Quarta, 22 de Novembro de 2017

Avicultura dribla crise e cresce 6% em MS

24 JAN 2010Por 06h:42
Apesar da crise internacional, que derrubou em 10,3% o faturamento as exportações de aves no ano passado, a avicultura sul-mato-grossense conseguiu manter-se firme no mercado. O número de abates cresceu 6%, totalizando 115,9 milhões de frangos, diante de 109 milhões industrializados em 2008. Para este ano, a previsão é ainda mais otimista com expansão de 13%, chegando a 130 milhões de aves abatidas nas cinco plantas frigoríficas instaladas em MS. A média mensal de abates se manteve acima de 8 milhões de aves, chegando no auge em julho, quando foram processadas no Estado 11 milhões de unidades. Atualmente, o Estado conta com 805 famílias de produtores integrados e 1.265 aviários. De acordo com o coordenador do Agronegócio em Pecuária da Secretaria de Estado da Produção e do Turismo de Mato Grosso do Sul (Seprotur), Rubens Flávio Mello Corrêa, o bom desempenho tem uma razão: o setor sobreviveu com competência à crise econômica. “Se lembrarmos do histórico da avicultura, é uma cadeia do agronegócio superindependente. Eles fizeram o marketing do frango, sozinhos, sem intermediação do Governo, se organizaram. Passaram pedaços ruins, mas hoje estão estrutururados, ecologicamente bem, politicamente bem e tecnicamente bem”, avalia o coordenador. Corrêa destaca ainda que a avicultura tem um mercado forte e credibilidade. “Eles trabalham muito em função da UBA (União Brasileira de Avicultura), que traça as estratégias, dá o norte para os avicultores seguirem”, frisou. O coordenador do Agronegócio ainda lembra que a cadeia da avicultura é muito organizada e ágil. “Se o mercado tem uma tendência de consumir frango pequeno, eles abatem a produção com menos idade. Se o mercado quer frango de 3 quilos, eles deixam mais alguns dias e chegam no peso que eles querem. A atividade é muito dinâmica, muito rápida”, acrescenta. Dificuldades Na avaliação do presidente da UBA, Ariel Mendes, o grande problema do setor no ano passado foi no âmbito das finanças. “As empresas avícolas trabalharam o ano de 2009 no vermelho. O faturamento com as exportações caiu, fazendo com que o País perdesse mais de US$ 1 bilhão em receita”, frisou. Em Mato Grosso do Sul, onde 90% da produção dos maiores abatedouros do Estado é destinada à exportação, o volume exportado aumentou e chegou a 121 milhões de quilos, diante de 112 milhões de quilos de 2008 que representou, no entanto, faturamento de US$ 216 milhões para o setor, montante inferior aos US$ 241 milhões obtidos no ano retrasado. A fatia representa 12,1% das exportações totais. Ele destaca ainda que a questão do crédito também foi um problema. “No ano passado, até obtivemos expansão do limite de crédito, mas o setor não conseguia a liberação dos financiamentos em função de uma cautela desnecessária por parte das instituições bancárias. Para completar, um câmbio desfavorável e preços baixos no mercado interno e externo reduziram de forma considerável o fluxo de caixa do setor”, acrescentou. Enquanto a avicultura encontrava dificuldade com as questões cambiais, outros segmentos se favoreciam. Assim aconteceu com os supermercados, que compraram ao longo do ano um frango mais barato e não repassaram desconto algum para os consumidores, segundo os avicultores. Em média, a margem de lucro destes estabelecimentos foi de 50% no frango inteiro e de até 100% nos cortes, avalia o presidente da UBA.

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