Quarta, 22 de Novembro de 2017

Às vésperas da eleição, desfile não atrai candidatos

27 AGO 2010Por 18h:31
Lidiane Kober

Às vésperas da eleição, o desfile em homenagem aos 111 anos de Campo Grande não virou palanque eleitoral. Foi mínima a participação de candidatos no ato cívico, poucos se atreveram a distribuir material de campanha e os bandeiraços não atraíram a atenção da população e restringiram-se a ocupação apenas de uma esquina nas proximidades do evento.
Seguindo a tradição, o deputado estadual Pedro Teruel (PT), candidato à reeleição, foi um dos poucos políticos a prestigiar o desfile, mas não subiu no palanque e apressou-se em informar que não passou pelo ato cívico para pedir votos. “Venho todos os anos comemorar o aniversário da cidade”, comentou. “Quem vem aqui, vem para mostrar seu orgulho em ser campo-grandense, por isso, se sentirá incomodado ao ser abordado por políticos”, opinou.
Por outro lado, o deputado estadual e também candidato a mais um mandato, professor Rinaldo Modesto (PSDB) admitiu que, ao cumprimentar as pessoas, aproveitará para lembrar que quer continuar na Assembleia Legislativa por mais quatro anos. “Só não vou me arriscar a subir no palanque”, ressaltou, revelando temer represálias por parte da Justiça Eleitoral. “O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) pode entender que, ao subir no palanque, estou tentando tirar proveito eleitoral do meu cargo”, explicou.
Só subiu no palanque o governador André Puccinelli (PMDB), candidato à reeleição. “Não dei nem bom dia para não infringir a legislação eleitoral”, disse. Por ser governador, a Justiça Eleitoral permite a presença de Puccinelli em atos cívicos, mas veda qualquer tipo de manifestação. Seu principal adversário, José Orcírio dos Santos (PT), não foi ao desfile. O petista pediu votos em Itaquiraí e Naviraí. Já Nei Braga, candidato ao Governo do Estado pelo PSOL, fez corpo a corpo na Praça Ary Coelho.

Santinhos
Nem Teruel, Rinaldo e Puccinelli foram ao desfile com material de campanha. No desfile, a reportagem só localizou três cabos eleitorais distribuindo santinhos e dois bandeiraços, distantes a uma quadra na Rua 14 de Julho, onde aconteceu o ato cívico. Mas o material foi suficiente para sujar a rua. “Hoje é um dia de festa, não vim aqui para escolher candidato”, afirmou a vendedora Seleide de Souza. “A rua está suja, eu não joguei nada no chão, por isso, a minha bolsa está lotada de santinhos”, contou.
Ely Silveira, pai de Ely Silveira Júnior, candidato a deputado estadual pelo PSC, analisou a situação de maneira diferente. Ele usou o ato cívico para fazer propaganda do seu filho, mas antes consultou o TRE sobre a legalidade de distribuir material de campanha no evento. “Quem não está atento ao desfile, ofereço o santinho”, revelou. “Minha intenção foi aproveitar a aglomeração de eleitores para ajudar meu filho”, acrescentou. De acordo com estimativas da Polícia Militar, 15 mil pessoas prestigiaram o evento de ontem.
Também foram tímidos os bandeiraços. Aos arredores do ato cívico, só dois foram registrados. Um deles foi de candidatos a deputado estadual e federal pelo PTB. “Hoje é dia de festa, não lugar para fazer campanha, mas sempre tem aqueles interessados em aproveitar a passagem pelo desfile para ouvir as propostas dos candidatos”, comentou o presidente regional do PTB, Ivan Louzada. “Estamos atrás desse grupo de eleitores e não queremos perturbar os demais”, concluiu.

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