Correio B

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Ashton Kutcher se esforça, mas não salva o filme 'Jobs'

Ashton Kutcher se esforça, mas não salva o filme 'Jobs'

tribunahoje

07/09/2013 - 21h00
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Muito se especulou sobre a capacidade de Ashton Kutcher de voltar a um papel dramático após anos fazendo apenas sitcoms e comédias românticas. E o ator cumpre bem o papel de interpretar o cofundador da Apple Steve Jobs, mas não consegue salvar a cinebiografia dirigida por Joshua Michael Stern. "Jobs".

O filme retrata um período longo da vida de Jobs, desde quando estava na faculdade de Reed, em Portland, aos 17 anos, passando pelo primeiro emprego, na Atari, e a fundação da Apple, em 1976, até a decadência dentro da empresa e posterior retorno triunfante, em 1996. O filme não mostra a morte de Jobs, em 2011, aos 56 anos, de complicações decorrentes de câncer no pâncreas.

Os inúmeros acontecimentos, entretanto, parecem jogados e sem amarração, numa sequência cansativa. Cenas de situações conflitantes, como quando diz à ex-namorada que não queria saber da filha, e outras de total irrelevância, como Jobs andando pelo campus da faculdade,  passam pela tela indiferenciadamente, convidando o espectador a ficar impassível diante dos fatos mostrados.

Kutcher se esforça. Depois de ter se dedicado por uma década quase que exclusivamente às séries "That 70's Show" e "Two And a Half Man" e comédias românticas inofensivas, como "Jogo de Amor em Las Vegas" (2008) e "Sexo Sem Compromisso" (2011), recebeu o desafio de enfrentar uma das figuras mais controversas da chamada "era digital". E conseguiu uma atuação razoável, facilitada pela inusitada semelhança física com o empresário, mas também com méritos próprios: ele imita bem manias, como de juntar as mãos tocando as pontas dos dedos, a voz e a obstinação de Jobs.

Josh Gad, que já havia atuado em papéis menores em séries de TV como "Californication" e "Bored To Death", também convence no papel de Steve Wozniak, cofundador da Apple com Jobs. Os demais atores - como os experientes J. K. Simmons ("Homem Aranha") e Matthew Modine ("Carga Explosiva 2") fazem pouca diferença, pois o número de personagens é excessivo, sobrando pouco espaço para que cada um consiga desenvolver bem a própria história, mesmo em mais de duas horas de filme.

Mas o pior mesmo é que nem história de Jobs é possível se conhecer com o filme. A leitura de um bom artigo de enciclopédia - ou, para quem tempo e interesse, da biografia de Walter Isaacson) - possibilitaria uma compreensão melhor do complexo personagem.

A trilha-sonora é outro destaque negativo, composta por baladas como "There Were Times", interpretada por Freddy Monday,  que seriam mais bem empregadas se utilizadas para animar um elevador.

Pelo menos Stern não tentou retratar Jobs como um herói-visionário incompreendido, mostrando várias atitudes moralmente questionáveis do empresário, sobretudo a relação dele com a ex-namorada Chrisann Brennan, com quem teve uma filha -- Lisa -- que relutou em reconhecer. Mas isso é muito pouco para um filme que tem a pretensão de contar a história de alguém.

Diálogo

Enquanto alguns pré-candidatos multiplicam agendas e aparições públicas... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta sexta-feira (10)

10/07/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Barão de Itararé - Escritor brasileiro

"O Brasil é feito por nós. Está na hora de desatar esses nós”.

FELPUDA

Enquanto alguns pré-candidatos multiplicam agendas e aparições públicas, outros preferem adotar a velha estratégia do silêncio calculado. A avaliação é simples: falar menos, errar menos e deixar que os adversários  se desgastem antes da largada oficial. O problema é que política não gosta de vácuo. Quem demora demais para ocupar espaço poderá descobrir que outro já chegou primeiro. E recuperar terreno costuma ser bem mais difícil. Os mais experientes ensinam que política é semelhante ao futebol: quem não faz gol, acaba levando. E dê-lhe!...

