Domingo, 19 de Novembro de 2017

Autor e presidente da CPI da Saúde investiga a si mesmo

13 JUL 2010Por 14h:54
Da redação

Um dos contratos de locação tidos como fraudulentos entre a Prefeitura de Dourados e o Hospital Santa Rosa, de propriedade do empresário Sizuo Uemura tem a assinatura, como interveniente, do ex-secretário de Gestão Pública da administração de José Laerte Tetila (PT), Dirceu Longhi, também petista. Ocorre que Dirceu, hoje vereador, é autor e presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde, criada para apurar as denúncias de irregularidades no setor.
A locação do hospital para a prefeitura aconteceu no dia 17 de setembro de 2007, tendo como locatário o então secretário municipal de Saúde João Paulo Esteves e, como locador o sócio e diretor financeiro da instituição, Eduardo Takashi Uemura, filho de Sizuo Uemura. Na época, o hospital contava com vários associados, inclusive o deputado federal Geraldo Resende (PMDB), que declarou ao Correio do Estado não ter recebido nada pela locação, mesmo sendo cotista da instituição.
Durante as investigações da Operação Owari, que começou também em 2007 para apurar denúncias contidas em uma carta contra Sizuo Uemura, a Polícia Federal encontrou, entre outros crimes, indícios de fraude no contrato firmado entre a Prefeitura de Dourados e o hospital dirigido pelo grupo Uemura. Foram várias horas de gravações telefônicas dos diretores do grupo com pessoas ligadas à administração municipal, incluindo o filho do ex-prefeito, André Tetila, que levaram às suspeitas.
O contrato, mesmo agora, na gestão do prefeito Ari Artuzi (PDT), continua com o Santa Rosa, mas toda a administração da rede pública hospitalar foi repassada, mediante convênio, para o Hospital Evangélico, que reviu algumas cláusulas. Nessa estrutura, funciona o Hospital da Mulher, que poderá ser transferido para o Hospital Universitário. O contrato vence em setembro de 2012 e o documento prevê multa equivalente a 12 meses de aluguel no caso de rescisão antes do prazo.
O vereador Dirceu Longhi, assim que deixou a base aliada do atual prefeito, na Câmara no início deste ano, entrou com pedido de CPI para apurar contratos de licitação da atual administração e dos últimos dois anos do ex-prefeito Laerte Tetila. O próprio autor foi nomeado presidente da comissão, mesmo tendo compactuado do contrato entre a prefeitura e o hospital para a locação da instituição, conforme cita o relatório da Polícia Federal.
Pelo que foi apurado, as irregularidades estariam em indícios de supervalorização do prédio, indicando manipulação de valores tanto do prédio quanto de móveis e equipamentos, também locados para a prefeitura. Além disso, todo o processo teria sido feito, conforme levantou a Polícia Federal, sem licitação. As gravações telefônicas indicariam ainda, o interesse do Grupo Uemura em fornecer medicamentos para o hospital e até mesmo a locação de ambulâncias.

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