Terça, 21 de Novembro de 2017

OPERAÇÃO URAGANO EM DOURADOS

Ari Artuzi e quase todos os vereadores são presos

2 SET 2010Por 21h:42
Fábio Dorta, de Dourados

O prefeito de Dourados, Ari Artuzi (PDT), a mulher dele, Maria Aparecida de Freitas Artuzi, o vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), nove dos 12 vereadores, seis secretários municipais, servidores públicos, empresários e donos de empreiteiras foram presos ontem pela Polícia Federal na Operação Uragano, que em italiano significa furacão. Três vereadores presos são candidatos a deputado estadual, Sidlei Alves (DEM), presidente da Câmara Municipal, Marcelo Barros (DEM), e Aurélio Bonatto (PDT).
Ao todo, foram expedidos 29 mandados de prisão e cumpridos 28. O nome do foragido não foi informado pela polícia. Todos os mandados são de prisão temporária, ou seja, têm validade por cinco dias e podem ser prorrogados por até 30 dias ou, dependendo das investigações, até serem transformadas em prisões preventivas.
Além dos presos, 38 pessoas foram conduzidas pela Polícia Federal para prestar depoimento, entre elas, dois vereadores: Dirceu Longhi (PT), que é presidente da CPI da Saúde, e Gino Ferreira (DEM), candidato a 2º suplente na chapa de Waldemir Moka (PMDB) ao Senado. Todos foram liberados após prestarem esclarecimentos.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Bráulio César Galloni, os presos estão envolvidos em fraudes em licitações, corrupção e formação de quadrilha. Segundo a Polícia Federal, apenas as empresas que participavam do esquema ganhavam as licitações e davam 10% de comissão ao prefeito.
Para o delegado, as investigações “colocaram fim à roubalheira” que foi instalada desde o início da gestão de Artuzi. “A operação conseguiu colocar um ponto final nesse esquema, porque desarticulamos a cabeça do esquema”, afirmou o delegado. Segundo ele, Artuzi comandava todo o esquema de corrupção.
O dinheiro, conforme a polícia, era utilizado por Artuzi para aquisição de bens pessoais, para fazer caixa de campanha e, ainda, para o pagamento de propina a vereadores tanto da situação quanto da oposição. A Polícia Federal não informou o montante de dinheiro desviado dos cofres públicos.

Início das investigações
As investigações começaram em maio deste ano a partir de uma denúncia feita pelo jornalista Eleandro Passaia, secretário municipal de Governo. Orientado pela polícia, Passaia gravou imagens do prefeito, da primeira-dama e dos vereadores recebendo propina de empreiteiros e empresas que têm contratos em vigência com a administração municipal.
Das 28 prisões, de acordo com a PF, pelo menos dez foram efetuadas em Campo Grande. Participaram da operação 12 delegados e mais de 200 policiais. O Ministério Público Estadual (MPE) acompanhou os depoimentos.
De acordo com o promotor Paulo César Zeni, conforme os depoimentos e o andamento das investigações, o MPE vai decidir qual encaminhamento será dado ao caso.
A prisão do prefeito foi autorizada pelo desembargador Manoel Mendes Carli, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, porque Artuzi, por força do cargo que exerce, tem direito a foro privilegiado. As demais foram decretadas pela juíza Dileta Terezinha de Souza Thomaz, da 1ª Vara Criminal de Dourados.
O delegado disse que, depois de prestarem depoimento, as mulheres seriam transferidas para o presídio semiaberto e os homens para a Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa (Phac), com exceção de Artuzi. “Nós ainda não definimos para onde ele será levado”, afirmou Galloni. Mas acabou sendo transferido para a 3ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.

Gravações
Com autorização da Polícia Federal e da Justiça, o secretário de Governo, Eleandro Passaia, gravou a entrega de propinas ao prefeito e aos vereadores. Ele mesmo, orientado pela polícia, recebia o dinheiro e repassava a Artuzi, Maria, Carlinhos Cantor e aos vereadores e gravava em áudio e vídeo toda a movimentação do esquema criminoso.
Em uma das gravações, o prefeito reclamou ao receber R$ 10 mil do empresário José Antonio Soares, conhecido como “Zeca do MS”, proprietário da Construtora MS. “Só 10 mil?”, disse o prefeito. Em seguida, ele começa a contar o dinheiro e chama pela esposa: “Maria, tó”. Ela responde, “estou indo”.
Em outra gravação, Passaia entrega mais R$ 10 mil, da mesma empreiteira, desta vez para Maria Artuzi, que reclama de forma acintosa. “Quanto?”, Passaia responde, “10 mil”. “Não faz nem cócegas, ajuda”, afirma Maria. Em seguida, ela diz “não dá nem pro primeiro escalão”. A primeira-dama afirma ainda que vai usar o dinheiro para cobrir o limite no banco e não ser negativada no Serasa.
As fitas ainda mostram gravações de Passaia entregando dinheiro para vereadores aprovarem projetos de interesse da prefeitura ou de pessoas ligadas ao prefeito. Em um dos casos, os vereadores receberam dinheiro para aprovar um projeto autorizando a queima de cana por parte dos usinas de álcool até o final desde ano, sendo que em Dourados só era permitida a colheita mecanizada.

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