Quarta, 22 de Novembro de 2017

Armazéns da Cooagri são preparados para receber grãos

23 FEV 2010Por 03h:49
Os armazéns arrendados da Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cooagri), em liquidação judicial, estão sendo preparados para receber a safra de soja do sul e do sudoeste do Estado. Os controladores temporários estão fazendo os trabalhos de manutenção dos equipamentos, parados há mais de um ano e meio. Os últimos recebimentos foram na safrinha de 2008. Mas na unidade de Sidrolândia, o primeiro descarregamento foi feito na semana passada informou ontem ao Correio do Estado o liquidante da Cooagri, Gilberto Bernardi. “Os demais armazéns começarão a receber a soja à medida que forem operacionalizados porque o pico da safra está chegando”, explicou o agrônomo. As 17 unidades da Cooagri – algumas tendo mais de um armazém a granel, foram arrendadas para um grupo de cooperativas paranaenses e empresas do próprio Estado pelo período de três anos, ao preço de R$ 12 milhões. Coube ao juiz da 2ª Vara Cível de Dourados, José Carlos Souza escolher quem seriam os arrendatários, levando em conta, principalmente, o quesito solidez econômica. A primeira parcela de R$ 4 milhões já foi liquidada e será usada para o pagamento de parte das dívidas trabalhistas dos mais de 300 funcionários. As outras parcelas serão anuais. A cooperat iva La r, de Medianeira (PR), que já vem atuando na região sul, ficou com as unidades de Sidrolândia, Pequi, Maracaju, Vista Alegre, Antônio João, Ponta Porã, Itahum(Dourados) e Rio Brilhante. A cooperativa Coamo, de Campo Mourão (PR),também presente em Mato Grosso do Sul, assumiu as filiais dos distritos de Tagi(Aral Moreira), Guaíba (Ponta Porã) e Laguna Carapã. A União Suplementos Animais arrendou a unidade de Jardim; a Jangada Armazéns Gerais ficou com a de Montese (Itaporã); a Agrojangada, com a antiga loja de insumos e último escritório central da Cooagri, em Dourados; a Bonanza Armazéns Gerais com Indápolis (Dourados) e Douradina; Dainel e Douglas Guedin, com o armazém de Caarapó; e o Agro Santo Antônio, com o de Bonito. As 17 unidades da Cooagri – a maior cooperativa agrícola do Estado, tem capacidade para receber 406.800 toneladas, quase 10% da soja a ser produzida nesta safra em Mato Grosso do Sul, estimada em 4,9 milhões/tonelada. Auditoria Bernardi disse ontem ainda, que duas empresas especializadas apresentarão essa semana um orçamento, para aprovação do juiz encarregado do processo de liquidação, para a realização de uma auditoria contábil, financeira e patrimonial da Cooagri, sediada em Dourados. Uma delas é de Porto Alegre (RS) e a outra de Cascavel (PR). Esse levantamento minucioso poderá abranger os últimos cinco ou dez anos, para serem identificados os motivos que levaram a cooperativa à falência, com dívidas de R$ 240 milhões e um patrimônio de R$ 90 milhões. No dia da audiência pública, 12 de fevereiro, que debateu a situação da Cooagri, o juiz da 2ª Vara Cível, José Carlos Souza considerou “uma pouca vergonha” e “uma calamidade” o que ocorreu, pois quatro anos atrás era considerada uma das maiores do País no seu segmento. Apesar de ter dinheiro em caixa, o pagamento do passivo trabalhista – calculado em R$ 8 milhões, ainda não foi feito por questões burocráticas. Mas Bernardi antecipou os R$ 5 milhões disponíveis serão para pagar encargos: depósito do FGTS, com multa de 40% sobre o saldo; férias; aviso prévio; e, possivelmente, o salário de julho de 2009. Os demais ficarão para trás, por falta de caixa.

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