Terça, 21 de Novembro de 2017

Avanço da cana altera o “mapa” da raiva

1 MAR 2010Por 04h:14
O desmatamento e as mudanças na cadeia produtiva de Mato Grosso do Sul estão alterando os hábitos alimentares dos morcegos hematófagos. Diante do avanço no cultivo da soja e da cana-de-açúcar nos municípios, o impacto alimentar está levando os animais a migrarem para regiões onde existe pecuária mais intensiva. Municípios onde a atividade é praticada há mais de 40 anos, e que nunca registraram focos de raiva bovina, começaram a despontar na lista de ocorrências da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). Apesar do avanço na migração dos hematófagos, o volume de casos manteve-se praticamente estável no Estado. Em 2008, foram registrados 31 focos de raiva no rebanho bovino estadual, e em 2009, o montante ficou em 32 notificações. Já o número de mortes caiu 34% no ano passado, ficando em 118 bovinos, diante de 180 registrados em 2008. “Com a criação de gado dando espaço para a soja e mais recentemente para a cana-deaçúcar, os morcegos tiveram que buscar alimento em locais onde a atividade pecuária é mais praticada, e muitas regiões registraram pela primeira vez o aparecimento da raiva”, explica o coordenador estadual do Programa de Controle de Raiva Herbívora, Ademar Etiro Mori. Ele destaca, no entanto, que graças ao trabalho das equipes de controle da raiva bovina em MS, mesmo com a mudança na rota dos “vampiros”, o número de casos de raiva bovina manteve- se praticamente estável nos últimos dois anos. Programa A vacinação de bovinos, caprinos e ovinos em áreas de risco faz parte das ações do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH). Em Mato Grosso do Sul a vacinação contra a raiva acontece uma vez ao ano, sempre no mês de novembro. O programa é coordenado pelo Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Entre os animais vacinados estão vacas, bois, cabras e ovelhas. Além da vacinação, o programa nacional estabelece ações para o controle populacional do principal transmissor do vírus da raiva aos herbívoros e aos porcos, o morcego hematófago (Desmodus rotundus). Em regiões que existem cavernas, construções abandonadas e outros lugares onde vivem morcegos, fiscais das Superintendências Federais de Agricultura nos estados armam redes de captura e aplicam pomadas vampiricidas. O trabalho é desenvolvido em conjunto com órgãos estaduais de defesa agropecuária. Mori lembra que a Iagro conta atualmente com 10 equipes de “caça-vampiros” – que são na verdade formadas por fiscais agropecuários e técnicos especializados na captura dos animais. O veterinário destaca que cada estado tem legislação específica e calendário de imunização para o controle da raiva. Em algumas, a aplicação da vacina é obrigatória em rebanhos bovinos.

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