Diálogo

Fiscalizando

O Laboratório de Obras Rodoviárias (LABOR), do Tribunal de Contas de MS, intensificou a fiscalização sobre obras de pavimentação no Estado. Em vistoria recente, técnicos avaliaram espessura do asfalto, qualidade dos materiais e conformidade com o projeto. 

Mais

A obra inspecionada soma investimento de R$ 4,4 milhões. O laboratório também atua preventivamente na análise de editais e licitações. A intenção é evitar desperdício de recursos públicos antes mesmo que a primeira máquina entre em ação. 

Diálogo Angélica, Eduardo, Marisa e Sandra. Benquistos irmãos da família Serrano - Foto: Arquivo Pessoal

 

Diálogo Dra. Raffaela Tenorio - Foto: Arquivo Pessoal

Todos juntos?

Nos bastidores, cresce a articulação para que os partidos da base do governador Eduardo Riedel realizem convenções conjuntas em 1º de agosto, transformando o ato em demonstração de unidade e força política. A data já conta com a preferência do PL, MDB e Republicanos e também é discutida pela Federação União Progressista e pelo PSDB. Se confirmada, irá reunir praticamente toda a base aliada, em um único evento. Vamos ver.

Alerta

As recentes operações de combate à corrupção repercutiram na sessão do dia 8 da Assembleia Legislativa de MS. Deputados da esquerda e da direita fizeram alerta para que a população redobre a atenção na hora de escolher seus representantes. Segundo eles, esquemas envolvendo a compra superfaturada de livros didáticos se repetem há anos: os recursos desaparecem, enquanto o material sequer chega às escolas. Pois é!...

Temor

Esses deputados demonstraram preocupação com denúncias envolvendo desvios de recursos destinados à saúde pública. Para eles, é inaceitável que verbas destinadas ao atendimento da população sejam alvo de corrupção, comprometendo serviços essenciais e colocando vidas em risco. Defenderam rigor nas investigações e punição exemplar aos responsáveis, afirmando que combater a corrupção é preservar o direito da população a serviços públicos de qualidade. Tudo indica que temor maior é que a classe política seja colocada no mesmo “balaio”.

