Domingo, 19 de Novembro de 2017

As várias faces da depressão

26 JUL 2010Por 06h:42
SCHEILA CANTO

Boa parte das pessoas relaciona a depressão com tristeza, embora o distúrbio leve a uma tristeza profunda;  nem sempre esse estado de humor é o único a aparecer em quem sofre da doença. Dificuldade de concentração ou agitação, cefaleias constantes, perda de memória, nervosismo, agressividade, fadiga, sonolência ou insônia podem ser indícios de depressão, pois o transtorno é cheio de facetas, na maioria das vezes é confundido com o estresse, cabendo somente ao médico especialista em psiquiatria o diagnóstico correto.

A Sociedade Brasileira de Psiquiatria alerta que a doença é mais comum do que se imagina e nunca é demais ficar atento aos seus sinais. O psiquiatra Marcos Estevão Moura, da Clínica Carandá, cita que alguns dos sintomas da depressão são: humor deprimido, perda de interesse em fazer coisas que antes eram motivo de prazer, insônia ou muita sonolência, falta de concentração e dificuldade de tomar decisões, agitação ou lentificação dos movimentos, alterações no peso e apetite, fadiga diária, sensação de inutilidade e até pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
O médico alerta que a falta de percepção desses sinais dados pelo organismo ou a insistência em interpretá-los como “normais” ou “passageiros” pode mascarar a doença, dando a ela diversas faces diferentes da verdadeira e favorecendo uma evolução cada vez pior com o tempo.
Tal distúrbio pode ser basicamente classificado em quatro tipos, de acordo com o grau de acometimento e número de sintomas apresentados. O transtorno depressivo maior (também chamado de depressão unipolar ou depressão maior) é o quadro mais comum de depressão, onde são apresentados diariamente pelo menos quatro dos sintomas acima citados, durante duas ou mais semanas, levando a um significativo comprometimento das atividades diárias.
Os transtornos bipolares (também chamados de depressão bipolar) são episódios de depressão maior alternados com estados chamados de mania, em que, ao contrário da depressão, o paciente tem uma exacerbada excitação física e mental, com desmedida autoestima e frequente irritabilidade. De acordo com a intensidade e a frequência destes ciclos, o transtorno bipolar também é considerado um quadro basicamente depressivo de grande comprometimento do cotidiano do paciente.
Por fim, há o transtorno distímico (ou distimia) e o ciclotímico (ou ciclotimia). No primeiro, os sintomas depressivos não são tão graves a ponto de serem considerados um episódio de depressão maior, mas persistem por dois anos ou mais. Já no segundo estes mesmos sintomas depressivos se alternam com sintomas maníacos, mas também não são suficientes para caracterizar um episódio de mania.
Na divisão entre sexos, a mulher tem mais tendência à depressão do que os homens, segundo Marcos Estevão, por conta das questões hormonais. O desequilíbrio químico causado pelo quadro depressivo tem grandes efeitos nos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) e na menopausa.
Pesquisa divulgada em setembro de 2009 pela Organização Mundial da Saúde alerta que nos próximos 20 anos a depressão deverá ser a doença mais comum do mundo, mais prevalente do que doenças cardíacas ou câncer. Não à toa o tratamento com especialistas deve ser procurado aos primeiros sinais e seguido à risca.
O tratamento de um indivíduo com depressão passa por duas fases. O primeiro é o diagnóstico correto, que avaliará causas clínicas e sociais do paciente. O segundo é o tratamento medicamentoso, com antidepressivos, que pode ser acompanhado de psicoterapia para otimização dos resultados.
Aliado ao tratamento medicamentoso, além da psicoterapia, está a prática de atividades físicas, pois liberam endorfina, substância que causa sensações de alegria e bem-estar. Isso acontece porque o cérebro de uma pessoa diagnosticada com depressão apresenta alterações químicas que precisam ser equilibradas, especialmente no sistema nervoso, responsável pelos níveis de humor, alegria, tristeza, energia e interesse.
Mas a depressão também possui uma diferença muito importante no seu tratamento. Ao contrário de uma gripe ou febre, o tratamento deve continuar por vários meses após o desaparecimento dos sintomas, pois caso contrário poderá haver uma recaída do paciente. “Por isso que a orientação médica é tão importante na remissão da depressão”, conclui o especialista.

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