Quinta, 23 de Novembro de 2017

Artuzi foi denunciado por manipular terceirizações

11 MAR 2010Por 08h:03
Tentativa de fraudar a terceirização da rodoviária e manobras para direcionar a concessão do serviço de distribuição de água de Dourados a uma empresa carioca, ligada à Família Uemura, são as principais denúncias da Procuradoria-Geral de Justiça contra o prefeito de Dourados, Ari Artuzi (PDT). Antes de se completarem 40 dias de seu mandato, Artuzi, orientado pelos Uemura, negociava o direcionamento de licitações para beneficiar as empresas Águas de Niterói e Socicam, a mesma que administra o terminal rodoviário de Campo Grande e oito terminais de transbordo. Notas fiscais, fotografias e escutas telefônicas estão entre as provas anexadas à denúncia apresentada na última sextafeira ao Tribunal de Justiça. Em 5 de fevereiro do ano passado, Eduardo Uemura e o então secretário de Governo da prefeitura, Darci Caldo, foram ao Rio de Janeiro, para se reunir com os diretores da Águas de Niterói, para negociar a concessão do serviço de coleta, tratamento e distribuição de água em Dourados. Diretores da empresa foram a Dourados em 11 de fevereiro, para dar continuidade à negociata. Na ocasião, foram recebidos por Eduardo e pelo irmão de Jorge Antônio Dauzacker (ex-assessor de Artuzi), Astúrio Dauzacker, diretor do departamento de Habitação e um dos 11 denunciados ao TJ pelo procuradorgeral de Justiça, Miguel Vieira da Silva. No dia seguinte, o próprio Artuzi reuniu-se com representantes da Águas de Niterói na prefeitura. Só depois de fechar negócio com a empresa carioca, a lei relativa à concessão dos serviços de saneamento básico foi aprovada pela Câmara, em 5 de maio do ano passado. Conforme o Ministério Público, para aprovar a lei, “importante passo no caminho da concretização da fraude no processo licitatório”, Artuzi e a família Uemura contaram com a influência dos vereadores Humberto Teixeira Júnior (líder de Artuzi na Câmara), Paulo Henrique Bambu e Sidlei Alves (atual presidente da Casa). “ Fo r a m mo n i t o r a d a s conversas telefônicas entre Eduardo Uemura e vários políticos de Dourados”, cita o MP. Após a aprovação da lei, Artuzi, Jorge Antônio Dauzacker, Darci Caldo e os três vereadores comemoraram o sucesso alcançado no apartamento de Eduardo Uemura, ainda segundo o MP. Rodoviária A organização criminosa também tentou fraudar procedimento licitatório para terceirização da rodoviária de Dourados. A intenção era beneficiar a Socicam. Em 3 de fevereiro – 34 dias após Artuzi assumir o mandato – o secretário de Artuzi, Darci Caldo, informou a um representante da Socicam a intenção de privatizar a rodoviária e de Eduardo Uemura participar da licitação. Darci mostrou preocupação com o fato de Eduardo não ter experiência no ramo e sugeriu, então, que a Socicam fizesse consórcio com a empresa de Eduardo para, juntos, participar do certame. Em 26 de março, o engenheiro e arquiteto da prefeitura, Fabiano Furucho, encontrou-se com Eduardo para combinar reunião de Artuzi com diretores da Socicam. Depois, Fabiano acompanhou os técnicos da Socicam à rodoviária. As tratativas continuaram nos meses seguintes e só não alcançaram êxito por conta da deflagração da Operação Owari, embora “já estivessem executando atos que dariam a Sizuo Uemura e a Eduardo Uemura a vitória da licitação”, observa o procurador, na denúncia apresentada ao TJ, à qual o Correio do Estado teve acesso. “O prefeito Ari Artuzi conduzia as negocia- MP acusa Artuzi de ser "gerente" dos negócios dos Uemura na prefeitura ções de seu gabinete”, afirma o Ministério Público. O “gerente” Segundo o MP, a “prefeitura de Dourados se transformou numa sucursal da organização criminosa dos Uemura, cujo gerente era Ari Valdecir Artuzi, o qual, por sua vez, tinha os denunciados Darci Caldo e Jorge Dauzacker da Silva (como) subgerentes”. Ao negociar antecipadamente o resultado de processos licitatórios, o grupo tentou burlar o caráter competitivo dos certames, justamente o que garante a contratação, pela administração pública, da empresa que oferece o melhor serviço, dentre os concorrentes, pelo melhor preço. Em troca, os agentes públicos que participaram do esquema teriam recebido dinheiro em espécie, viagens e até mesmo carro de luxo. Artuzi nega envolvimento com a organização criminosa. Ele afirma que está sendo vítima de “perseguição política” e “preconceito” e que não realizou nenhuma licitação em seu governo.

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