ANIVERSARIANTES 

  • Renata Bossoi Moreira Costa,
  • José Amilton de Souza,
  • Marcela Fabrício Bellé, 
  • Guilherme Ferreira Andrade,
  • Meire Holsback Alvarenga Garcia, 
  • Mário Sérgio Marinho, 
  • Fumiko Arakaki,
  • Nelson Seiguem Shirado,
  • Alexandre Siqueira Gonçalves,
  • Danielly Pisciolaro,
  • Jurandir Fausto da Silva,
  • Genesio Antonio Girolometto,
  • Hermenegildo Vieira da Silva,
  • Jorge Afonso da Silva,
  • Edmar Soken, 
  • Carlos Alberto Xavier de Andrade,
  • Claudiney Benjamin Soares Lechuga,
  • Gustavo Faria de Oliveira,
  • Dr. Luis Carlos Alvarenga Valim,
  • Daniel Alexandre Vicari,
  • Waldir Paes Machado,
  • Eliana Echeto da Silva, 
  • Tereza Cristina Razuk, 
  • Dr. Gilson dos Santos, 
  • Leonardo de Oliveira Millian,
  • Paulo Ferreira de Souza,
  • Aparecido Thomazini,
  • Abadio Alves Costa,
  • Amarildo Brussamarello,
  • Ivo Luiz Pereira da Rosa,
  • Hide Alcides Rezende,
  • Eudes Pache Corrêa,
  • João Rodrigues de Oliveira,
  • Roberto Cesar da Silva Ferreira,
  • José Almeida Valadares,
  • Célia Mara Barbosa,
  • Otacílio de Albuquerque,
  • Heitor Regalci Galdino,
  • Fabricio Macedo Medina,
  • Anajo Costa Metello,
  • Satoru Hayashida,
  • Alfredo Matos Destro,
  • Ciro Antônio Salce Mello,
  • Eliene Ferreira de Matos,
  • José Augusto Machado,
  • Dra. Patrícia Mitie Nakamura, 
  • Elza da Silva Cezar,
  • Quitéria Nakaya,
  • Roseli da Silva Maciel,
  • Expedito Luciano da Silva,
  • José Murilo Ramalho,
  • Maria de Lourdes Barros,
  • Claudir José Schwarz,
  • GuiIherme Antenor Vieira,
  • José Mário Fonseca,
  • Atílio Diniz da Silva,
  • Fabricio de Melo Albuquerque,
  • Maria José Martins,
  • Aracy Lopes,
  • Mariza Soares dos Santos Farias, 
  • Sandra Regina França,
  • Ana Maria Silveira Campos,
  • Regina Caldas dos Santos,
  • Arlete Alves,
  • João Batista Grecco Pelloso,
  • Elina Vieira Saraiva,
  • Maria Rita Zinn,
  • Lenita Mendes Lourenço,
  • Dr. Márcio André Bueno,
  • Dirce Katumi Takigawa,
  • Nereu Schneider,
  • Enio Rieli Toniasso, 
  • Dr. Neimar Gardenal, 
  • Dorival Bernardelli,
  • Dr. Joaquim Oliveira Vieira Júnior, Clarinda Ribeiro Alves,
  • Lindomar de Oliveira,
  • Ramão Waldir Ribas de Araújo,
  • Maria Wilma Casanova Rosa,
  • Marta Andréia de Oliveira,
  • Eliete Serra da Silva,
  • Jackelyne de Araújo Silva,
  • Elizangela Rodrigues Dias,
  • Waldemir Souza Chaves,
  • Marcella Lobo Vieira,
  • Ana Cristina Zaccarias,
  • Nelson Tomoyiki Magamati,
  • Antonio Mauricio da Silva,
  • Ismael Ventura Barbosa,
  • Eliel Alves Teixeira,
  • Antonio Emanuel Figueiredo Lins, 
  • Maria Helena Eloy Gottardi,
  • Katya Mayumi Nakamura Matsubara, 
  • Juan Domingo Mendoza Gonzalez,
  • Madrilles,
  • José Mauricio Barcelos Alves Castello,
  • Marcela Maria Stella,
  • Artur Gabiatti Morisco,
  • Anna Paola Lot Soares de Pinho,
  • Flavia Pizolatto Livramento,
  • Daiane Fchinkel Brito,
  • Francelize da Costa Cordeiro,           
  • Alyne Michaela Rodrigues Ribas,   
  • Arthur Gilberto D´Avila,  
  • Eliana Oliveira de Senna, 
  • Claudio Roberto Madruga Junior, 
  • Francisco Martins de Moura, 
  • Antonio Henrique Gaudensi, 
  • Alcindo Interlando de Almeida.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Literatura Indígena

Daniel Munduruku defende memória, identidade e resistência indígena na FLIB

Escritor refletiu sobre a história dos povos indígenas, o papel da literatura na preservação da memória e a importância da valorização da cultura ancestral durante encontro com o público e crianças da Aldeinha, em Bonito

09/07/2026 12h40

Mariana Piell

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A 10ª edição da Feira Literária de Bonito (FLIB) teve como um de seus momentos mais marcantes nesta quarta-feira (8) a presença do escritor paraense Daniel Munduruku, um dos maiores nomes da literatura indígena contemporânea. 

Em uma conversa realizada no Palco Literário da feira, Munduruku conduziu o público por uma reflexão profunda sobre o tempo, a memória, a identidade e o papel da literatura como ferramenta de transformação social. 

