Terça, 21 de Novembro de 2017

Área de milho safrinha registra queda de 40%

15 ABR 2010Por 04h:28
Cícero Faria, Dourados

A área de milho 2ª safra no município de Dourados, o maior produtor do Estado até 2009, sofreu este ano a maior redução já registrada pelo IBGE: índice de 40%, segundo concluíram ontem 14 técnicos reunidos na Comissão Regional de Estatísticas Agropecuárias (Corea). Aliada a essa queda está a falta de chuvas que já causa prejuízos à cultura.
Os agricultores e a assistência técnica já previam em março redução do plantio, calculada em torno de 30%. Mas com esse prognóstico  do IBGE a queda foi confirmada e ainda mais acentuada. Isso é resultado do grande estoque de passagem do produto no País (cerca de oito milhões de toneladas) e os preços baixos, em torno de R$ 13 a saca em Dourados, no disponível.
Pela análise dos representantes de cooperativas, do Banco do Brasil, Embrapa, Sindicato Rural e da assistência técnica, os agricultores douradenses plantaram 60 mil hectares de milho safrinha, contra 100 mil na safra passada.
Em 2009,  as lavouras também sofreram com a seca, tanto que apenas 78 mil hectares foram efetivamente colhidas, ou seja, houve perda total em 22 mil ha. Agora, as condições climáticas parecem se repetir porque completou mais de 20 dias sem chover na região. Em abril não caiu ainda uma gota de chuva.
Por enquanto, a Corea trabalha com uma safra cheia prevendo uma produtividade de 4.050 quilos por hectare, correspondendo a 67,5 sacas. Caso isso se confirme, a produção de milho do município será de 243.000 toneladas, quase 10% dos 2,5 milhões de toneladas, previstos para Mato Grosso do Sul na safrinha.
Mas o diretor do Sindicato Rural de Dourados, César Dierings disse ao Correio do Estado, após a reunião do IBGE, que até agora a maioria das lavouras de milho resistiu relativamente bem à estiagem. Mas, no geral, se prevê hoje  queda de 10% no rendimento para as plantas que estão em fase de pendão e formação de espiga. Se o tempo continuar desfavorável, a quebra aumentará gradativamente.
“A partir de agora será essencial que ocorram chuvas porque, senão, o vai perder muito milho. Infelizmente,  as previsões são de chuvas fracas apenas na próxima semana”, citou Dierings, de uma família de grandes  produtores de grãos na região de  Dourados.
O IBGE ainda não fez levantamentos semelhantes em outros municípios agrícolas da sua jurisdição, como Maracaju, Rio Brilhante e Caarapó, mas os técnicos comentaram ontem que na região os produtores de milho também reduziram fortemente a área plantada.

Culturas
As demais culturas de inverno somaram 8.400 hectares em Dourados, com destaque para o trigo cuja área ficará em torno de 6.000 hectares. O feijão 2ª safra teve expressivo aumento e atinge 1.000 hectares, enquanto a aveia branca ocupa 300 ha.
O girassol, por falta de incentivo na hora da comercialização, teve a área reduzida para 100 hectares – já que chegou perto de 1.000 ha. enquanto o sorgo ocupa 1.000 ha. Os agricultores ainda fizeram plantios menores de canola e crambe. Mas a braquiária tem ocupado as áreas vazias onde seria plantado o milho, fazendo cobertura verde para a futura safra de soja.

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