um macaco para você levar para casa”. Além de dar calote por aqui, de acordo com o colunista  Ancelmo Gois , Stallone deixou uma dívida de R$ 3 milhões de reais referente ao filme com uma produtora brasileira, o Rambo ainda tirou uma com a nossa cara.
Parece que é praxe forasteiros tentarem inferiorizar os habitantes dos locais onde eles exploram. Isso é histórico, acompanha as colonizações. Mas também, da mesma forma, os explorados sempre reverenciam a mão forte que os trapaceiam. Talvez isso seja uma questão de sobrevivência, de adaptação entre o menor e o maior, ou ainda, de se tentar levar vantagem com isso.
A atitude de um “banana” incorporada por Felipe Massa e antes por Barrichello se completa com o macaco pronunciado por Stallone, o que aliás, reforça o que disse Sylvester. A imagem que se tem do Brasil no exterior é em parte – em parte – verdadeira. Os roncos dos motores dos carros de Fórmula 1 sempre estiveram envenenados com as trapaças entre equipes. O que irrita, são os nossos bananas pilotando as máquinas e nós, como os palhaços de sempre, torcendo por eles.
Stallone já pediu desculpas, porém, o estrago está feito. Macacos gostam de bananas. Nós brasileiros gostamos de futebol, de automobilismo e de banana também – a  fruta. Aos domingos não perderei mais meu tempo de ócio assistindo a esse circo, pelo menos enquanto nossos pilotos forem coadjuvantes de pilotos. Passarei o tempo comendo uma salada de frutas.

Altemir Dalpiaz, altemir@dalpiaznet.com.br

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