IDENTIDADE BRASILEIRA

Em sua fala, o escritor provocou a plateia com um dado histórico contundente: os povos indígenas só passaram a ser considerados cidadãos brasileiros plenos com a Constituição de 1988. "Até então, nós éramos simplesmente vistos como brasileiros em passagem, porque estávamos numa situação em que tínhamos que abandonar a nossa tradição, a nossa cultura, nossa ancestralidade e assumir a identidade de ser brasileiro. Era incompatível ser índio e ser brasileiro", afirmou.

Munduruku ressaltou que esse reconhecimento tardio explica muito sobre a invisibilidade histórica das populações indígenas. "Há apenas 38 anos é que nós podemos assinar nosso nome como brasileiros. Até 1988, não se podia colocar nome tradicional na identidade, na certidão de nascimento. As associações indígenas não podiam ter CNPJ. As pessoas não podiam ter CPF", lembrou.

Para ele, a presença indígena em eventos literários como a Flib é um sinal inequívoco da "revolução silenciosa" que está em curso no país. "Fazer um evento literário sem a presença da literatura indígena é impossível hoje. Essa presença já é real, ela existe", celebrou, lembrando que o Brasil tem atualmente um ministro dos Povos Indígenas, o sul-mato-grossense Eloy Terena, algo "absolutamente surreal e quase impossível de pensar que podia acontecer há dez anos", destacou.

O autor também ressaltou a importância de se compreender a história das políticas indigenistas no Brasil. Ele mencionou o assimilacionismo, que vigorou nos séculos XVII, XVIII e XIX, transformando aldeias em vilas e municípios para negar a existência indígena. Depois veio o integracionismo, com o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e depois a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que acelerou o processo de integração à sociedade nacional, especialmente durante a ditadura militar. "Era uma política de estado para transformar o índio em comerciante, em empreendedor, para que deixasse de ser índio", explicou.

Foi somente a partir dos anos 1970, com o surgimento do movimento indígena impulsionado pelas comunidades eclesiais de base e pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que as lideranças indígenas começaram a se organizar politicamente. Esse movimento culminou na Constituição de 1988, que reconheceu os indígenas como sujeitos de direitos e como "brasileiros diferenciados". 

"A Constituição Cidadã garantiu que essas populações têm os mesmos direitos de todos os cidadãos, mas, para além disso, um direito diferenciado, por conta da sua cultura, da sua medicina, da sua espiritualidade, da sua cosmovisão de mundo", afirmou.

LITERATURA COMO RESISTÊNCIA

"Este ano, 2026, completa-se 30 anos que eu lancei meu primeiro livro. Portanto, é uma caminhada de 30 anos que eu venho fazendo, tendo a literatura como instrumento, como uma ferramenta de aproximação desses mundos", declarou Munduruku, que iniciou sua carreira em 1996 com Histórias de índio.

Desde então, o autor publicou cerca de 70 livros – muitos voltados ao público infantojuvenil – e conquistou prêmios de prestígio nacional e internacional, entre eles o Prêmio Jabuti por três vezes (2003, 2017 e 2025), o Prêmio da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio UNESCO pela promoção da tolerância e da não-violência. Em 2025, foi eleito para a Academia Paulista de Letras, onde ocupa a cadeira número 21.

O autor explicou que sua escrita nasce de um compromisso pessoal com a memória. "Para mim, escrever tem sido um exercício de memória, uma maneira de me colocar novamente no coração do meu povo", disse.

Ele ressaltou que a literatura indígena contemporânea é fruto de um esforço coletivo e de um movimento que já dura mais de vinte anos, com encontros de escritores e artistas indígenas que revelaram talentos em todo o país. 

"Se a gente tem a lei 11.645, que torna obrigatório o ensino da história e cultura indígena nas escolas, é por conta também da existência dessa literatura consistente dentro da sociedade brasileira", afirmou.

Munduruku também fez questão de destacar a importância dos ilustradores indígenas, mencionando o trabalho de Miguela Moura, que ilustrou uma das obras de sua nova trilogia, o livro ‘Curupira existe, sim!’. 

