Domingo, 19 de Novembro de 2017

Atenção às dores crônicas

5 ABR 2010Por 21h:55
As dores crônicas, de instalação lenta e com episódios recorrentes há mais de seis meses, podem ter origem nas vísceras pélvicas, nas estruturas ósseas (articulações da coluna lombar) e na parede abdominal (hérnias). Duas coisas, porém, devem ser sempre cogitadas nesses casos: aderências e endometriose.
Aderências são como cicatrizes internas, que se formam após a inflamação dos tecidos (infecções ou cirurgias no passado). Essas “cicatrizes”, como o próprio nome indica, fazem com que órgãos vizinhos fiquem colados uns aos outros – por exemplo, o ovário adere-se ao intestino; ou o intestino à bexiga ou à parede do abdome, provocando estiramentos, compressões locais e dor.
A endometriose, por sua vez, resulta da implantação de um tecido semelhante ao que forra o interior do útero (endométrio) em lugares onde, em princípio, ele não deveria existir, como na superfície dos ovários, atrás do útero, etc. Como o endométrio, este tecido sangra durante as menstruações, provocando inflamação, tumores císticos e ... aderências. Classicamente, a dor da endometriose é cíclica, inicia-se antes da menstruação e se intensifica com a chegada desta (sangramento). A cada ciclo a dor é mais intensa. Com o passar do tempo ela pode se tornar contínua, sendo agravada pelas relações sexuais.
Na maioria das vezes, a causa da dor pélvica na mulher pode ser esclarecida clinicamente; isto é, por meio das informações prestadas pela paciente, pelas evidências encontradas no exame físico e pelos resultados dos exames complementares como sangue, urina, ultra-som, etc..
 A natureza, porém, é muito caprichosa em algumas ocasiões, pois o fenômeno doloroso, por ser subjetivo, nem sempre provoca alterações nos exames. Nesses casos, a videolaparoscopia, um procedimento diagnóstico e terapêutico, no qual se observa diretamente a cavidade abdominal por meio de uma microcâmera, é de inestimável valor na investigação.
Informações sobre a relação da dor com a ingestão de alimentos, o sono, a relação sexual, os movimentos, a micção e a defecação também podem ser úteis. Um exame físico é realizado. O exame pélvico (interno) sempre deve fazer parte da investigação da dor pélvica.
Ele ajuda o médico a determinar quais são os órgãos afetados e se existe uma infecção presente. Os exames laboratoriais, por exemplo, urinálise ou um teste de gravidez, podem indicar a presença de uma hemorragia interna, de uma infecção ou de uma gravidez ectópica.
A ultra-sonografia, a tomografia computadorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM) dos órgãos internos podem ser necessárias. Algumas vezes, o médico realiza uma cirurgia ou uma laparoscopia (procedimento no qual é utilizado um tubo de fibra óptica para examinar as cavidades abdominal e pélvica), para determinar a causa da dor.
Por último, não se pode deixar de mencionar a dor de origem psicossomática – expressão sutil de profundos conflitos emocionais que povoam as inúmeras vertentes da condição feminina –, que requer especial atenção dos ginecologistas.

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