Sábado, 18 de Novembro de 2017

Audiovisual em alta

27 ABR 2010Por 19h:13

OSCAR ROCHA

 

A produção audiovisual em Campo Grande apresenta várias faces. Há desde projetos feitos de forma improvisada, até aqueles que exigem orçamento maior, passando por produção de custo menor, porém com acabamento técnico. O quadro se estabelece devido aos baixos custos de realização, quando comparados ao passado, em consequência das inovações tecnológicos atuais.

Com isso, ideias mais simples podem ser realizadas quase que domesticamente, com ajuda de amigos e poucos recursos. Por outro lado, produções que procuram estabelecer novas linguagens e necessitam de várias locações com maior número de profissionais ainda custam caro e também aparecem no Estado. Três projetos, em etapas distintas de execução, servem de exemplos: "Forte Coimbra – documentário", de Fábio Flecha (ver matéria abaixo); "O que é cafona para você", de Fernanda Versolato, e "Ela veio me ver", de Essi Leal.

O único finalizado é "O que é...", que surgiu de forma improvisada, quando a diretora, que também é atriz, viu, num bar da Capital, uma pessoa com figurino que chamava atenção. "Na hora, peguei uma câmera na bolsa e fui entrevistar essa pessoa, questionando o tipo de visual que ela tinha. Como a entrevista ficou legal, pensei em ampliar o assunto. Com câmera emprestada, passei a fazer outras entrevistas com pessoas da área de moda e beleza, totalizando 25 depoimentos", explica a diretora. Para todas as etapas, Fernanda contou com auxílio de pessoas próximas. A edição foi feita em computador na casa de um amigo. "Foi um trabalho de cooperativa mesmo", ressalta. O material tem 17 minutos e deverá ser exibido em festivais e outros eventos, como o Sarau dos Amigos, no Bairro Universitário, na quinta-feira.

Com uma equipe maior e parte dos custos obtido por patrocínio, o diretor Essi Leal finaliza no momento o curta-metragem "Ela veio me ver", que é a sua quarta produção oficial. Formado em Cinema pela Universidade Federal de São Carlos, ele obteve em 2009 o prêmio de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular no Festival de Cinema de Campo Grande com o filme "Um conto de solidão". O novo projeto recebeu do Fundo Municipal de Cultura R$ 17.800, mas, segundo Essi, o custo total, se fosse contabilizado, era bem maior. "Muita gente está participando na camaradagem, se todos cobrassem o custo seria maior". Com previsão de 16 minutos de duração, o filme conta a história de dois adolescentes que tentam estabelecer relacionamento, mas enfrentam dificuldades. As imagens são captadas em alta definição, requisito básico para participar de festivais de cinema. "Vou tentar inscrevê-lo no próximo Festival de Gramado e em outros que acontecerem; por isso, espero finalizá-lo até maio. Estou tendo certa dificuldade nessa etapa por utilizar um equipamento novo, mas se tivesse mais gente participando, com certeza, teria terminado", reclama.

Essi ainda tem outro projeto em andamento. Trata-se de um documentário sobre a vida de jovens a partir do momento em que entram na universidade. "É um trabalho que pretendo fazer durante 4 anos, acompanhando as transformações dos estudantes, neste que é o período mais importante na vida de todos os jovens". O diretor classifica os projetos como viáveis por conta das inovações tecnológicas, que barateiam os custos de produção. "Sairia muito caro fazer projeto como esse em outro período, sem as facilidades tecnológicas atuais", conclui o diretor.

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