"A arte indígena não está apenas no texto, mas também nas imagens. Quando uma criança indígena ilustra um livro, ela está dizendo: 'Nós estamos aqui, nós temos nossa própria estética, nossa própria maneira de ver o mundo'", pontuou.

O TEMPO INDÍGENA

Um dos momentos mais aplaudidos da fala de Daniel Munduruku foi sua reflexão sobre a diferença entre o tempo ocidental e o tempo indígena, uma discussão que ecoou o tema da Flib sobre as relações entre literatura, natureza e outras cartografias. 

"O tempo ocidental anda para frente. É o tempo do relógio, o tempo da produção, o tempo em que tempo é dinheiro. Nós passamos o tempo inteiro olhando para o futuro, que nós não temos, e acreditamos que um dia seremos felizes", destacou.

Em contraste, explicou, os povos indígenas vivem o tempo em duas dimensões: o passado, que é memória, e o presente, que é plenitude. "Os povos indígenas não perguntam para as crianças 'o que você vai ser quando crescer?' Porque a criança já é tudo que precisa ser. Ela precisa ser criança, plenamente criança. A infância só é vivida uma única vez", afirmou.

O escritor lembrou o ensinamento de seu avô Apolinário, pajé da etnia Munduruku: "Se hoje, se o agora não fosse bom, não se chamava presente". Essa filosofia, segundo ele, orienta a vida indígena como um constante exercício de gratidão – celebrado com cantos, danças e pinturas corporais. "É por isso que vocês veem os indígenas cantando e dançando, e muitas vezes os chamam de preguiçosos. Mas eles estão celebrando a existência", pontuou.

Ele aprofundou a reflexão ao explicar que, na cosmovisão indígena, a natureza é a grande mestra. "A natureza é sistêmica, interdependente. Uma árvore não vive sozinha. Ela depende de todos os outros seres para crescer e se desenvolver, e na hora certa devolve tudo o que recebeu. Os indígenas chamam a terra de mãe não porque é poético, mas porque acreditam que ela é de fato mãe. Chamam os outros seres de parentes porque sabem que são parentes", contou. Essa visão, segundo ele, ensina a coletividade, a solidariedade e a gratidão, valores que a sociedade ocidental vem perdendo.

ENCONTRO

Antes da palestra noturna, o escritor participou de um encontro especial com crianças indígenas da Aldeinha, uma aldeia urbana localizada no município de Anastácio, que abriga cerca de 129 famílias do povo Terena. 

O encontro aconteceu na Praça da Liberdade, das 15h às 16h, e foi coordenado pelo professor Reinaldo Rohtt, coordenador da ABRAAI (Academia Brasileira dos Autores Aldravianistas Infantojuvenil) e docente da Escola Estadual Indígena Guilhermina da Silva.

Reinaldo, que é Terena e também atua como professor na Aldeinha, explicou o significado da participação das crianças na FLIB. "Nós trabalhamos com as crianças a poesia, inspiradas em Daniel, especialmente na obra O Caraíba, para criar poesias relacionadas às questões indígenas, da sua raiz, da sua identidade, da sua cultura e da sua tradição", afirmou

A Aldeinha, como explicou Reinaldo, é uma comunidade que muitas vezes sofre com o preconceito por estar inserida no ambiente urbano. "As pessoas não acham que ali tem um indígena, porque está inserido no meio urbano. Acham que deixaram de ser índio. Há até uma fala comum: 'Ah, deixaram de ser índios, porque moram em casas de alvenaria, utilizam a tecnologia'." Contra essa percepção, a escola trabalha com duas disciplinas específicas – Língua Materna e Questões Indígenas – para fortalecer a identidade e a cultura Terena, especialmente a revitalização da língua materna, que está em processo de desaparecimento. "Os mais velhos vão indo, e os mais novos não têm essa preocupação em aprender. A escola faz esse papel", afirmou.
 

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