Terça, 21 de Novembro de 2017

Assustador

15 ABR 2010Por 03h:24
Há muito sabe-se que a violência no trânsito em Campo Grande e no restante do Estado é um problema da maior gravidade. Porém, só é possível constatar o tamanho do buraco quando se faz uma comparação com outras regiões. E, conforme pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios, o trânsito de Campo Grande, com 29,6 mortes anuais para cada grupo de cem mil habitantes, só perde para outras duas capitais, Boa Vista e Palmas.

 E, se forem levados em consideração as mortes no interior e nas rodovias, o Estado de Mato Grosso do Sul fica em segundo no ranking das unidades da federação, perdendo apenas para Santa Catarina. Porém, o mais assustador é quando se compara os índices locais com os de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, são em torno de 12 mortes por ano para cada grupo de cem mil habitantes. Na União Europeia, apenas 7,8. Quer dizer, o trânsito daqui mata quase 300% mais que na Europa. 

    Uma das explicações para Mato Grosso do Sul estar no alto deste ranking é a grande quantidade de acidentes nas rodovias federais. Somente no ano passado foram 173 mortes no local do acidente. As tragédias não param de aumentar. Na comparação com o ano passado, o aumento em 2010 chega a 42%, segundo dados oficiais da Polícia Rodoviária Federal. No primeiro quadrimestre do ano passado, a média diária era de 0,36 morte por dia. Nos primeiros 102 dias deste ano, o montante saltou para 0,52 óbito diário.

    Por mais que se bata nesta tecla, a mortandade continua em ritmo ascendente e o que  as autoridades ou os chamados especialistas no trânsito gostam de afirmar é que a culpa por esta situação é dos motoristas, que abusam da velocidade. É impossível discordar. Porém, o poder público tem obrigação de adotar medidas para acabar com a irresponsabilidade desses motoristas. E, para tentar coibir os exageros, as promessas mais constantes são relativas à adoção de equipamentos eletrônicos. A Prefeitura de Campo Grande, por exemplo, está prestes a fechar contrato que pode render até R$ 34 milhões para uma empresa privada e, possivelmente, montante ainda maior para os cofres públicos. Quer dizer, o objetivo é garantir um rentável contrato para algum “amigo do rei”, embora o pretexto oficial seja o combate à violência.

    Se a terceirização fosse a solução para os problemas, os serviços de telefonia do Brasil deveriam estar entre os mais eficientes e baratos do mundo. Contudo, estão entre os piores e mais caros. O mesmo vale para o setor de energia elétrica. Os consumidores brasileiros estão entre os que mais pagam e têm os mais deficientes sistemas de abastecimento. O transporte coletivo nas grandes cidades é outro exemplo. A culpa disto é dos altos impostos, podem alegar os defensores das terceirizações. Porém, os tributos precisam ser altos para garantir dinheiro suficiente para os autores das “privatizações” consigam embolsar suas tradicionais comissões e as empresas obtenham o lucro a que têm direito.

               Investir em pessoal próprio e dar condições para que estes servidores atuem com eficiência nas cidades e estradas é um tema que simplesmente não está entre as propostas dos administradores da atualidade.

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